Nota de repúdio de ex-Ministros da Saúde ao pronunciamento do Presidente Bolsonaro no combate à pandemia da COVID-19



 

Como ex-ministros de saúde expomos nossa indignação e total discordância com o pronunciamento feito pelo Presidente da República, na noite de 24 de março, em cadeia nacional de rádio e TV. Vimos a público denunciar os graves efeitos nocivos das posições defendidas pelo presidente da República que procura minimizar e tratar de forma insensata uma pandemia com essas proporções, que já provocou a morte de mais de 18 mil pessoas, no mundo, até o momento.

O Sr. Jair Bolsonaro, principal dirigente do Executivo Federal, negou as evidências científicas que vêm embasando as ações governamentais de combate à pandemia da COVID-19 em todo o mundo e que preconizam o isolamento social como ação de inquestionável relevância para enfrentar a evolução da infecção pelo coronavírus, reduzir o número de infectados e, com isso, possibilitar ganho de eficácia na organização da rede de atenção à saúde e garantir o atendimento aos casos mais graves e diminuir o número de óbitos.

Preocupado em atender interesses estritamente econômicos, propõe uma dicotomia entre o enfrentamento da crise na saúde e na economia. Os países que têm conseguido os melhores resultados são aqueles que fizeram o isolamento social, garantiram o atendimento à saúde da população e tomaram medidas para manter a renda e ativar a economia. Não há, portanto, dicotomia entre manter a atividade econômica e salvar vidas.

Ao advogar o isolamento vertical, restrito à população idosa e com comorbidades, Bolsonaro considera viável trancafiá-las em casa, sem nenhum contato com familiares, cuidadores, que passariam a circular livremente num ambiente totalmente favorável à disseminação do vírus corona. Tal postura, além de desmobilizar a população que vem fazendo sua parte, seguindo as orientações da OMS, do próprio Ministério da Saúde, dos governadores, prefeitos, imprensa e líderes do parlamento, fere também, de maneira irreconciliável, ao pacto federativo e a autonomia de seus entes.
As medidas implementadas pelo Ministério da Saúde, pelos gestores da saúde, técnicos e profissionais do SUS não podem ser desrespeitadas e precisam ser defendidas. As vidas dos trabalhadores da saúde, atualmente expostas para salvar nossa população, não podem ser relativizadas em função de interesses da economia.

Além disso, o belicoso presidente confronta e desrespeita o trabalho relevante da imprensa e de outros meios de comunicação, importantes aliados na difusão de informação e esclarecimento da população sobre a COVID-19.
Seu pronunciamento pode resultar em uma sobrecarga do sistema de saúde brasileiro de trágicas consequências, particularmente entre os grupos mais vulneráveis da sociedade.

É necessário que os líderes republicanos se juntem em torno da defesa da vida. Primeiro, para salvar as pessoas, e depois para salvar a economia.

Da nossa parte, na condição de ex-Ministros da Saúde, vamos recorrer à Organização Mundial de Saúde e à Comissão de Direitos Humanos da ONU para que acompanhem o enfrentamento da pandemia de Covid- 19 no Brasil.
Temos compromisso de nos engajarmos no esforço da sociedade brasileira na proteção de nossa população, independentemente de sua condição econômica e social e de sua faixa etária. Nosso dever é preservar a vida de nossos cidadãos.

EX-MINISTROS DA SAÚDE DO BRASIL

Humberto Costa
José Saraiva Felipe

Jose Agenor Alvarez da Silva

José Gomes Temporão

Alexandre Padilha

Arthur Chioro

Marcelo Castro

26 de março de 2020.

Padilha e Suplicy defendem a renda básica cidadania e a saúde pública como aliadas no combate ao coronavírus



Nesta segunda-feira (23) o deputado Alexandre Padilha e o vereador de São Paulo Eduardo Suplicy respeitando o período de isolamento realizaram debate ao vivo nos seus perfis das redes sociais sobre o como a renda básica cidadania e a saúde pública são grandes armas para enfrentar o coronavírus no mundo.

Com a pandemia, países do mundo, como EUA e Portugal, tem adotado versões semelhantes da renda básica cidadania para garantir os direitos de seus cidadãos no período. Suplicy sempre foi defensor da política e é autor da proposta de lei no país.

Na semana passada, o senador Randolfe Rodrigues (Rede) protocolou um projeto de lei que institui a renda básica cidadania emergencial em caso de epidemias e pandemias. O projeto prevê que o governo pague R$ 300 para todos os brasileiros com renda inferior a três salários mínimos.

Padilha reforça que Bolsonaro é irresponsável em não garantir mais saúde e melhor sobrevivência ao trabalhador e trabalhadora no combate ao coronavírus. Para ele, o governo federal é imprudente em não voltar atrás nos cortes bilionários na área da saúde necessários para o aumento dos leitos de UTI, realizar testes rápidos para detecção da doença e para contratação de médicos.

Veja como foi o debate:

Publicado por Alexandre Padilha em Segunda-feira, 23 de março de 2020

Padilha questiona governo de SP sobre suspensão de contratação de médicos residentes



*Do Portal 247

O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) protocolou um ofício nesta segunda-feira 23 questionando o governo de São Paulo sobre uma denúncia a respeito de suspensão de contratação de médicos residentes para o SUS (Sistema Único de Saúde) em meio à pandemia de coronavírus.

No ofício, o deputado, que é médico e ex-ministro da Saúde, afirma ter recebido a denúncia de um médico de que a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo teria suspendido o processo seletivo dos novos residentes, mesmo havendo vagas.

A Fundação Carlos Chagas, responsável pela seleção de candidatos, teria cancelado a última chamada do processo em nome da defesa da situação sanitária do país, denunciou o médico Samuel de Oliveira Jango ao parlamentar.

Como membro da Comissão Externa da Câmara dos Deputados, que discute ações contra o avanço do coronavírus no Brasil, o parlamentar apresentou ofício para requerer informações a respeito da situação relatada.

“No momento grave de pandemia enfrentada pelo país, o reforço na contratação de profissionais da saúde é medida imperiosa para seu eficaz enfrentamento”, defende ele no documento.

Leia a íntegra do oficio clicando aqui

Padilha divulga diariamente plantão para orientar e informar a população sobre o coronavírus



Com objetivo de orientar e informar a população sobre o coronavírus no Brasil e no mundo, o deputado federal, médico infectologista, professor universitário e ex-Ministro da Saúde Alexandre Padilha está produzindo o “Plantão do Padilha: coronavírus”, uma análise sobre o cornavírus no Brasil com focos que variam.

Padilha já esclareceu sobre os principais sinais e sintomas da doença, os cuidados com medicamentos utilizados no tratamento, o uso correto de máscaras e a importância da solidariedade com os que mais precisam, com os trabalhadores e trabalhadoras de saúde e entre os países.

No áudio ele  também comenta as atualizações divulgadas pelo governo federal sobre a situação do coronavírus no país. O áudio é disparado por listas de transmissões do Whatsapp. O plantão é feito e compartilhado todos os dias no fim da tarde, em especial após novas divulgações dos casos da doença pelo Ministério da Saúde.

Para receber o “Plantão do Padilha: coronavírus” entre em contato no número (11) 97581-4398 e peça para ser incluído nas listas de transmissão do plantão.

Responsabilidade sanitária é uma das propostas do deputado Padilha para combater o coronavírus



*Do PT na Câmara 

Preocupado com a dimensão da pandemia do COVID-19 (coronavírus) e com as consequências na saúde pública, que pode atingir milhões de brasileiros, o médico e deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) apresentou três projetos para minimizar os efeitos da crise social e econômica. Um deles, o projeto de lei (PL 693/20), dispõe sobre a responsabilidade sanitária das autoridades públicas e tipifica o crime de divulgação ou compartilhamento de informações falsas que atentem contra a segurança sanitária.

“Diante da expansão da epidemia e da necessidade de disciplinar a responsabilidade sanitária de agentes públicos e particulares, apresentamos este projeto de lei que visa combater a propagação de notícias falsas sobre questões sanitárias e disciplina a atuação dos agentes públicos”, argumenta Padilha, na justificativa do projeto.

Pela proposta, as manifestações das autoridades públicas no que tange a assuntos de saúde pública, em especial durante os períodos de emergências públicas em saúde, pandemias e epidemias declaradas, deverão obedecer estritamente as recomendações técnicas da Organização Mundial de Saúde dos órgãos vinculados à Organização das Nações Unidas e do Mercosul – em caso de doenças transmissíveis e em emergências públicas em saúde de caráter internacional -, e as recomendações técnicas dos órgãos de saúde pública brasileiros.

Padilha propõe no projeto a pena de reclusão de um a cinco anos e multa para quem propagar direta ou indiretamente doença contagiosa, criando um perigo para a vida ou de grave lesão à saúde ou da integridade física de um número indeterminado de pessoas. A pena é aumentada de um terço, se o agente é funcionário público, políticos e pessoas com grande capacidade de influência midiática e social.

Penaliza ainda com detenção de um mês a um ano e multa quem elaborar, publicar, propagar ou divulgar notícias ou informações falsas, com o intuito de influenciar a opinião pública a agir de modo contrário ao consenso científico e das autoridades sanitárias em momentos de calamidade pública e/ou emergência de saúde. A pena é aumentada de um terço, se o agente é funcionário público, políticos e pessoas com grande capacidade de influência midiática e social. A pena também será aumentada em um terço se o ato ocorrer durante períodos de emergência públicas de saúde, pandemias e epidemias declaradas.

Pela proposta do deputado Padilha, fica também determinado, obrigatoriamente, a retirada de publicação em meios de comunicação, inclusive da rede mundial de computadores – internet, de conteúdo que atente à segurança sanitária do País e à saúde pública.
Dispensa do atestado médico

Alexandre Padilha apresentou também o projeto de lei (PL 702/20), que dispensa o trabalhador que estiver em isolamento de apresentar atestado médico durante sete dias. No caso de imposição de quarentena, conforme trecho do projeto, o trabalhador poderá apresentar como justificativa válida no oitavo dia de afastamento documento de unidade de saúde do SUS ou documento eletrônico regulamentado pelo Ministério da Saúde. “Em tempos de pandemia, a proteção aos trabalhadores e trabalhadoras precisa ser ainda mais intensa”, publicou Padilha em suas redes sociais, lembrando que o projeto foi inspirado no sistema nacional público inglês.

Atenção primária à saúde

Padilha apresentou também o projeto de decreto legislativo (PDL 701/19) e visa sustar a Portaria 2.979/19, que estabelece novo modelo de financiamento de custeio da Atenção Primária à Saúde no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), por meio da alteração da Portaria 6/17. “A portaria, além de não ter sido elaborada de forma transparente, aumenta o risco de desvio de finalidade no uso dos recursos públicos”, alerta o deputado.

Padilha argumenta ainda que a portaria atenta contra o disposto no art. 17 da Lei Complementar nº 141/12. “Esses critérios tiveram sua metodologia de rateio aprovada no Conselho Nacional de Saúde e devem compreender as necessidades de saúde dos entes federativos em sua dimensão epidemiológica, socioeconômica, geográfica e demográfica no sentido de se promover equidade federativa; a sustentabilidade financeira para a rede de serviços de saúde; e o desempenho dos serviços do ano anterior, requerendo a sua permanente avaliação”, explicou.

Clique aqui para obter informações sobre o projeto de lei 693/19
PL 693/2020

Veja a íntegra do projeto de lei 702/20

Confira a íntegra do PDL 701/19

Padilha entra com representação contra Bolsonaro na Procuradoria-Geral da República



Alan Santos/PR

Da Rede Brasil Atual

São Paulo – O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) ingressou com representação junto à Procuradoria-Geral da República contra o presidente Jair Bolsonaro.

Entre as razões estão o estímulo por parte de Bolsonaro aos atos realizados no domingo, 15 de março, contra o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal. O presidente da República chegou a participar do ato realizado em Brasília contra os demais poderes.

Além disso, ressalta a representação de Alexandre Padilha, ao participar do ato, Bolsonaro feriu a lei federal 13.979, de 6 de fevereiro de 2020, que trata das medidas para “enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus responsável pelo surto de 2019”.

Treze integrantes da comitiva que viajou com Bolsonaro para os Estados Unidos já tiveram resultado positivo para teste de coronavírus. Em função disso, o presidente deveria estar em isolamento, mas participou dos atos, falou ao microfone e apertou mãos expondo dezenas de pessoas – ou talvez centenas se for levado em conta a propagação do vírus – ao adoecimento.

Por essas razões, Padilha requer à PGR a instauração de inquéritos civil e criminal para apurar as condutas descritas. “Bem como que sejam tomadas as medidas necessárias para que cesse a conduta irresponsável do mandatário da República em relação a pandemia de covid-19 declarada pela Organização Mundial de Sáude”, diz na representação.

Fora da lei

“Veja que não apenas lei federal tratou do tema, como foram determinadas medidas para todo o Distrito Federal que deveriam ser acatadas por todos, ainda mais no caso do Representando, a maior autoridade pública do país”, afirma a representação. “O Representando não apenas contrariou os dispositivos da Lei da Quarenta, expondo a risco centenas de pessoas e a si mesmo no último domingo, como afrontou Decreto do Governador do Distrito Federal com ordens expressas em todo aquele território.”

O documento cita a gravidade da convocação feita por Bolsonaro às ruas, mesmo diante do risco à saúde dos cidadãos. “Inobstante isso, o Representado utilizou sua conta da rede social twitter para estimular que outras pessoas fizessem o mesmo. Ou seja, o Representando não apenas praticou atos contra o cuidado sanitário, lei federal e Decreto do Governador do DF, como estimulou que todos fizessem o mesmo não apenas no DF como em todo território nacional. As inúmeras postagens do Representando em rede social de amplo alcance foram disparadas ininterruptamente durante todo o dia ontem, 15 de março.”

Para Alexandre Padilha, a conduta de Bolsonaro fere, ainda diversos dispositivos do Código Penal, elencados na representação.

“Código Penal no capítulo Da Periclitação da vida e da saúde dispõe que: Perigo de contágio de moléstia grave Art. 131 – Praticar, com o fim de transmitir a outrem moléstia grave de que está contaminado, ato capaz de produzir o contágio: Pena – reclusão, de um a quatro anos, e multa. Perigo para a vida ou saúde de outrem Art. 132 – Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente: Pena – detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave. E dispõe ainda: Infração de medida sanitária preventiva Art. 268 – Infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa: Pena – detenção, de um mês a um ano, e multa. Parágrafo único – A pena é aumentada de um terço, se o agente é funcionário da saúde pública ou exerce a profissão de médico, farmacêutico, dentista ou enfermeiro.”

Leia a íntegra da representação clicando aqui: Representação PGR covid Bolsonaro.pdf

 

Coluna Brasil de Fato | Coronavírus: Bolsonaro é irresponsável em conduzir crise de saúde pública



Estamos assistindo o aumento da população vulnerável às doenças respiratórias – Guilherme Frodu

*Por Alexandre Padilha para o Brasil de Fato 

A irresponsabilidade de Bolsonaro e a insensibilidade de seu ministro da Economia, Paulo Guedes, podem levar o Brasil a ter o seu pior inverno da história da saúde pública. Está claro para todo mundo que a pandemia do coronavírus não é uma gripe qualquer, como chegou a dizer o ministro da Saúde de Bolsonaro, e não é uma fantasia, como disse o próprio Presidente da República.

Diariamente Bolsonaro repete frases e tem posturas que deseducam a população brasileira, os profissionais de saúde e, mais do que isso, imobilizam os órgãos do governo federal a apoiarem o Ministério da Saúde nas ações urgentes que tem que ser realizadas para evitarmos um inverno extremamente trágico para a saúde pública brasileira.

Faltam 90 dias para o inverno, exatamente no momento em que aumentam o número de casos de coronavírus no nosso país.

Nesses próximos dias, estamos assistindo o aumento da população vulnerável às doenças respiratórias. Com a multiplicação da população em situação de rua, só na cidade de São Paulo esse número dobrou, com a  redução do números de pessoas que tinham alternativa da saúde suplementar para cuidar da sua saúde – o aumento do número de pessoas que tem o Sistema Único de Saúde (SUS) como única alternativa para seu cuidado à saúde- , o aumento do número de pessoas que não tiveram o acesso aos medicamentos para as doenças crônicas, com os cortes da Farmácia Popular, que reduziu os remédios para controle de diabetes, doenças pulmonares obstrutivas crônicas, cânceres e hipertensão.

E agora, com uma pressão maior de casos respiratórios com a chegada do aumento de casos de coronavírus, que deve crescer ainda mais até o inverno.

Soma-se a redução do SUS, operada por Bolsonaro e por Guedes. Só os cortes de recursos da saúde em 2019 decorrentes da EC 95 chegam a mais de R$ 9 bilhões. Isso leva a redução de leitos de UTI, de equipes contratadas, dos médicos do Mais Médicos, o que faz o que faz com que o SUS tenha menos capacidade de resposta à crise que poderá vir no inverno. Também se soma ao aumento de casos do coronavírus.

Diante desse quadro, assistimos o Presidente da República com escárnios diários em relação à gravidade da crise do coronavírus, e o seu ministro da Economia desfilando a insensibilidade diante do sofrimento da saúde do povo brasileiro.

A frase de Bolsonaro que o coronavírus é uma fantasia é desmobilizadora, antipedagógica e vamos interpelá-la, inclusive no Judiciário, questionando como um Presidente da República pode emitir uma frase como essa, que faz inclusive que seus subordinados e outros órgãos deixem de apoiar o Ministério da Saúde em ações  fundamentais.

Não à toa o Ministro Guedes disse que, com R$ 4 bilhões será possível aniquilar o coronavírus, mostrando a influência das falas abomináveis do presidente Bolsonaro, que são falas desmobilizadoras do governo federal no sentido de apoiar o Ministério da Saúde.

É fundamental a mudança no teto de gastos, que seja de imediato, flexibilizado e liberado os recursos para a área da saúde. Temos que buscar medidas judiciais nesse sentido, questionando a constitucionalidade da manutenção desse teto de gastos diante de uma crise explicita de saúde pública no pais.

Iremos interpelar judicialmente Bolsonaro pela sua postura absolutamente irresponsável em relação à condução da crise de saúde pública do coronavírus, e iremos interpelar o governo federal no sentido de liberação dos recursos, de mudança no teto de gastos, especialmente para área da saúde, em uma crise da saúde pública como essa.

Edição: Leandro Melito

Médicos: cadê o prometido por Bolsonaro?



Foto: Adriano Machado/Reuters

*por Alexandre Padilha para Revista Fórum

Nesta semana completamos sete meses da publicação da medida provisória que instituiu o Programa Médicos pelo Brasil. Na ocasião, o presidente Jair Bolsonaro anunciou que seriam criadas 18 mil vagas distribuídas em especial nas regiões Norte e Nordeste do país e que ele substituiria o Programa Mais Médicos que, segundo o Presidente, tinha objetivos suspeitos e que o novo Programa corrigiria estes defeitos.

Após sete meses do anúncio nenhum médico foi contratado pelo governo federal para atender a população em áreas que precisam de médicos. Ficou evidente que o que incomodava este Governo eram os mais de 60 milhões de brasileiros e brasileiras que foram atendidos pelos profissionais do Mais Médicos, que tinham médicos perto de casa através do acesso aos serviços de atenção básica. No lugar de levar mais médicos para quem mais precisa, este governo tem levado mais mortes e negligências para milhões de brasileiros. Em 2019 aumentaram os índices de mortalidade por dengue, internação por pneumonia e mortes de crianças.

Reportagem da BBC Brasil desta semana mostrou que após a saída dos médicos cubanos, o número de crianças indígenas que morreram antes de completar um ano de vida aumentou 12%.  Aqui no estado de São Paulo são 862 médicos a menos deixando de atender quase três milhões de paulistas.

O Ministério da Saúde tem sistematicamente reduzido a quantidade de médicos do Programa em todos os cantos desse país. Cidades como São Paulo, Fortaleza, Brasília, Manaus, Salvador, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Campinas, que estão localizadas em capitais ou Regiões Metropolitanas, possuem mais de 2.200 vagas do Programa em aberto. São quase oito milhões de brasileiros que não possuem mais acesso à atendimento médico de qualidade pela ausência de reposição.

A novidade é que agora o governo admitiu que precisará retomar o Mais Médicos para as periferias das regiões metropolitanas para se preparar para o Coronavirus.  A ONU, o SUS e o Mais Médicos, tão atacados por Bolsonaro, são as armas que temos para evitar uma tragédia como o que acontece na China.

Foram anunciados editais do Mais Médicos para estas regiões e, admitindo, nas palavras do Ministro da Saúde de Bolsonaro, que são áreas de vulnerabilidade e que o Programa criado por Bolsonaro é burocratizado e não levou médico a lugar nenhum. Ao mudarem de discurso, comprovaram que, na verdade, a dificuldade que existe é de conhecerem a realidade do país, as periferias das grandes cidades, os rincões do brasil.

Bolsonaro também é cruel com os milhares de brasileiros e brasileiras que se formaram em medicina no exterior e que poderiam estar cuidando da nossa população se o Revalida fosse realizado. O veto presidencial dificulta a realização do exame. Desde 2017 o governo federal não concluiu mais o Revalida, colocando em cheque o melhor instrumento para a validação justa do diploma médico no Brasil. Este é o fato que motivou o Congresso a torná-lo obrigatório por lei.

O Revalida foi criado durante o governo Dilma, em portaria assinada por mim quando Ministro da Saúde e Fernando Haddad, na Educação. Desde o golpe de 2016, que interrompeu o mandato da presidenta Dilma Rousseff, o exame está suspenso. Milhares de médicos e médicas formados no exterior estão sem exercer a medicina no Brasil, deixando milhões de brasileiros e brasileiras desatendidos.

Estudos recentes de pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas mostram que as Unidades Básicas de Saúde (UBS) que receberam médicos do Programa Mais Médicos realizaram mais consultas básicas, consultas de urgência, consultas de pré-natal e tiveram aumento no número geral de médicos.

Foram mais consultas e mais profissionais que, somados, se traduziram em mais saúde para a população. Mas, enquanto as evidências e os dados mostram o sucesso do Programa, o governo aposta no terraplanismo sanitário e impede que o Mais Médicos continue fazendo o que sabe fazer de melhor, salvar e melhorar a vida de brasileiras e brasileiros.

Bolsonaro deve desculpas ao povo brasileiro. Por briga ideológica deixou a população este tempo todo sem seus médicos e agora tenta voltar trás, mais uma vez.

Padilha sobre coronavírus: “Não é uma gripe qualquer. Por onde passa deixa milhares de mortos”



 

*Com informações do PT na Câmara com Rede Brasil Atual

 

O primeiro caso de infecção por coronavírus no Brasil foi confirmado nesta quarta-feira (26), após exames realizados pelo Instituto Adolfo Lutz. Trata-se de um homem de 61 anos que voltou de viagem à região da Lombardia, na Itália, local com maior número de casos naquele país. Ele chegou a São Paulo em um voo no sábado (22) e procurou o Hospital Albert Einstein na segunda-feira (24), após apresentar sintomas. Segundo o hospital, “o paciente encontra-se em bom estado clínico e sem necessidade de internação, permanecendo em isolamento respiratório que será mantido durante os próximos 14 dias”. Por ser considerado um quadro leve, ele vai ficar em quarentena em casa.

Também na manhã desta quarta, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta reuniu os secretários estaduais de Saúde para articular ações integradas entre o Ministério e os estados. Conforme declarou em entrevista coletiva, Mandetta disse que não serão alterados procedimentos nos aeroportos ou bloqueios a países suspeitos, devido ao grande número de conexões nos voos. “Não existe nenhuma tecnologia que possa nos dizer que quem está dentro de um avião possa estar com o vírus ou não”, observou.

Na avaliação do deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), o coronavírus não é uma gripe qualquer. “Por onde passa deixou milhares de mortos. O Brasil precisa aproveitar ao máximo as três vantagens que tem sobre a China para impedir uma tragédia similar à tragédia chinesa. Primeiro, temos todas as informações sobre o coronavírus: período de incubação, sua gravidade, qual é a população de risco, qual a população onde teve o maior número de mortes, de onde vêm os casos. Ou seja, todas as informações necessárias para ativar ao máximo os profissionais de saúde e a população, para bloquearmos a transmissão evitando contágios e, sobretudo, evitarmos a disseminação de preconceitos que além de agredir muitas vezes as pessoas e gerar intolerância, desinforma a população. O primeiro caso de coronavírus no Brasil é um exemplo disso”, lembrou o ex-ministro da Saúde do governo Dilma Rousseff. Para Padilha, o brasileiro infectado não é um chinês, que não veio direto da China para o Brasil, ele é um caso que só as informações transmitidas pelas organizações internacionais nos permitem saber o risco de transmissão em outros países neste momento.

A segunda grande vantagem, de acordo com Alexandre Padilha, é que o Brasil construiu ao longo de décadas um sistema público de saúde, que age desde a vigilância aos portos, aeroportos, aos mercados, aos pontos de alimentação até a estrutura de sistema de vigilância, de isolamentos respiratórios nos hospitais e vigilância laboratorial. “Essa estrutura tem que ter todas as condições de atuar no alerta necessário, no máximo de seu trabalho. Cabe ao Ministério da Saúde do governo Bolsonaro dar toda condição para que esses trabalhadores e trabalhadoras possam atuar em cada canto do País. Sobretudo na vigilância dos portos e aeroportos. É fundamental a possibilidade de os trabalhadores e trabalhadoras terem equipes preparadas e prontas, ter os plantões acontecendo. Temos recebidos denúncias ao longo destes dias do corte de plantões dos trabalhadores da Anvisa em portos e aeroportos do nosso País”, denunciou. E a terceira vantagem sobre a China, de acordo com o ex-ministro, é que ainda estamos no verão. “Temos a possibilidade de conter a transmissão em um período em que a concentração das pessoas é menor em relação ao inverno. Orientar as pessoas não só em relação ao coronavírus, mas ao risco da Influenza. Orientar de forma correta a vacinação. Preparar de forma correta os trabalhadores e trabalhadoras da saúde. Nada disso acontece se menosprezarmos os riscos. O Congresso Nacional fez em um dia o que o governo Bolsonaro durou semanas para agir. Desde o começo falávamos: o maior risco não era a repatriação de brasileiros que estavam na China, pelo contrário. A repatriação desses brasileiros deveria acontecer o mais rápido possível por ser a forma mais controlada de fazer essa repatriação. O maior risco é a rede do SUS, que foi construída ao longo de décadas, não ser acionada na sua força máxima. Nesse momento o governo Bolsonaro tem que garantir as condições de trabalho e as informações adequadas a essa grande rede de vigilância do SUS”, receitou Padilha, que também é médico.

Protocolo

A médica infectologista e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia Nancy Bellei explicou que o Hospital Albert Einstein tem protocolo para esse tipo de atendimento e a conduta é semelhante à adotada em outros países. “Mais da metade dos casos na região da Lombardia, de onde veio este paciente, estão nos domicílios. Nos Estados Unidos também. Ele foi dispensado com orientação médica e orientação para os seus familiares. E a equipe divulgou que está em contato com esse paciente. Dispensar o paciente para casa vai depender da avaliação do serviço. Depende da condição do paciente, da possibilidade de vigilância, do entendimento e da colaboração do paciente e seus familiares”, explicou, em entrevista à jornalista Marilu Cabañas, na Rádio Brasil Atual.

Nancy ressaltou que é possível que haja transmissão do vírus deste paciente para outras pessoas, já que o risco para os passageiros que voavam com ele depende da classe de voo, pois alguns têm menor concentração de pessoas, e da localização do passageiro infectado. “O conceito que nós temos vem do Influenza. Para esse vírus respiratório considera-se um risco maior duas fileiras para a frente, duas para trás e eventualmente dos lados. Esse seria o caso de um paciente sintomático. Nós não conhecemos ainda o sistema de transmissão de pacientes assintomáticos. É possível que transmitam, mas o quanto a gente não sabe”, disse.

O Brasil é o primeiro país da América Latina com um caso confirmado de Coronavírus, que já contaminou mais de 80 mil pessoas e matou 2.708 pessoas no mundo. Além do caso confirmado em São Paulo, o Ministério da Saúde monitora outras duas pessoas, uma em Pernambuco e outra no Espírito Santo, ambas vindas de viagem à Itália. No país, ocorreram 320 casos de infecção e 11 pessoas morreram. Já os brasileiros que vieram de Wuhan, região onde a epidemia começou, foram liberados no final de semana, após 18 dias de isolamento, sem nenhum indício de contaminação.

O que fazer?

As condições para se considerar um caso suspeito de coronavírus foram estabelecidas pelo Ministério da Saúde. Além de febre, é preciso apresentar algum sintoma respiratório e histórico de viagem ou contato com uma pessoa que viajou a uma região com casos confirmados de coronavírus. Nesse caso, os serviços de saúde estão orientados a fazer exames para detecção do vírus.

Apesar da preocupação com a chegada do coronavírus ao País, a conduta para evitar a contaminação segue sendo a mesma indicada desde o início da epidemia, como no caso da gripe comum: lavar as mãos com frequência, evitar colocar a mão na boca, nos olhos ou coçar o nariz e tossir ou espirrar tapando o rosto com a parte interna do cotovelo e não com as mãos. As pessoas que apresentam maior risco são os grupos que também devem se prevenir de gripes e resfriados, como idosos, gestantes, pessoas transplantadas ou com câncer.

Também se destaca o baixo índice de letalidade do vírus, semelhante ao ocorrido com outros que tiveram grande proliferação, com mobilização mundial, mas não resultaram em uma grave crise global de saúde. Em 2002, a Sars – gripe aviária – se disseminou a partir da China, teve pouco mais de 8 mil casos confirmados e causou 774 mortes ao redor do mundo. Já em 2012, a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (Mers, na sigla em inglês), que surgiu a partir da Arábia Saudita, causou 858 mortes.

O ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT) considera que o País está preparado para enfrentar o coronavírus, apesar do desmonte praticado pelo presidente Jair Bolsonaro. “Com os casos anteriores (Sars e Mers), o Brasil se preparou, tanto do ponto de vista da vigilância, quanto do ponto de serviços para cuidar das pessoas com problemas respiratórios. Apesar de todo o ataque e desmonte praticado pelo governo Bolsonaro, tem uma resiliência de capacidade técnica, de atendimento. O Brasil tem um corpo técnico e estruturas hospitalares para lidar com essa situação”, explicou.

Abaixo, orientações do Centro de Controle e Prevenção de Doenças, agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos Estados Unidos, sobre o coronavírus:

  • Coronavírus são conhecidos desde a década de 1960, eles têm esse nome devido ao seu aspecto que lembra uma coroa, visto em microscópio;
  • A transmissão ocorre entre diversos animais. Eventualmente pode haver transmissão de animais para humanos, a depender da mudança no material genético do vírus (RNA);
  • Até hoje 7 diferentes tipos de coronavírus foram confirmados como causa de infecções em seres humanos. A maioria das pessoas tem infecções por coronavírus na infância e a apresentação mais frequente lembra um resfriado simples ou uma gripe;
  • Houve duas epidemias de impacto global por coronavírus, a Sars a partir de 2002 que se disseminou a partir da China, teve pouco mais de 8000 casos confirmados e causou 774 mortes ao redor do mundo. A Mers, que surgiu a partir da Arábia Saudita em 2012, e causou 858 mortes;
  • O surto do novo coronavírus na China é certamente um problema de saúde pública, mas não deve ser motivo para desespero. Lembremos que o vírus da gripe, que se transmite de forma semelhante, mata anualmente de 290 mil a 640 mil pessoas por ano;
  • Não há nenhum tratamento específico, como um antiviral, eficiente para coronavírus. Os pacientes recebem tratamentos sintomáticos. Nos casos graves, suporte com oferta de oxigênio e eventualmente cuidados intensivos;
  • Não há vacina disponível;
  • A transmissão pode se dar por contato com os animais infectados e, no caso do novo coronavírus, pode ser transmitida de pessoa a pessoa a partir de secreções respiratórias;
  • A prevenção é semelhante a outras doenças de transmissão respiratória: lavar as mãos com frequência, evitar colocar as mãos nos olhos, nariz e boca, cobrir a boca ao tossir, ajuda a evitar a infecção;
  • O surto atual causou 80 mil casos e 2.708 mortes até agora. Os casos se concentram na China e países vizinhos.

 

Padilha participa de debate sobre os impactos econômicos e culturais do coronavírus na China e América Latina



Com informações da Rede Brasil Atual

O Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé realizou nesta quinta-feira (20) um debate sobre os impactos sociais, econômicos e culturais da epidemia de coronavírus na China. Até agora, 74.675 casos de pessoas infectadas foram confirmados no país asiático, com 2.121 mortes. Outros 929 casos foram registrados em outros países. Contudo, o Brasil ainda não registrou nenhum caso do novo vírus. E, apesar da preocupação internacional, a epidemia vem se mostrando menos letal que os casos anteriores de síndrome respiratória aguda grave (Sars) e síndrome respiratória do Oriente Médio (Mers).

O encontro contou com a presença de Alexandre Padilha, ex-ministro da Saúde e deputado federal (PT-SP); do advogado Thomas Law, diretor presidente do Instituto Sociocultural Brasil-China (Ibrachina); da mestre Maria José Haro, assessora da Subsecretaria de Relações Internacionais de Tucumán, do embaixador Pedro Monzón Barata, cônsul-geral de Cuba em São Paulo, e de Francisco Denes Pereira, vice-presidente da Associação Nacional dos Profissionais de Relações Internacionais (Anapri).

Padilha lembrou que estar em alerta é importante, mas que o Brasil está bem preparado para epidemia do coronavírus.

“As estruturas de vigilância, acompanhamento e monitoramento, foi desenvolvida ao longo dos anos. Sobretudo em 2009, quando tivemos a epidemia de influenza, que foi muito mais importante e letal que o Coronavírus. Temos algumas vantagens em relação à China. Primeiro, nós não estamos no inverno. A segunda vantagem é que nós já temos as informações. Porque a epidemia foi tão grave na China? Porque durante um mês e meio não se sabia o que estava acontecendo. Nós já sabemos”, afirmou.

O ex-ministro lembrou que o governo de Jair Bolsonaro levou três semanas para se decidir se trazia ou não os brasileiros que estavam vivendo na China e que esse tipo de conduta pode prejudicar o enfrentamento à epidemia.

“A conduta do governo foi perversa. Bolsonaro quis tratar as vítimas de uma epidemia no século 21 como os leprosos eram tratados nos tempos bíblicos. Ele chegou a dizer que era melhor que eles ficassem lá, que não trouxessem a doença para cá, que seria muito caro trazer 30 famílias para cá. Quando caro, no Brasil, são as despesas de cartão corporativo do Bolsonaro e da família dele”, disse.

 

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