Jornada vacina para todos já: Parlamentares e entidades pressionam Congresso Nacional para garantia de vacina para toda a população



Há poucos dias do país completar um ano do primeiro caso de Covid-19, o governo Bolsonaro permanece omisso e negacionista no combate à pandemia, com número de casos e óbitos em crescimento, são quase 250 mil vidas perdidas, e sem um plano de vacinação eficaz – com apenas 2,87% da população vacinada – apesar do Brasil ter um dos maiores sistemas de saúde pública do mundo, o SUS.

Criado constitucionalmente com a missão de garantir o direito à vida, o Sistema Único de Saúde, sofre infinitos desmontes no governo Bolsonaro, frente à sua desqualificada condução da pandemia e na proposta de retirada de recursos para 2021 no Projeto de Lei Orçamentária enviado pelo Governo Federal e que impactará ainda mais no direito à saúde pública, gratuita e universal dos brasileiros.

Para cobrar que o Congresso Nacional e o governo garantam vacina para todos e mantenham recursos no orçamento para saúde e educação, aconteceu nesta quarta (24), a live “Jornada Nacional Vacina para Todos Já”, mobilização para pressionar a prioridade de vacinação, em especial aos trabalhadores de educação, e a exigência de propiciar orçamento público necessário para o enfrentamento à pandemia para 2021 com a aprovação do Piso Emergencial da Saúde de 168,7 bilhões. A live contou com a presença de ex-ministros, gestores estaduais e municipais, parlamentares, entidades, especialistas e lideranças sindicais e do movimento social.

“É inadmissível um país como o Brasil, que tem um dos maiores sistemas públicos de saúde do mundo e com capacidade de vacinar 80 milhões de brasileiros contra a gripe em três meses, não ter doses suficientes para vacinar toda a população apta contra a Covid-19. Diante da incompetência do governo, o Congresso tem aprovado medidas importantes como a Medida Provisória que acelera aquisição de vacinas e autoriza que governos estaduais e municipais possam comprar vacinas caso o Estado não garanta vacinação para a população, com prioridade de vacinação dos trabalhadores de educação”.

Audiência com o Presidente do Senado

Como parte das atividades da jornada, parlamentares de diversos partidos e representantes do setor da educação e saúde estiveram reunidos com a Presidência do Senado Federal, onde foi entregue carta e a petição pública com mais de 500 mil assinaturas do Conselho Nacional de Saúde que trata da vacinação e da defesa de mais investimentos para as áreas para 2021.

Também foi pautada a votação da PEC Emergencial, prevista para ser votada nos próximos dias.

“Se a PEC Emergencial proposta pelo governo Bolsonaro for aprovada, toda a luta que tivemos para garantir o Fundeb e recursos para a saúde vão embora. A nossa luta é para que essa pauta não seja votada e para que não aceitemos a chantagem do governo federal, que ao invés de prorrogar o auxílio emergencial, que foi conquistado graças aos parlamentares de oposição, quer alterar a vinculação dos recursos para educação e saúde, com impacto por décadas. É possível e necessário prorrogar o auxílio emergencial mantendo os recursos para as áreas”, afirma Padilha.

Veja como foi a live da “Jornada Nacional Vacina para Todos Já”:

 

Um plano de vacinação contra Covid-19 para todos, por Alexandre Padilha



Foto: BBC (reprodução)

Por Alexandre Padilha para Revista Fórum

A ocupação militar no Ministério da Saúde permanece demonstrando sua incapacidade de garantir ao povo brasileiro um plano de vacinação contra Covid-19 para todos. Até agora, o governo brasileiro ainda não apresentou uma estratégia de incorporação de várias vacinas que estão em desenvolvimento no mundo. É necessário que o Brasil adquira todas as metodologias técnicas que se comprovem eficazes se não, não seremos capazes de vacinar todos os brasileiros.

As atitudes do governo federal têm adiado, cada vez mais, a possibilidade de termos vacinas contra o novo coronavírus o mais rápido possível. Projetos de vacinação estão sendo incorporados em diversos países e a lentidão do governo Bolsonaro está deixando o país na contramão. Pode acontecer que se esse processo demorar muito, o Brasil não tenha vacinas suficientes.

Bolsonaro estimula a infecção das pessoas, despreza a vida, o risco da Covid-19 e a saúde do povo brasileiro, colocando à frente da defesa da vida, disputas partidárias e ideológicas. Desde o início da pandemia, o Brasil vive ondas de aumento e queda no número de casos e óbitos, nunca registramos estabilidade recorrente.

Pela excelência do nosso Programa Nacional de Imunização, deveríamos estar sendo inspirados no que ocorreu em 2010 na pandemia de H1N1, quando o Brasil liderou mundialmente o programa de vacinação, sendo o país que mais imunizou no mundo.

Naquele momento, a vacina que poderia ser incorporada com mais rapidez, foi a desenvolvida no Instituto Butantan e o governo do estado de São Paulo era comandado pelo maior opositor do governo Lula, à época presidente da República, e em nenhum momento a disputa partidária foi colocada à frente da defesa da vida e era isso que precisávamos estar vivendo no Brasil novamente. Nosso maior inimigo, a ser derrotado, é o vírus, não as vacinas ou institutos públicos.

Ao invés disso, o governo federal fica reiterando a lentidão para incorporação, martelando em apenas uma vacina e estabeleceu guerra com conjunto de outras vacinas em desenvolvimento, como a CoronaVac, do Instituto Butantan, a da Pfizer, do Reino Unido, ou com a russa Sputnik V, e também não preparou o país para mais insumos necessários para aplicação dos imunizantes.

Nesta semana tivemos audiências na Câmara dos Deputados, na comissão que acompanha as ações de enfrentamento à Covid-19, onde representantes do Ministério da Saúde foram convocados para prestar esclarecimentos sobre o plano de vacinação e também sobre o motivo de cerca de sete milhões de testes para a doença estarem encalhados, sendo o Brasil o país que menos testa sua população. Ambos os questionamentos não tiveram respostas plausíveis e muito menos justificáveis.

As ações feitas contra a Covid-19 aqui, desde o início da pandemia, foram planejadas e aprovadas pelo Congresso Nacional. Por isso, vamos continuar lutando para que o governo Bolsonaro tenha o compromisso de incorporar várias vacinas na luta contra a pandemia e vamos obrigar o Ministério da Saúde a fazer parcerias com todos os projetos que mostrem eficácia garantida, para que possamos garantir vacinação para toda população. A vacina da Covid-19 deve ser para todos.

Padilha vai ao TCU contra suspensão de exames de HIV, Aids e hepatites virais pelo SUS



Foto: Najara Araújo/Câmara dos Deputados

Com informações da Revista Fórum

O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) encaminhou nesta segunda-feira (7) pedido para que o Tribunal de Contas da União (TCU) apure a suspensão de exames de HIV, Aids e hepatites virais pelo Sistema Único de Saúde (SUS) determinada pelo Ministério da Saúde. A medida foi tomada porque o governo Bolsonaro deixou vencer o contrato de fornecimento desses testes.

No documento, Padilha, que é ex-ministro da Saúde, pede que o TCU apure o ocorrido e responsabilize os gestores envolvidos no caso.

O deputado baseou seu requerimento em reportagem do jornalista Mateus Vargas, do Estadão. Segundo o texto, os contratos venceram em novembro e apenas em outubro o ministério lançou um pregão para selecionar um novo fornecedor. No entanto, o procedimento fracassou porque a empresa que ganhou a disputa não apresentou os documentos necessários.

De acordo com o jornalista, novo pregão deve ser realizado nesta terça-feira (8). Se houver um vencedor, a expectativa é que o serviço seja retomado apenas em janeiro.

No requerimento, o parlamentar escreve que os fatos revelados pela reportagem demonstram um “desmonte” de políticas para pessoas que vivem com HIV, Aids e hepatites virais no Ministério da Saúde.

“A descontinuidade desses tratamentos é gravíssimo e pode ser fatal para milhares de pessoas, uma vez o exame de genotipagem é crucial no tratamento e acompanhamento de usuários com doença relacionada ao HIV, permitindo um adequado acompanhamento clínico e uma maior eficácia das medicações”, ressaltou.

Plano de Vacinação do governo contra a Covid-19 não garante vacina para todos, denuncia Padilha



Foto: Banco de Imagens/gov.br

Com informações do PT na Câmara

O deputado federal e ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT-SP) afirmou que o Plano Preliminar de Vacinação contra a Covid-19, apresentando pelo governo Bolsonaro por meio do ministério da Saúde nessa terça-feira (1), é insuficiente para atender toda a população brasileira. O parlamentar ressaltou ainda que o plano é falho ao definir os grupos prioritários e as quatro fases da vacinação, sem estabelecer datas para início e término da campanha. O petista criticou ainda o plano por excluir opções de vacina em testes como a CoronaVac, do Instituto Butantã em parceria com um grupo farmacêutico chinês.

“O plano de vacinação apresentado pelo Ministério da Saúde deixou claro três coisas: primeiro, Bolsonaro não quer garantir vacina para todos pelo SUS. Segundo, não estabelece quando começa e quando termina a vacinação. Não ficou claro se essas quatro fases vão acontecer ao longo de todo ano de 2021, se vai acontecer em 4 meses ou dois anos. E terceiro, deixou claro e explícito que quer trabalhar apenas com as iniciativas que já têm, excluindo a vacina do Instituto Butantã em parceria com o grupo chinês”, explicou Padilha.

Segundo o Ministério da Saúde, na primeira fase da vacinação devem entrar trabalhadores da saúde, população idosa a partir dos 75 anos de idade, pessoas com 60 anos ou mais que vivem em instituições de longa permanência (como asilos e instituições psiquiátricas) e população indígena.

Em um segundo momento, entram pessoas de 60 a 74 anos. Já a terceira fase prevê a imunização de pessoas com comorbidades que apresentam maior chance para agravamento da doença (como portadores de doenças renais crônicas e cardiovasculares). A quarta e última deve abranger professores, forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema prisional e população privada de liberdade.

109,5 milhões de pessoas imunizadas

Ao todo, os quatro momentos da campanha somam 109,5 milhões de pessoas imunizadas, em duas doses dos imunizantes já garantidos pelo Ministério da Saúde – Fiocruz/AstraZeneca e por meio da aliança Covax Facility.

Atualmente o Brasil possui mais de 212 milhões de habitantes, mas segundo informação do próprio ministério o País tem garantido até agora somente 142,9 milhões de doses de vacinas, distribuídas em 100,4 milhões de doses dos acordos Fiocruz/AstraZeneca e 42,5 milhões com a Covax Facility.

Segundo o ministério, o plano de vacinação apresentado é preliminar e sua estrutura final dependerá das vacinas disponibilizadas. Sobre outras opções de compra, o ministério informou que mantém contato com representantes dos laboratórios Pfizer BioNTech, Moderna, Bharat Biotech (covaxin) e Instituto Gamaleya (sputinik V), que também possuem vacinas em estágio avançado de pesquisa clínica, para “aproximação técnica e logística”.

A vacina CoronaVac, do Instituto Butantã em parceria com o grupo chinês Sinovac, não foi citada na nota oficial do Ministério da Saúde que detalhou o plano preliminar de vacinação contra a Covid-19.

 

No aumento de casos de Covid-19, mais uma vez Bolsonaro deixa o povo brasileiro no escuro



Imagem/Divulgação

Por Alexandre Padilha para Revista Fórum 

A pandemia da Covid-19 no Brasil é uma grande e violenta onda, semelhante ao fenômeno natural chamado “pororoca”, característico da região amazônica, onde mar e rio se encontram e formam permanentemente grandes oscilações e elevações na água. Somos o único país do mundo que registrou por mais de 14 semanas mais de mil óbitos pela doença por dia. Tivemos redução no número de mortes, mas nunca chegamos ao patamar de países da Europa, por exemplo. Permanecemos na marca de 400 ou 500 mortes diárias e há duas semanas esses números vêm crescendo.

Voltamos à taxa de transmissão, que mede o risco de uma pessoa contaminada transmitir a doença para mais pessoas, registrada no mês de maio, quando ocorreu um forte crescimento do número de casos. Ou seja, vivemos um momento muito preocupante.

Dados mais recentes do governo do Estado de São Paulo apontam 22% de aumento das internações em UTIs por Covid-19 e especialistas avaliam que neste cenário o ideal é endurecer as medidas de isolamento, inclusive retornando a fases mais restritivas do plano do governo de reabertura das atividades.

O que revolta é a atitude do governo Bolsonaro em manter estocado num depósito cerca de sete milhões de testes que poderiam estar sendo utilizados para diagnosticar a doença. O governo federal deixa, mais uma vez, o povo brasileiro no escuro, sem lanterna para alento, em meio à maior tragédia humana que nosso país já enfrentou, com mais de seis milhões de infectados e 170 mil mortes.

Se esses testes estivessem sendo executados ajudariam a identificar os casos. Mostraria onde estão essas pessoas, para traçar o que chamamos na área da vigilância em saúde, de perfil epidemiológico, que é quando é feito o rastreamento da doença para identificar, monitorar e evitar mais transmissões.

Nesta semana, nós, deputados e deputadas que compomos a comissão externa da Câmara dos Deputados, responsável por acompanhar as ações de combate à pandemia de Covid-19, convocamos os representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Saúde para explicarem por que essa grande quantidade de testes está parada em meio ao crescimento do número de casos no país que é o segundo no mundo em número de mortes, o terceiro em número de infecções, o 10º em mortes por um milhão de habitantes e o 103º em número de testes por milhão de habitantes.

Cobrei dos representantes transparência sobre a compra de todos os testes de detecção. O governo federal anunciou meta de realização, até dezembro deste ano, de 24 milhões de exames para diagnóstico. Qual é a meta do Ministério da Saúde, já que há denúncias de compras e reincidência de estoque de testes parados? Além disso, questionei o que será feito daqui para a frente pelo governo diante do crescimento do número de casos para enfrentamento desta situação.

É urgente a necessidade de revisão da retomada do fortalecimento do sistema de saúde público para enfrentamento da Covid-19, das medidas de reabertura das atividades, além de reforçar as precauções e ampliar o número de testagem.

A responsabilidade do desenvolvimento de uma vacina para Covid-19



Foto: Senado Federal

Por Alexandre Padilha para Revista Fórum 

Nos últimos dias, tenho recebido muitos pedidos para esclarecer sobre a produção e distribuição das vacinas que estão em desenvolvimento contra a Covid-19 no Brasil. Primeiramente, é preciso estar muito claro para todos que o governo federal e o Ministério da Saúde, têm obrigação de conduzir de maneira técnica e responsável uma estratégia para que nosso país detenha a tecnologia de várias vacinas, não de apenas uma.

Não é apenas um tipo que vai dar conta de vacinar toda nossa população, que possui indicação para tomar o imunizante contra a Covid-19. Quanto mais técnicas e metodologias tivermos, e soberania para aquisição no SUS, certamente podemos fazer uma combinação vacinal mais forte e potente.

Há 10 anos, no meio da pandemia de H1NI1, o Brasil produziu uma vacina para o vírus firmada através de acordo de transferência de tecnologia com o Instituto Butantan. A garantia da soberania desta incorporação com a transferência de tecnologia aberta tornou o Brasil o país do mundo que mais vacinou pessoas em um sistema público. A planta industrial da vacina do H1N1 deveria ser o legado para a vacina contra o novo coronavírus.

Ocorre que, além da superação da pandemia da Covid-19, onde tivemos até agora mais de 162 mil vidas perdidas, estamos passando por uma guerra política absurda entre vacinas, o que não é nada saudável para Brasil.

Há cerca de um mês, foram suspensos os estudos da vacina em produção pela Fiocruz, em parceria com a Universidade de Oxford, por conta do registro de um óbito entre os voluntários, que depois se confirmou não ter relação direta com os testes. E o mesmo aconteceu nesta semana com a vacina que o Instituto Butantan está produzindo em parceria com o laboratório chinês Sinovac. O anúncio da suspensão dos testes foi feito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mesmo sem confirmação da causa do óbito.

Foi grave o atraso e a falta de comunicação entre a Anvisa e Instituto Butantan em relação ao caso. As desculpas burocráticas da Anvisa não estão à altura da responsabilidade que é o desenvolvimento e acompanhamento dos estudos para a produção de uma vacina contra a doença que está ocasionando a maior tragédia humana que o país já enfrentou.

A Anvisa tem a responsabilidade de garantir a transparência de todos os processos, do desenvolvimento de todas as vacinas que estão em produção no Brasil. O Congresso Nacional e o Tribunal de Contas da União estão fiscalizando todos os fluxos para que não ocorra nenhuma atitude política que fuja do papel técnico do órgão. Caso aconteça, os atos estão sujeitos a crime de responsabilidade administrativa. 

Para que todos possam ter o devido esclarecimento sobre o que ocorreu, protocolei no Congresso Nacional pedido de convocação do ministro da Saúde e de diretores da Anvisa à comissão que acompanha as ações de enfrentamento da Covid-19 na Câmara dos Deputados, para que expliquem de maneira clara e transparente a demora para se obter uma informação de um evento grave como esse e que não tem qualquer relação com o teste da vacina.

Além disso, nós, dos partidos de oposição, entramos com uma Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental no Supremo Tribunal Federal, para que o governo Bolsonaro esclareça a suspensão dos testes o mais rápido possível.

É assustadora a chacota do presidente em relação a esta parceria com o laboratório chinês. Bolsonaro está promovendo uma xenofobia ideológica em cima desta vacina, e após a decisão errada de suspender os testes sem saber o motivo real da morte do voluntário, chegou a celebrar este óbito.

Queremos uma vacina eficaz para todos, independentemente de sua origem, para superarmos a pandemia. Bolsonaro insiste em derrubar a ciência, cultiva mentiras e evidencia o questionamento sobre a obrigatoriedade da vacina para proteção da população. A consequência é o atraso no planejamento das diversas etapas para introdução no calendário vacinal deste novo imunizante para salvar vidas.

Propostas para proteção das cidades e superação da crise



O Brasil vive a maior tragédia humana da sua história e crise sanitária causada pela pandemia da covid-19 mostrou que políticas municipais devem estar ainda mais coordenadas com medidas emergenciais e de transformações a longo prazo nas cidades brasileiras.

Certamente você em sua cidade conhece pessoas que foram vítimas fatais da covid-19 ou famílias que estão sofrendo com as consequências da pandemia, com a perda de renda e emprego. O maior desafio das cidades é superar os efeitos da pandemia com aplicação de políticas públicas necessárias. O governo Bolsonaro virou as costas para a pessoas que sofreram e que sofrem com as consequências da pandemia, mas as cidades podem fazer a diferença.

Nestas eleições municipais é fundamental elegermos representantes do povo que defendam a vida sobretudo dos mais pobres e dos que mais precisam, que são a maioria da população. Por isso, apresento propostas que considero fundamentais para a escolha do candidato ou candidata.

MUDAR AS CIDADES EM DEFESA DA VIDA: Propostas para proteção das cidades da covid-19 e superação da crise

1- CIDADES SAUDÁVEIS E LIVRES DA COVID-19: Todo município deve ter um plano de  defesa da vida e superação da pandemia. Este plano deve conter medidas econômicas de proteção para a sociedade, como uma renda emergencial e de empréstimos. Além disso, os municípios  devem ter planos que garantam a segurança e medidas sanitárias que assegurem uma vida saudável para seus cidadãos.

2 – SAÚDE MAIS PERTO DO POVO: Todas as famílias da cidade devem ser acompanhadas por uma equipe do Estratégia Saúde da Família para o monitoramento dos casos suspeitos e confirmados de covid -19, casos com sequelas e também das pessoas que estão com outros problemas de saúde e que tiveram seus tratamentos adiados por conta da pandemia.

3 -SAÚDE DE PORTAS ABERTAS: Os gestores municipais deverão assegurar a abertura e o funcionamento de todos os serviços de saúde, inclusive manter as estruturas que foram ampliadas durante a pandemia no pós-pandemia para o fortalecimento do SUS. É crucial que os serviços fiquem abertos com o objetivo de assegurar o cuidado das pessoas pelo SUS. Além disso, os gestores municipais deverão assegurar a conclusão de todas as obras relacionadas aos serviços de saúde.

4 – OPERAÇÃO HORA CERTA DA SAÚDE: Os gestores municipais deverão planejar rapidamente uma grande operação para realizar os exames e cirurgias que foram adiados. Para isso, se necessário, as Secretarias Municipais devem organizar uma fila única para que todos tenham acesso rápido ao procedimento.

5 – TRABALHADORES PROTEGIDOS: As Prefeituras devem garantir que todos os trabalhadores devam estar protegidos no seu ambiente de trabalho, com máscaras, equipamentos de proteção, local adequado para refeição com devida ventilação e priorização de testes. As gestões municipais devem incentivar a abertura de bolsas de garantia de renda e qualificação profissional para os jovens, para que eles participem de programas de melhoria na qualidade de atendimento da população nos serviços públicos.

6 – ATENDIMENTO AO PÚBLICO E PROTEÇÃO TOTAL: Todos os locais de trabalho com acesso e atendimento ao público deverão ter pontos de lavagem de mãos, higienização e proteção aos usuários e aos trabalhadores garantidos pelos empregadores e, nos casos de atendimento dos serviços municipais, ampliação das Ouvidorias, forma em que a população possa questionar e denunciar falta de entendimento.

7 – EQUIPAMENTOS PÚBLICOS INTEGRADOS: Todos os equipamentos públicos deverão ficar a serviço da superação a pandemia, com possibilidade de garantir a oferta de condições para proteger a comunidade e assegurar os direitos de todos além de assegurar que todos os equipamentos públicos e instituições de longa permanência com acesso à água permanentemente.

8 – CIDADE AO AR LIVRE: As Prefeituras devem garantir que todos os espaços públicos de lazer tenham locais para lavagem de mãos para higienização e sigam todos os protocolos de segurança.

9- EDUCAÇÃO SAUDÁVEL: As escolas precisam ser um ambiente livre da covid-19, os professores e estudantes devem ter um ambiente que promova saúde e segurança para a comunidade escolar. Deverá ser assegurado a escolas lugares adequados para lavar as mãos, janelas abertas, número adequado de crianças por sala, qualificação dos professores e garantia de alimentação escolar

10 – CONSULTÓRIOS NA RUA: Toda a pessoa que está em situação de rua deverá ser acolhida e acompanhada por uma equipe de Consultório na Rua, as prefeituras devem garantir o acesso à saúde para todos e todas,.

11 – COMIDA SAUDAVÉL GARANTIDA: Toda criança em idade escolar deverá permanecer recebendo merenda mesmo em período de quarentena e o município deve garantir a logística e os devidos cuidados sanitários para a boa realização. Deve-se priorizar alimentos oriundos da reforma agrária, de pequenos produtores e orgânicos como forma de proteger a produção vinculada à nossa soberania alimentar.

12 – CULTURA PERMANENTE E PARA TODOS: Todas as atividades culturais deverão permanecer ativas adaptadas ao período de distanciamento social e deve ser desenvolvido pelo município um programa de incentivo e custeio à produção cultural local que priorize a diversidade cultural e a cultura popular.

13 – FAZER DA CASA UM LOCAL SEGURO:  O ambiente doméstico pode proteger-nos da contaminação do vírus mas muitas vezes é inseguro e um ambiente de violência, maus tratos, abuso e demais violações para mulheres, crianças, idosos, população LGBT, etc. A prefeitura deve reforçar campanhas e canais de denúncia bem como estabelecer um plano de segurança para vítimas de violência terem mecanismos ágeis de proteção envolvendo casas de passagem, abrigos, centros de atenção e profissionais capacitados para o melhor atendimento.

A covid-19 e o aumento da violência contra mulher foi o tema do programa Rede em Defesa da Vida desta segunda (9)



O confinamento causado pela pandemia da covid-19 deixou às vítimas de violência ainda mais expostas aos seus agressores no ambiente doméstico. A incidência de casos de violência contra mulher apresentou crescimento no país e no mundo. Dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos mostram que já no primeiro mês de quarentena, denúncias de violência contra mulher ao 180 cresceram 40% em relação ao mesmo período de 2019.

Nesta segunda (9)  o programa Rede em Defesa da Vida da TV PT que é ancorado pelo deputado federal e ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, abortou o assunto com a deputada estadual e presidenta da Apeoesp, professora Bebel, a advogada e candidata a vereadora pelo PT em SP, Vivi Mendes, e a advogada e candidata a vereadora pelo PT de Araraquara, Thainara Faria.

Padilha abriu o debate reforçando os ataques promovidos às mulheres pelo governo Bolsonaro e a falta de iniciativas para o enfretamento em especial na pandemia da covid-19 que mostrou a alta da violência no ambiente domestico, no trabalho, e o machismo escancarado.

A vereadora e candidata a reeleição em Araraquara, Thainara Faria reiterou que a mulher não é alvo apenas da violência física e sexual, mas também social e psicológica e que a estruturação de uma rede de solidariedade é primordial para a redução dos danos causados.

“Araraquara, através do prefeito Edinho Silva, tomou medidas fundamentais para o enfrentamento da doença. Uma delas foi criar uma rede de solidariedade para ajudar as mulheres em além de como lidar com os filhos em casa ou com a quantidade de refeições diárias, mas também oferecendo suporte psicológico. O governo Bolsonaro antes da pandemia já tinha feito muitos desmontes nas políticas para as mulheres, com a covid-19 faltou ouvir as necessidades das mulheres, que no contexto do isolamento social tiveram que ficar em suas casas com seus agressores e também tiveram suas rotinas completamente afetadas. Nessa sociedade machista, faltou humildade para escutar as demandas de quem esta comprometido com a redução das violências contra as mulheres.”

Para a candidata a vereadora pelo PT em São Paulo, Vivi Mendes, o isolamento social é a determinação para que as pessoas possam se proteger e proteger suas famílias da covid-19, mas também é a determinação que coloca a vida de muitas mulheres em risco. Além disso, as mulheres são as que sofrem de forma mais ampla por serem as primeiras a perderam o emprego, as últimas a retomarem as suas funções e as que tem a maior perda de renda.

“Somos as que mais sofrem com as consequências das crises ocasionadas pela pandemia da covid-19, que também são uma violência contra nós. Temos visto a dificuldade das mulheres de continuarem suas trajetórias nos tempos atuais e vemos poucas medidas efetivas para essa redução tanto do governo Bolsonaro quanto em São Paulo, com Dória e Bruno, que tem pouco compromisso com a vida das mulheres e não apresentaram medidas efetivas para o enfrentamento também dessa pandemia que é a violência de gênero”.

A deputada Bebel avaliou o aumento da violência contra mulher e o feminicídio como duas chagas que enfrentamos e que estão muito mais explícitos. “Temos instrumentos de enfretamento importantes como a Lei Maria da Penha, mas há casos em que a mulher fica sem reação do que fazer, porque a violência física, sexual e moral nos deixa depredados e a misoginia faz com quem nós, mulheres, temos que nos impor constantemente. Estamos em um momento impar e a sociedade precisa eleger prefeitos e vereadores que defendam aquilo que estruturalmente está sendo atacado como a diversidade, as mulheres e os negros.”

A “Rede em Defesa da Vida” é uma Frente de Proteção com intuito de levar informações sobre a crise sanitária ocasionada pela covid-19 e que tem por missão fortalecer a vida e o SUS. Faça parte e colabore com a ampliação da Rede compartilhando ou disponibilizando a transmissão do programa nas suas redes sociais para que a defesa da vida seja difundida para o maior número de pessoas. Caso precise de ajuda para reproduzir a live, entre em contato com a gente nas redes @padilhando ou pelo WhatsApp (11) 97581-4398.

Veja como foi o programa na íntegra:

Por um SUS de qualidade para todos e não um negócio para poucos



Por Alexandre Padilha para Revista Fórum 

Com certeza todos já estiveram em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), seja para passar em consulta ou para tomar vacina. Sabe aquela equipe de profissionais de saúde que acompanham as famílias e visitam a casa das pessoas? Elas fazem parte da equipe do programa Estratégia Saúde da Família, que foca no olhar integral e leva atendimento de saúde para mais perto das pessoas. Esse programa é constituído por uma equipe de médicos, enfermeiros e agentes comunitários de saúde.

Ainda de apoio a essa equipe, também compõe o atendimento nutricionistas, fisioterapeutas, psicólogos, farmacêuticos, dentistas. O Brasil conta com cerca de 44 mil UBS que são a porta de entrada para o nosso Sistema Único de Saúde (SUS), esse atendimento está inserido no que chamamos de Atenção Primária em Saúde, que tem os municípios como gestores.

Uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apontou que 60% da população brasileira é atendida por uma equipe do Estratégia Saúde da Família, mas infelizmente isso vem caindo no governo Bolsonaro. Segundo a pesquisa nacional de saúde do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) realizada em 2019, 38.4% dos domicílios revelaram ter recebido uma visita mensal de agentes comunitários de saúde ou de algum outro membro da Equipe de Saúde da Família no ano passado. Em 2013, esse número era de 47.2%

Estou explicando como funciona este que é o principal atendimento no SUS porque foi assustador o decreto que o governo Bolsonaro anunciou esta semana, que foi revogado horas depois pela repercussão negativa, que autoriza estudos para participação de empresas privadas no SUS, sem o consentimento dos municípios. Parece que o governo pensa que o atendimento prestado nesses serviços não é um direito ou forma de cuidar, mas sim uma oportunidade de negócios para a privatização da Atenção Primária. Quer vender algo que nem é de responsabilidade dele.

O decreto sugere a transferência para iniciativa privada para ampliação e construção de UBS. É estranho imaginar que o governo está pensando na expansão dos postos de saúde tendo em vista que autorizou a retirada de recursos para a Atenção Primária, desmontou o programa Mais Médicos que atendiam exatamente nessas unidades e criou uma agência privada para atenção primária.

Junto com outros deputados federais, apresentamos um Projeto de Decreto Legislativo para suspender este decreto, o que se somou as inúmeras manifestações contrarias a medida e que fizeram o governo recuar na proposta.

Nós, que defendemos um SUS gratuito e universal, que queremos vacinas para todos, precisamos também de uma Atenção Primária em Saúde para todos para que a vacina chegue às pessoas. E não que esses serviços sejam tratados como negócios financeiros que atendem poucos.

A saúde mental e a covid-19 foi o tema debatido pela Rede em Defesa da Vida desta segunda (26)



 

Os impactos da pandemia da covid-19 na saúde mental dos brasileiros foi o tema do programa Rede em Defesa da Vida desta segunda (26). O debate contou com a participação do deputado Jorge Solla (PT/BA), do presidente da Associação Brasileira de Saúde Mental (ABRASME) e vice-presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos, Leonardo Pinho, e da psicóloga docente na Unifesp, Lumena Furtado. O programa é mediado pelo ex-ministro da Saúde e deputado federal Alexandre Padilha.

Pesquisa da Organização Mundial no Saúde (OMS) mostrou que 86% da população brasileira possui algum transformo mental, como depressão ou ansiedade. Com essa marca, somos considerados o país mais ansioso do mundo. Ainda de acordo com a OMS, “um terço e metade de toda população que vivencia uma pandemia, pode vir desencadear sofrimento psíquico agudo ou outros transtornos”. No Brasil, os efeitos na saúde mental com a pandemia estão causando sofrimento também em detrimento dos desmontes incentivados pelo governo Bolsonaro que propôs uma Nova Política de Saúde Mental planejada sem a participação popular e que retoma aos conceitos do passado e ignora as conquistas da reforma psiquiátrica e da luta antimanicomial.

Para Padilha, a pandemia da covid-19 trouxe a inquietação, o medo e receio do que é o vírus, acentuou o luto das famílias das vítimas da doença que não puderam se despedir, o isolamento físico que causou solidão e angústia da perca de renda. “Essas características impactaram a todos, uns mais, outros menos. Para 2021, o SUS e os serviços de saúde mental terão os desafios dos atendimentos que foram represados e adiados em 2020 e isso só será possível com mais recursos para a saúde e a reversão dessas inciativas para saúde mental”.

Segundo Lumena Furtado, o agravamento das doenças de saúde mental neste momento possuem duas questões com relação ao isolamento social: as pessoas que gostariam de se isolar e não conseguem, seja pelo trabalho ou por falta de estímulos do poder público, em especial a população em situação de rua, e o aumento da violência, principalmente contra mulher e criança. Pesquisa que está sendo realizada pela Unifesp aponta o grande crescimento da sensação de sofrimento psicoemocional em territórios vulneráveis. A perda de renda e consequentemente do acesso a alimentação também tem sido mostrada como um dos maiores motivos para o sofrimento mental nesta pesquisa: 74% da população está comendo menos do que precisaria e 9,8% está passando fome.

“As Unidades Básicas de Saúde (UBS) tem sido referência para o acolhimento e cuidado dessa população, o SUS fazendo a diferença. É o único lugar de suporte para as pessoas que estão sofrendo muito com isso. As questões de saúde mental não são apenas as questões de insegurança, luto, mas também de violência, do sofrimento pela volta da fome e da falta de apoio dos governos”.

O presidente da Associação Brasileira de Saúde Mental (ABRASME) e vice-presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos, Leonardo Pinho, salientou a não priorização da saúde mental pelo governo Bolsonaro, onde a coordenação nacional de saúde mental do Ministério da Saúde não traçou estratégia ou  planos de contingência para atingir de forma mais geral a população, mas estimulou a hospitalização em comunidades terapêuticas e hospitais psiquiátricos.

“Não foi cumprida a função institucional prevista no SUS. O que foi decidido foi incentivo a internação de adolescentes em comunidades terapêuticas, anúncio de rede privada para saúde mental a partir de 2021, medidas que afrontam a Constituição, que não a cumprem, mas garantem abertura de mercado com dinheiro público para setores privados. Em vez de cuidado, foi aproveitado a oportunidade da pandemia para o desmonte de políticas públicas”.

O deputado Jorge Solla enfatizou a importância do Congresso Nacional nas propostas e aprovação de medidas emergenciais, como o auxílio emergencial.

“O governo Bolsonaro não queria nada, nunca mandou nenhum projeto para aprovação do auxílio emergencial, que é algo imprescindível para garantir comida na mesa das famílias, mas não é o suficiente. O impacto da covid-19 não é só nos contaminados pela doença, mas também nas pessoas que não estão sendo tratadas adequadamente, as pessoas em sofrimento de saúde mental não estão tendo oportunidades de terem o devido cuidado”.

Em defesa da luta antimanicomial

O debate também contou com o apoio dos participantes em defesa da liberdade de manifestação, da luta antimanicomial e do Padilha no processo ético profissional que o médico e deputado federal está sofrendo pelo Conselho Regional de Medicina do estado de São Paulo (Cremesp) por ter se manifestado, por vídeo publicado nas suas redes sociais, contrário as mudanças anunciadas pelo governo Bolsonaro na política de saúde mental.

Para saber mais, clique aqui.

Confira na íntegra como foi o programa: