Governo quer tirar proteção às gestantes e reduzir prazo para o salário-maternidade



Do Brasil de Fato, por Juca Guimarães

O artigo 201 da Constituição Federal, que organiza o sistema previdenciário brasileiro, garante a “proteção à maternidade, especialmente à gestante”. No entanto, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 06/19 do governo Jair Bolsonaro (PSL), que altera o modelo de Previdência Social, exclui do seu texto essa proteção especial às gestantes.

“A proposta do governo Bolsonaro de tirar da Constituição as garantias da mulher, especialmente as gestantes, é uma maldade sem tamanho. As mulheres já têm toda a dificuldade de se aposentar, elas têm salários menores e quando voltam da licença-maternidade grande parte delas são demitidas”, disse Jesus Souza, consultor previdenciário.

A previsão de cortes de direitos das mulheres também está na Medida Provisória (MP) 871, criada para, segundo o governo, combater irregularidades nos benefícios previdenciários. Na MP, o prazo para pedir o salário-maternidade foi reduzido de até 5 anos (60 meses) para seis meses após o nascimento da criança.

Em conjunto as duas medidas do governo reforçam as desigualdades de gênero no mercado de trabalho. Segundo levantamento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), 48% das mulheres perdem o emprego em até 12 meses após a volta da licença-maternidade.

O portal Trocando Fraldas fez uma pesquisa de opinião, entre os dias 13 e 17 de maio, com 10 mil internautas de todo o país. O resultado revelou que 85% das pessoas não sabiam da alteração que tira a proteção à gestante da Constituição. Por outro lado, 87% dos internautas são contra a retirada dos direitos.

INSS

As medidas podem prejudicar ainda mais a situação das mulheres, que já enfrentam dificuldades para conseguir seus direitos. De acordo com Amélia Naomi, vereadora pelo PT em São José dos Campos (SP), a espera pela concessão dos benefícios é muito grande nos postos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

“Os filhos chegam a completar cinco meses e as mães não conseguem receber nada do salário-maternidade. Isso faz parte de uma política de sucateamento”, disse a vereadora.

A denúncia foi feita durante a audiência pública sobre o impacto da reforma da Previdência para as mulheres, organizada pelo deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), da subcomissão da Câmara que avalia a reforma da Previdência. A audiência aconteceu na última segunda-feira (27), em São Paulo.

Brasil de Fato entrou em contato com a secretaria de Previdência Social questionando as medidas do governo, porém o órgão, que é subordinado ao ministério da Fazenda, não respondeu até a publicação da matéria.

No dia 31 de maio, a partir das 16h30, acontece uma aula-pública para explicar os riscos da reforma da Previdência para os trabalhadores. A aula será na praça da República, região central da capital paulista. O prazo para votação da MP 871 termina do dia 3 de junho.

Direitos em jogo

Um dos aspectos mais polêmicos da reforma trabalhista aprovada durante o governo Michel Temer (MDB), com o apoio de Bolsonaro, diz respeito às condições de trabalho de gestantes e lactantes. O Supremo Tribunal Federal (STF) julgou nesta quarta-feira (29) a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5938, de autoria da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM), e proibiu as empresas de submeterem-nas a atividades insalubres.

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Padilha debate em Campinas o impacto da destruição da Previdência na vida das mulheres



Foi a vez da cidade de Campinas debater “O impacto da Reforma da Previdência para as Mulheres” em audiência pública. A atividade aconteceu na Câmara Municipal nesta quinta-feira (23) e contou com a participação do deputado Alexandre Padilha, o vereador Pedro Tourinho e a deputada estadual Professora Bebel.

Também participaram da discussão a Presidenta do PSOL de Campinas, Marcela Moreira, a economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), Rosângela Vieira, o Coordenador da CUT Subsede Campinas, Carlos Fábio Índio, e a Coordenadora do Sindicato dos Trabalhadores Domésticos, Eliete Ferreira.

A atividade foi proposta pelos membros da Subcomissão Especial da Seguridade da Mulher, da Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados, da qual Padilha é membro titular, para que o debate seja levado aos estados a fim de subsidiar relatórios que serão apresentados a Comissão. Os mandatos dos vereadores e deputados parceiros estão colaborando na organização das audiências nas cidades do estado de São Paulo.

Após a conclusão deste processo, projetos de lei e outras medidas poderão ser apresentados no Congresso Nacional em defesa da aposentadoria digna para as mulheres.

Padilha abriu audiência explicando o trabalho da Subcomissão Especial da Seguridade da Mulher, da Comissão de Seguridade Social e Família, e de como debate iria contribuir para o relatório que seria entregue a Comissão.

“Essas audiências foram aprovadas por requerimento. As contribuições serão muito importantes para reflexão dos deputados e deputadas na discussão da Previdência em Brasília”.

Ainda segundo ele, a necessidade de levar esse debate para os estados é fundamental para que todos tenham conhecimento da crueldade dessa proposta para as mulheres, quando é sabido que elas ganham 75% a menos que os homens.

“Se essa proposta é cruel com os trabalhadores, com os mais pobres, ela é profundamente mais com as mulheres. Ela propõe obrigar todas as mulheres a se aposentar após os 62 anos, aumentar o tempo obrigatório de contribuição das professoras e trabalhadoras rurais e as viúvas terão que escolher entre a pensão ou aposentadoria”.

A deputada Professora Bebel enfatizou que o governo quer descontruir a Previdência, retirando todo o conceito da seguridade social estabelecido pela Constituição, onde com o regime de capitalização as mulheres serão as mais prejudicadas.

“Querem que nós, que muitas vezes somos a única fonte de renda da família e que temos mais de uma jornada de trabalho por dia, poupemos com a capitalização. É um absurdo aumentar o tempo obrigatório de contribuição das professoras. Nós trabalhamos mais horas por dias que os homens, não podemos ser comparadas a eles”.

O vereador Pedro Tourinho ressaltou a importância de trazer o debate da Câmara Federal para a cidade e o quanto a Reforma da Previdência é maldosa com as mulheres e totalmente injusta com os trabalhadores e trabalhadoras.

“O Atlas da Previdência divulgado recentemente mostrou que das 6 milhões trabalhadoras domésticas, cerca de 4 milhões não tem carteira assinada no Brasil, mesmo após termos conquista do básico com a Pec das domésticas. A Previdência precisa estar sempre atualizada, mas temos clareza que não é atacando os mais precisam”.

Campinas é a segunda cidade que debateu o assunto, a primeira foi Santo André, e a audiência foi coordenada pelo mandato do vereador Pedro Tourinho. As próximas acontecerão na Capital paulista, Ribeirão Preto e Santos.

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“Fala, Padilha!”: notícias do mandato e de Brasília agora em programa semanal no Youtube



 

 

O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) agora também tem programa em seu canal no Youtube, o “Fala, Padilha!”. Produzido especialmente para a plataforma, o programa conta com conteúdos exclusivos toda semana, onde Padilha abordará as principais notícias políticas do Brasil e do mundo, sua atuação no Congresso Nacional e também responderá as perguntas dos inscritos no canal.

Em sua primeira edição que irá ao ar nesta terça-feira (12), às 20h, Padilha vai apresentar o formato do programa e abordar com mais detalhes o projeto de lei “Escola Livre” que protocolou na semana passada na Câmara dos Deputados, que vai contramão do novo projeto “Escola Sem Partido”, também apresentado.

Idealizado com a intenção de fortalecer a participação em todas as redes sociais, o programa também contará com convidados, será um espaço de atuação de seu mandato e de resistência.

 

Para se inscrever, é simples. É só acessar o canal pelo link https://goo.gl/KFsqeP, clicar no sininho pra ativar as notificações e ficar por dentro de todos os programas.

 

 

 

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Parlamentares anunciam consolidação de bloco de oposição ao governo com PT, PSB, PSOL e REDE



O líder da Bancada do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), anunciou em entrevista coletiva no início da noite desta quinta-feira (31), a consolidação de um bloco de esquerda na Câmara dos Deputados, formado pelo PT, PSOL, PSB e REDE. Ao todo, são 98 parlamentares que vão se opor às políticas de retrocessos do governo Jair Bolsonaro. Ainda nesta noite (31), a Bancada do PT discute o nome que deverá apoiar à presidência da Câmara. O apoio ao candidato Rodrigo Maia (DEM-BA) está descartado pelas siglas que compõem o bloco.

Segundo Pimenta, a formação do bloco tem por base um “compromisso programático, de independência do Poder Legislativo, de distância do governo Bolsonaro, de defesa da democracia, da soberania, e em defesa dos trabalhadores e trabalhadoras”. O líder petista informa que os diálogos estão abertos com o PCdoB e o PDT. “Queremos ainda hoje [31] poder anunciar um bloco ainda mais amplo. Vamos aguardar as definições do PCdoB, do PDT, e esperamos até o final da noite, quem sabe, anunciar ao País um bloco ainda mais representativo, que mostre a força da oposição dentro da Casa”. Conforme Paulo Pimenta, o grupo que reúne as quatro siglas terá uma representação importante, tanto na composição da mesa diretora, bem como nas comissões da Casa.

Candidatura

Pimenta explicou que dentro do bloco não haverá uma indicação de candidato à presidência da Câmara. Como são diversos partidos, eles têm autonomia na definição de suas candidaturas. “O PT vai reunir a bancada para discutir a sua estratégia. Ainda hoje poderemos oficializar uma posição do PT para a presidência da Casa”, adiantou o líder.

O deputado federal eleito Marcelo Freixo (PSOL-RJ) disse que o bloco ainda está em formação, mas que já considera um avanço reunir quatro partidos. “É uma vitória da esquerda que tem pontos em comum entre os partidos. São partidos comprometidos com a democracia, de oposição ao governo Bolsonaro, e com possibilidade de um diálogo intenso com a sociedade, com independência total desta Casa em relação ao governo”. Freixo também reiterou que as conversas com o PCdoB e PDT estão em andamento, e que as duas siglas são “bem-vindas ao bloco”.

Freixo destacou ainda que o bloco é mais importante do que o nome colocado para disputar a presidência da Casa. “O bloco é a consolidação política de um campo importante neste momento que vive o País”, finalizou Freixo.

Carlos Leite para PT na Câmara

 

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Blog O Calçadão: Entrevista exclusiva com o deputado federal eleito Alexandre Padilha



Do Blog O Calçadão

Entrevista exclusiva com o deputado federal eleito Alexandre Padilha!

Leia a entrevista exclusiva que o Ex-Ministro da Saúde e atual deputado federal eleito pelo Estado de São Paulo Alexandre Padilha concedeu ao Blog O Calçadão.

1. Qual sua análise e suas perspectivas após o processo eleitoral com a vitória do candidato da extrema-direita prometendo uma pauta de retrocessos nos direitos sociais aliada a uma pauta ultra-neoliberal?
A atitude irresponsável e truculenta do Presidente eleito na condução da questão do Programa Mais Médicos, antes mesmo de assumir, deixando milhões de brasileiros sem médicos em suas unidades de saúde, sem construir um plano de transição, sem discutir com parceiros internacionais da estatura da Organização Pan Americana de Saúde, mostra que o futuro governo não terá nenhum compromisso com relação aos direitos sociais, com a população mais pobre, com as políticas públicas no país.
Eu diria que o Presidente eleito combina dois grandes movimentos, um é uma tentativa quase impulsiva de cortar investimentos públicos, investimentos sociais e acabar com a ideia de direitos, como se eles não tivessem tempo a perder. Eu chamo esse movimento de neoliberalismo regressivo com um outro movimento de obscurantismo ostentação. Ele e seus seguidores têm orgulho de mostrar que são obscurantistas. Acho que nós devemos esperar um período de muita luta política e mostrar que a luta política pode conseguir vitórias. O obscurantismo ostentação combinado com o neoliberalismo regressivo (pode ser derrotado). Assim como foi feito na luta contra a censura nas escolas agora nessa legislatura, a nossa luta e a nossa mobilização podem impedir a regressão neoliberal desse governo e a regressão dos direitos sociais e individuais pelo obscurantismo ostentação.

2. Como fica a situação da centro-esquerda e do projeto de desenvolvimento nacional com inclusão social diante do quadro que se desenha a partir de 2019? É possível a construção de uma frente política e social de oposição ao novo governo?
O resultado das eleições, embora o PT e a centro esquerda tenham sofrido uma derrota política e estratégica, no sentido de que esta derrota começou primeiro com um golpe jurídico-parlamentar, midiático, que retirou a Presidenta Dilma e, depois, com a prisão ilegal, questionada até pela ONU, do Presidente Lula, por fim, com todas as artimanhas de caixa dois pelo whatsapp, de fuga de debate, de manipulação das fake news durante as eleições, o PT e os setores de centro esquerda foram derrotados de pé, por dois motivos: o PT saiu das eleições com a maior bancada da Câmara dos Deputados, maior número de governadores eleitos e com uma liderança política, de muita força de ação no presente com potencial de futuro que é Fernando Haddad. Uma força nacional com mais de 47 milhões de votos e com a recepção internacional que está tendo, articulando uma frente internacional progressista, agora no Parlasul. Haddad unifica duas questões fundamentais: de um lado o legado do Presidente Lula, com ampliação do ensino superior, triplicando as matrículas e com forte ampliação da população negra no ensino superior, saindo de 3% de jovens negros na universidade em 2003 para 18% em 2016. Então Haddad associa o legado do Presidente Lula com a projeção de futuro de uma liderança inovadora, como nas experiências das quais eu participei na gestão da Prefeitura de São Paulo, com a postura que teve no debate nacional dessas últimas eleições. Foi Haddad que apresentou um programa de governo, que se apresentou como professor para debater, discutir e enfrentar um candidato que só exaltava o uso das armas. E acho que Haddad terá um papel decisivo e é sem dúvida alguma, no PT, a principal liderança nacional que tem condições de contribuir,  de articular e construir uma frente ampla democrática de defesa dos direitos, que não permita que se acabe com a previdência pública, que busque alternativas para os milhões de brasileiros que perderam o acesso ao Mais Médicos, que discuta saídas para a crise econômica e política do nosso país. E um outro tema fundamental é a campanha por Lula livre, que é uma campanha decisiva porque ela dá força (para a resistência) e para o acolhimento a todas as pessoas que estão sendo vítimas de um Estado autoritário que se impõe no Brasil a partir da eleição do Presidente eleito Bolsonaro.
3. O Partido dos Trabalhadores (PT) governou o Brasil entre 2002 e 2016. Na sua opinião, qual o principal legado desse período e quais os caminhos a serem seguidos pelo partido diante do cenário de ataques, perseguições e críticas sofridas nos últimos anos, com reflexos nas eleições de 2016 e 2018?
Os governos liderados pelo PT, pelo Presidente Lula e pela Presidenta Dilma, significaram o único período na história do Brasil onde se combinou crescimento econômico, geração de emprego, redução das desigualdades e reposicionamento ativo do país na geopolítica mundial. 
O PT precisa reconhecer que esse seu principal legado do crescimento econômico, da redução das desigualdades e de um reposicionamento do país diante do mundo alterou profundamente a estrutura da sociedade brasileira e isso combinou com essa onda de violência, uma onda da exaltação ao ódio, a onda da tentativa de se aniquilar os adversários políticos através da violência jurídica, da violência física. E o PT precisa saber que nós temos dois grandes desafios: primeiro o de ser um partido ativo nessa grande frente democrática e rede democrática de acolhimento às pessoas, aos movimentos, aos coletivos que estão sendo vítimas de violência. Aonde tiver um LGBT ameaçado de violência, aonde tiver um índio tendo sua terra invadida, aonde tiver um sem terra sendo ameaçado de violência, aonde tiver meios de comunicação sendo atacado e desqualificado pelas lideranças do bolsonarismo, aonde tiver um liderança da luta por moradia sofrendo com reintegrações de posse injustas, aonde tiver qualquer indivíduo sendo injustamente condenado por práticas jurídicas de exceção, tem que estar o PT acolhendo essas pessoas, dando guarida, dando abrigo, dando força para a luta para enfrentarmos juntos esse estado de arbítrio. Um segundo desafio é dar vazão e força política aos atores políticos do nosso povo que surgiram a partir dessas lutas, novas lideranças, novos movimentos. E a reconexão com essas lideranças e esses movimentos é o grande desafio do PT, de forma muito humilde, procurando se reconectar com o povo brasileiro, principalmente com aqueles que mais sofrem.
4. Quais são suas perspectivas para o Estado de São Paulo diante do alinhamento do governador eleito João Dória com a política neoliberal e de repressão social proposta pelo futuro governo federal?
O Dória vai querer ser a versão ‘chique’, a versão ‘caviar’ do bolsonarismo. A composição do seu secretariado, as suas atitudes, os seus discursos, o legado negativo deixado na Prefeitura de São Paulo só deixa claro que o Dória também surfa no bolsonarismo, na exaltação ao ódio e que quer ser a versão ‘caviar’ do bolsonarismo.
5. Como ex-Ministro da Saúde e responsável pela criação do Mais Médicos em 2013, qual a sua avaliação sobre a crise no programa após a vitória eleitoral do candidato Jair Bolsonaro?
O Presidente eleito foi contra o Mais Médicos como deputado federal, chamou os médicos cubanos de “açougueiros”, espalhou que os médicos cubanos eram “guerrilheiros”, apresentou projeto de lei, na época, contra que os familiares dos médicos cubanos viessem para o Brasil, ou seja, as atitudes absolutamente irresponsáveis do Presidente eleito provocou a falta de atendimento para milhões de brasileiros. O chamado “edital” de médicos brasileiros, que foi comemorado pelo bolsonarismo, se revelou um edital que fracassa na tentativa de preencher o número de vagas deixados nas unidades básicas de saúde e certamente vai fracassar com relação à qualidade porque nós perdemos mais de 8 mil médicos especialistas em medicina da família e comunidades, que eram os médicos cubanos, e infelizmente não temos esse mesmo volume de especialistas no Brasil. O Brasil tem excelentes médicos brasileiros de medicina da família e comunidades, excelentes médicos de atendimento à saúde básica, mas infelizmente juntando todos os especialistas brasileiros não chega aos 8 mil médicos cubanos que atendiam nas áreas mais vulneráveis, áreas indígenas, periferias das grandes cidades, nas áreas mais remotas do interior do nosso país.
6. O senhor foi eleito deputado federal por São Paulo pelo PT nas eleições desse ano com 87576 votos. Desses, 9338 foram obtidos na macro região de Ribeirão Preto. A que o senhor credita essa boa votação na região e quais são seus projetos para a região e para o interior do Estado?
Quero antes de mais nada agradecer profundamente a grande votação que obtivemos na região de Ribeirão Preto e na cidade de Ribeirão Preto. Essa votação me deixou muito feliz, porque eu sei a importância dessa região para o desenvolvimento do nosso Estado de São Paulo, sei da  importância dessa região como um parque fundamental de inovação tecnológica no nosso Estado de São Paulo, sei da importância dessa região para darmos conta de enfrentarmos a desigualdade que ainda existe no nosso Estado de São Paulo e gostaria muito de construir um mandato, com forte participação, representação e presença da região de Ribeirão Preto. Queria agradecer muito a algumas lideranças que foram fundamentais: o companheiro Edinho Silva, Prefeito de Araraquara, a deputada estadual Márcia Lia, ao companheiro José Ivo de São Joaquim da Barra, aos companheiros do SindSaúde e da Apeoesp, na cidade de Ribeirão Preto, agradecer a vários ex-secretários municipais de saúde e trabalhadores da saúde que reconheceram o nosso legado construído ao longo do nosso trabalho no Ministério da Saúde. Agradecer à militância do PT, à juventude, aos militantes da saúde e da educação sem os quais eu não teria tido a grande votação que tive na região de Ribeirão Preto.
8. Quais as primeiras ações do deputado federal Alexandre Padilha a partir de 1 de fevereiro de 2019? Como o senhor enxerga a atuação da bancada do PT no Congresso na oposição ao governo Bolsonaro?
Eu tenho conjugado o verbo re-existir. Acho que o grande desafio de todos aqueles que lutam pela democracia, daqueles que lutaram todos esses anos para reduzir a pobreza no nosso país, para garantir mais oportunidades para todo o povo brasileiro, todos os que lutaram para que o Brasil passasse a ser respeitado no mundo com uma postura mais ativa na sua geopolítica, todos aqueles que lutaram para que o Brasil pudesse ter uma agenda ambiental respeitada no mundo inteiro, que potencialize os nossos recursos naturais, como, por exemplo, o Aquífero Guarani, que pega fortemente a região de Ribeirão Preto, ou o potencial da Amazônia, da biodiversidade da Mata Atlântica, todos aqueles que lutaram para que o Brasil pudesse ter instrumentos de desenvolvimento regional sobre setores estratégicos, de vocações econômicas que o país tem, como, por exemplo, a produção da agricultura familiar, mesmo a produção agrícola de alta intensidade, como o papel que o etanol ocupa enquanto biocombustível, todos esses atores têm a necessidade de re-existir, ou seja, de um lado resistir aos ataques do neoliberalismo regressivo e do obscurantismo ostentação e, ao mesmo tempo, reconstruir novas formas de atuação, novas articulações. Acho que, mais do que possível, é absolutamente necessário uma frente democrática o mais ampla possível e que se paute, em primeiro lugar, pela democracia, pelos direitos individuais, pela liberdade de imprensa, tudo isso que está sob ataque hoje no Brasil, através dos discursos do Presidente eleito, e também pelo discurso de algumas lideranças internacionais com características similares. 
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Mandato do deputado eleito Alexandre Padilha realiza primeira plenária



Nesta sábado (8) o mandato do deputado eleito Alexandre Padilha realizou sua primeira plenária, na Casa do Professor da APEOESP, para apresentação do balanço eleitoral e as diretrizes de mantado. Além da agenda de oposição ao governo Bolsonaro.

Com a presença de mais de 200 pessoas, apoiadores de diversas cidades do estado de São Paulo, entre elas Ribeirão Preto, Campinas, Baixada Santista, Vale do Ribeira, Araraquara, ABCD, e de importantes lideranças dessas regiões, a atividade também contou com a exibição do documentário “Agentes da Vida”, que retrata o programa Mais Médicos.

O prefeito de Araraquara, Edinho Silva, reforçou a importância de Padilha no Congresso Nacional. “Um mandato de um deputado como Padilha, que quando Ministro da Saúde criou o Mais Médicos, programa grandioso que beneficiou 63 milhões de brasileiros, me traz a clareza do papel que ele irá cumprir na organização do campo político no Congresso. Também para construção da estratégia da defesa da nossa concepção de mundo, progressista, democrático e popular.”

João Bosco, secretário geral da UNAS de Heliópolis, expressou a preocupação com a população preta, pobre e perseguida da periferia com os rumos da política no governo Bolsonaro.

“Tivemos momentos difíceis ao longo da nossa trajetória, mas 2018 foi de longe o mais difícil. Precisamos muito do mandato do companheiro Padilha, para resistência em Heliópolis e em toda periferia do nosso estado”

Paula Faria, professora e vice-presidente do PT de Jaboticabal, falou da campanha do Padilha na cidade e região. “Estamos em uma região conservadora e a campanha do Padilha foi de contato com as bases. Nosso trabalho não é somente na campanha, somos um instrumento. O próximo período será de resistência e não poderemos ficar na defensiva, com um mandato coletivo, atuante e acolhedor. “

Ricardo do SindSaude de Ribeirão Preto expressou a importância desta primeira plenária para a construção coletiva do mandato. “As consciências que são determinadas pelas condições materiais tem feito nosso povo sofrer e colocado o brasileiro bem aquém daquilo que acreditamos. A candidatura do Padilha foi singular, mesmo com os ataques que sofremos. Precisamos de um mandato com proposta de país.”

Após todas as falas, Padilha encerrou a atividade agradecendo a dedicação de todos pela vitória de sua campanha a deputado federal.

“Quero agradecer e dedicar essa vitória que tivemos a cada um de vocês. Também dedico essa vitória a quatro companheiros que não estão mais entre nós, mas sem eles não teríamos chegado até aqui: Querida Dona Marisa Leticia, Jorjão do M’boi Mirim, Zé Luís da Lapa/Brasilândia e Biro, da Baixada Santista. E também a coragem e ousadia do Haddad que tanto nos representou nesta campanha nacional e do nosso Presidente Lula.”

Padilha reforçou a campanha Lula Livre e se comprometeu a criar uma rede de apoio de seu mandato em defesa dos direitos humanos. “Onde tiver alguém violentado pelos direitos humanos será acolhido no mandato.”

Concluiu com foco em iniciativas presentes nas regiões, o papel primordial do mandato na oposição do governo Bolsonaro, contra a censura de estudantes e professores e na defesa do programa Mais Médicos para o Brasil.

“Quero um mandato participativo, que resiste e onde todos serão acolhidos, sugerindo propostas e demandas. Vamos ouvir mulheres, jovens, LGBT, povo preto da periferia, professores, trabalhadores da saúde e educação, artistas, movimentos de cultura e da luta por moradia e da reforma urbana”.

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