Salário e jornada dignos para Enfermagem e Psicologia



Dois importantes Projetos de Lei que defendem os direitos dos trabalhadores da área da saúde tramitam no Congresso Federal: o PL 1.214/19 que regulamenta a profissão de psicólogo e limita a jornada de trabalho em até 30 horas semanas; e o PL 2.564/20 que cria um piso salarial aos enfermeiros, técnicos, auxiliares de enfermagem e parteiras.

O primeiro, que sou relator, está em pauta na Câmara dos Deputados, em discussões na Comissão de Seguridade Social e Família, é um pedido – e reivindicação –  de mais de 10 anos das entidades que representam a categoria e que significa a necessidade da garantia de melhores condições a esses profissionais, que lidam rotineiramente, na maioria das vezes, com temas densos e que necessitam de cuidados para que consigam levar mais conforto aos seus pacientes.

E esses pedidos se fazem ainda mais necessários na pandemia que ainda enfrentamos, onde uma lupa foi colocada nos problemas emocionais que já combatemos, sobrecarregando ainda mais os psicólogos, profissionais extremamente importantes no equilíbrio da nossa saúde mental neste momento.

O outro PL, que sou um dos autores, foi aprovado no Senado nesta semana e é fruto da articulação dos movimentos e da sociedade. Ele regulamenta a profissão da enfermagem, determina a remuneração mínima inicial de R$ 4.750 tanto em equipamentos públicos e privados e estabelece jornada semanal de 30 horas de trabalho. Para as demais categorias, sugere 70% do piso nacional dos enfermeiros para os técnicos de enfermagem e 50% para auxiliares e parteiras.

Aprovar esses PLs no Congresso Nacional e lutar para que eles se tornem leis é dar a esses profissionais o mínimo de reconhecimento que eles verdadeiramente merecem e que ficou muito mais evidente na pandemia da Covid-19, onde muitos deles encontram-se na linha de frente do enfrentamento, seja no atendimento a pacientes com sintomas físicos, seja em pacientes com sintomas emocionais e psicológicos ocasionados pela reclusão e tantas perdas.

Vale lembrar que aprovamos a Lei Nº 14.128/21, de minha autoria, que garante indenização aos familiares dos trabalhadores da saúde em caso de morte no enfrentamento à pandemia.

Somos o país em que o negacionismo do governo federal no combate à Covid-19 mais vitimou fatalmente profissionais de saúde. Valorizar e reconhecer seus esforços frente a tantas dificuldades e omissões é a melhor gratidão que podemos ter. Lutar por mais direitos, é nosso dever.

Cara a cara com Bolsonaro, durante entrega da Medalha do Mérito Legislativo, deputada Marília Arraes critica atitudes antidemocráticas do presidente; Padilha foi condecorado



Fotos: Gustavo Bezerra

Responsável pela organização do evento, como titular da Segunda Secretaria da Casa, a pernambucana destacou as ameaças desferidas pelo Executivo aos direitos do povo e a soberania nacional.

Ao comandar a cerimônia de entrega da Medalha do Mérito Legislativo, na Câmara dos Deputados, nesta manhã, com a presença do presidente Jair Bolsonaro – que foi um dos indicados para receber a comenda – a deputada Marília Arraes (PT-PE), titular da Segunda Secretaria da Casa fez duras críticas ao presidente e seu governo.

Em seu discurso, a parlamentar destacou as ameaças desferidas pelo Executivo à democracia e aos direitos do povo brasileiro, num recado claro ao presidente. “O Poder Executivo, eleito de maneira majoritária, também deveria se comportar como representante do povo. Mas, muitas vezes, este pretenso povo age antidemocraticamente, quando animado por espírito sectário, taxando como inimigos e excluindo os divergentes da entidade unitária e mítica da qual julgam fazer parte aqueles que não se encontram dentro de seu cercadinho mental”, disparou.

A deputada fez questão de ressaltar o relatório “The Global State Of Democracy 2021”, publicado há dois dias, que aponta o Brasil como o país que mais perdeu atributos democráticos em 2020. “Nem sempre quem se intitula representante do povo e de sua vontade age em nome dele e como se espera em uma Democracia. Dentre os países classificados como Democracias em declínio, o Brasil se destaca em mais um ranking que não gostaríamos de pontuar: foi o que mais perdeu atributos democráticos em 2020. O Presidente da República é apontado como ameaça ao descumprir decisões do STF, apagamento de vozes críticas, divulgação de Fake News e má gestão da pandemia”, destacou a parlamentar.

Parlamentares, entre eles o líder Bohn Gass, protestam em plenário contra o presidente Bolsonaro.

Significado profundo

A sessão solene aconteceu na manhã desta quarta-feira (24), no Plenário Ulysses Guimarães, e foi coordenada pela Segunda Secretaria da Casa. “Esta é a mais alta comenda outorgada pela Câmara dos Deputados e se reveste de um profundo significado. Expresso aos agraciados minha admiração pelas realizações em prol do povo brasileiro, parabenizando-os pela trajetória cujo reconhecimento ora traduz o compromisso com o credo democrático e também com princípios fundamentais de liberdade, igualdade e pluralismo.”

O ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT-SP) destacou que dedica a medalha às trabalhadoras e trabalhadores do Sistema Único de Saúde, Sistema Único de Assistência Social que sempre tiveram na linha de frente neste momento trágico que o Brasil enfrenta, seja no impacto da pandemia da Covid-19, seja no impacto indireto da pandemia como a fome e a perda de renda. “Em nome desses trabalhadores é que fiz questão de aceitar, de estar presente na Cerimônia porém, também por conta desses trabalhadores, não podia deixar de me posicionar diante de um genocida como Bolsonaro, que infelizmente foi indicado por líderes de seu partido à essa medalha. Como eu não tinha direito a fala, recorri aos cartazes para me expressar diante das mais de 613 mil vidas perdidas e por vacina sim e viva o SUS”, disse o deputado, que também é médico.

Além de Bolsonaro, que foi indicado pelo líder do PSL na Câmara dos Deputados, Major Vitor Hugo, estiveram entre os homenageados o Papa Francisco, o ministro de Relações Exteriores, Carlos França, o fotógrafo Sebastião Salgado, o ex-ministro da Justiça, Fernando Lyra e o ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT-SP), sendo os dois últimos indicações da deputada Marília Arraes.

Veja o discurso na íntegra:

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*Com informações do PT na Câmara

Padilha quer garantir apuração de irregularidades e direitos de usuários da Prevent Senior



Divulgação

O deputado Padilha quer aprofundar a apuração dos procedimentos adotados pela Prevent Senior e seus impactos sobre a vida e a saúde das pessoas tratadas em sua rede hospitalar, especialmente no âmbito da pandemia de covid-19.

Médico e ex-ministro da Saúde, Padilha é integrante da Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara, onde aprovou requerimento para que a Comissão faça diligências na sede da operadora e se encontre com representantes da Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo e da Assembleia Legislativa paulista.

Com isso, pretende articular a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Legislativo paulista e outras ações para averiguar em profundidade as medidas tomadas em relação às denúncias da Prevent Senior no tratamento de beneficiários internados com covid-19.

Padilha elenca uma série de reportagens que denunciam os procedimentos adotados pela operadora no tratamento de pessoas infectadas com o novo coronavírus, grande parte delas idosas. São relatos de ex-funcionários, médicos, pacientes e funcionários.

Sem punição para Prevent Senior

“As matérias chocam e nos aturdem. São centenas de vidas humanas que foram usadas como cobaias em experimentos aos quais se negou qualquer acesso aos seus propósitos, desrespeitando protocolos éticos, profissionais e retirando dos pacientes e seus familiares informações ou mesmo fornecendo informações falsas”, argumenta.

À RBA, o parlamentar disse que o Termo de Ajustamento de Conduta assinado recentemente entre a Prevent Senior e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) parece insuficiente quanto à punição dos responsáveis.

“A gente quer aprofundar primeiro a apuração dos escândalos. Queremos tirar a limpo o que aconteceu envolvendo vidas humanas. Segundo, acompanhar os resultados da direção técnica da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). Terceiro, estimular o Executivo estadual, municipal e o Ministério Público de São Paulo a prosseguir com a apuração. E quarto, checar quais as medidas que a ANS está tomando para compensar os usuários.”

Em abril do ano passado, Padilha denunciou ao Ministério da Saúde e diversos órgãos a realização de testes envolvendo medicamentos sem comprovação científica no tratamento da covid-19. E também da distribuição de um coquetel de medicamentos conhecidos como kit covid-19, que incluíram cloroquina e ivermectina, entre outras.

Vigilância em saúde

Reprodução
O deputado federal e ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha

“Como parlamentares, temos a competência constitucional de fazer requerimentos de informações aos ministros, aos ministérios, e órgãos como o Conselho Nacional de Saúde (CNS), Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Isso para que o Ministério (Público) tenha um conjunto de instrumentos para apurar e agir contra aquelas denúncias representadas e pudesse interromper os mal feitos, absurdos da ética médica que tinham sido denunciados”, relatou.

A Conep, segundo ele, respondeu tudo de forma correta, determinou a suspensão do estudo em questão. Já o Ministério da Saúde continuou com sua postura de tentar construir uma recomendação favorável aos medicamentos para covid-19 e as suas respostas foram evasivas. E a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) disse que já tinha feito uma visita nos hospitais da Prevent Senior para apurar o que era mesmo de sua competência, em relação a lotação dos hospitais e a não notificação para vigilância em saúde.

“Tudo isso de maneira insuficiente. Por isso a importância da criação da CPI (da Covid) do Senado, que passou a ter alguns instrumentos que o Congresso não tem”, lembrou o petista. É o caso de convocar os responsáveis diante de uma resposta evasiva, de convocar ministros, solicitar documentos. A CPI deu luz a esse escândalo e revelou atitudes absurdas, como fraudes em atestado de óbito, liberação precoce de pacientes que estavam em situação de isolamento, colocando outros pacientes e profissionais de saúde em risco. E também mecanismos para coagir profissionais a seguirem as indicações da direção do hospital.

Com tudo isso, o Ministério da Saúde pode tomar outras decisões, disse. “A principal delas, tomada recentemente pela ANS, foi a instalação, no plano de saúde, do que chamamos de diretoria técnica, com autonomia para verificar todos os procedimentos da operadora, apurar devidamente os procedimentos, corrigir no ato e avaliar a extensão dessas práticas no tratamento da covid. Tudo para garantir que os usuários dessa operadora não sejam prejudicados diante da revelação de escândalos tão graves.”

Padilha aprova relatório que obriga exames laboratoriais de idosos em casa



Foto: Najara Araújo/Câmara dos Deputados

O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) aprovou relatório na Comissão de Seguridade Social e Família, do PL 4.865/20, de autoria do deputado Alexandre Frota (PSDB-SP), que estabelece obrigatoriedade de exames laboratoriais no domicílio do paciente.

De acordo com Padilha, “trata-se de um importante passo para o cuidado e a Saúde dos idosos”. O próprio deputado fez o anúncio no Twitter nesta quinta-feira (4).

“Aprovei um importante relatório, na Comissão de Seguridade Social e Família, do PL 4.865/20, de autoria do deputado @77_frota, que estabelece obrigatoriedade de exames laboratoriais no domicílio do paciente. Trata-se de um importante passo para o cuidado e a Saúde dos idosos.”

Na justificativa da proposição, Frota afirma que o “transporte público nas cidades brasileiras não está integralmente adaptado para transportar os idosos, as pessoas com necessidades especiais e as crianças que são oriundas de famílias de baixa renda”. O deputado argumenta ainda que “o presente projeto de lei, tem o condão de minimizar os sofrimentos das pessoas elencadas, visto que exames laboratoriais são realizados em pessoas que possuam, no mínimo, uma suspeita de estar acometida de determinada doença”.

Na condição de relator do Projeto de Lei, Padilha aprovou o documento.

 

Veja a íntegra do PL clicando aqui

 

*Com informações da Revista Fórum

PL do Padilha que regulamenta a atividade do profissional sanitarista é aprovado na Comissão de Seguridade Social da Câmara dos Deputados



Objeto de discussão e mobilização do Fórum de Graduação e de entidades parceiras, o PL do Sanitarista (PL 1821/21) foi aprovado na Comissão de Seguridade Social e Família (CSSF) da Câmara dos Deputados no último dia 6 de outubro.

O texto é um proposição do Deputado Alexandre Padilha e teve como relatores os deputados Jorge Sola e Odorico Monteiro. O projeto de lei busca assegurar a exigência legal de formação graduada ou pós-graduada em saúde coletiva para o exercício da profissão de sanitarista.

A pauta foi apresentada na ordem do dia pelo presidente da Comissão, deputado Luiz Antônio Teixeira Jr. Na leitura do relatório, feito pela deputado Jorge Sola, foi destacado que a mesma pauta já teve outras duas proposições no Congresso Nacional, sem contudo terem alcançado êxito. Para resolver questões anteriores, um amplo processo de debate público da proposta, que contou com uma audiência pública e debates públicos em universidades, grande participação da Abasc, Abrasco e demais entidades foi encampado, levando a redação de um substitutivo em diálogo com o autor do PL.

O deputado Alexandre Padilha destacou que a aprovação da proposta final é uma medida que em muito poderá beneficiar a assistência em saúde prestada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “Aprovarmos esse projeto de lei é um ato muito importante de reconhecimento do papel do sanitarista em nosso país. […] Estamos com um relatório e substitutivo que não traz nenhum fechamento de mercado, não desrespeita o conjunto da diversidade dessa atuação e acolhe as preocupações trazidas pelos bacharéis em saúde coletiva e as pessoas que se especializaram e realizaram pós-graduação em saúde coletiva. Peço aos nobres deputados e deputadas que possamos aprovar esse relatório como passo na defesa de nossos sanitaristas e no futuro do Sistema Único de Saúde em nosso país”, disse Padilha. Após o debate entre os parlamentares, a proposição foi aprovada.

Os próximos passos são a discussão nas comissões de Trabalho, de Administração e Serviço Público e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Caso aprovado nas três comissões, o projeto fica dispensado a apreciação do Plenário, seguindo para despacho da presidência da Câmara para publicação no Diário Oficial da União.

 

*Com informações do portal da Abrasco

Saúde: inovar é preciso, produzir também



Foto: Aluísio Moreira SEI

*Por Alexandre Padilha e Jandira Feghali para o Le Monde Diplomatique Brasil

A pandemia da Covid-19 escancarou a realidade de alguns países – incluindo o Brasil – de como é crítico e preocupante depender de outras nações para a produção de medicamentos, vacinas e equipamentos. O cenário expôs as fragilidades da produção nacional e mostrou a importância estratégica do Complexo Econômico e Industrial da Saúde (CEIS) brasileiro na superação da nossa dependência e para garantir o acesso universal.

O subfinanciamento do SUS ficou ainda mais evidente: a incapacidade de alocação de recursos orçamentários por parte do governo federal e o déficit da balança comercial do setor saúde, que já era elevado, foi acentuado durante a pandemia. O prejuízo de US$ 5,5 bilhões representou uma alta de 12,5% em relação a 2019. De 2019 a 2020, nossas importações de EPI tiveram um salto de quase US$ 400 milhões. O mesmo Brasil, que se orgulha de instituições como a Fiocruz e o Instituto Butantan, depende de outros países para ter os tão necessários Ingredientes Farmacêuticos Ativos (IFA). Apenas nesse item nossa dependência chega a 90%.

Apesar do percalço e da escassez de insumos no contexto global, o CEIS responde com contribuições nos cuidados com a saúde, com vacinas, kits diagnósticos, EPIs, respiradores, medicamentos anestésicos, entre outros itens produzidos localmente – muitos em regime de parcerias público privadas – e com tecnologias incorporadas por produtores públicos.

SUS só será sustentável se aumentarmos a nossa capacidade de produção, pesquisa, inovação e desenvolvimento de produtos, tecnologias e serviços da saúde. O Congresso Nacional busca superar esse desafio por meio da Subcomissão Especial do Complexo Econômico e Industrial da Saúde com foco no que pode ser feito pelo Legislativo, Executivo, Judiciário e Tribunal de Contas da União para superar gargalos. Trata-se de uma questão de soberania nacional, desenvolvimento econômico e da garantia do preceito constitucional de que a saúde é dever do Estado e direito de todos e todas.

Foram audiências públicas dos mais diversos segmentos que resultaram em um relatório que apresenta os desafios do CEIS na pandemia: com incorporação de novas tecnologias, o papel das instituições públicas, privadas, gestão das redes de saúde e de regulação e controle, a biodiversidade e conhecimentos tradicionais, rede de pesquisadores em economia e inovação em saúde, o papel dos trabalhadores e trabalhadoras na agenda, a Saúde Digital e o financiamento do CEIS.

É o desafio de fazermos um SUS mais forte e com mais qualidade e, ao mesmo tempo, nossa grande oportunidade de fazer parte do mercado público que gera e é o grande chamariz para sustentar o investimento público e privado em produzir no Brasil.

Foi assim quando o Ministério da Saúde incluiu a vacina do HPV e a Eritropetina e viabilizou a transferência de tecnologia para o Butantan e a Fiocruz, permitindo que hoje os institutos públicos possam produzir as vacinas para Covid-19, por exemplo.

O relatório recomenda ao Executivo Federal a recriação do Grupo Gestor do CEIS, descontingenciamento de recursos destinados ao estímulo da produção, mecanismos de definição de preços que estimulem a inovação, desburocratização para realização de pesquisas nacionais e internacionais, política externa que coloque o Brasil como liderança regional da produção na saúde.

Fica cada vez mais claro que o desenvolvimento nacional não acontecerá se não houver investimentos na produção nacional integrada ao conhecimento a serviço das pessoas. O Brasil tem o SUS, plantas industriais públicas e privadas, institutos de pesquisa e universidades, não podemos ser tão vulneráveis e dependentes.

Ainda em 2020, o secretário geral da ONU declarou que a pandemia veio como um raio-X a revelar as fraturas no esqueleto frágil das sociedades que construímos. No caso do Brasil, as fraturas estão expostas e o caminho está dado para reverter o cenário. A recuperação econômica do Brasil passa pela economia da saúde e é desafio do Congresso Nacional, do SUS e da sociedade compor um plano de reconstrução do país para superar a pandemia.

Alexandre Padilha (PT-SP) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ), deputados federais, são, respectivamente relator e presidenta da Subcomissão Especial do Complexo Econômico e Industrial da Saúde.

Comissão da Câmara dos Deputados aprova PL de Padilha que define logo do SUS como símbolo nacional



Foto: Marcelo Casal Jr./Agência Brasil

A Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (8/09), o Projeto de Lei 3.644/2020, que inclui a logomarca do Sistema Único de Saúde (SUS) entre os símbolos nacionais do país. O projeto é de autoria do deputado federal Alexandre Padilha e foi subscrito pelo deputado Jorge Solla.

O texto estabelece que o símbolo do SUS deverá constar em bandeiras expostas em todas as unidades de saúde e prédios custeadas integralmente ou parcialmente pelo SUS. De acordo com Padilha, a  iniciativa pretende assegurar ao SUS o merecido destaque como “política pública de caráter universal e civilizatório” que “o Brasil pode orgulhosamente divulgar ao mundo”.

“O papel do SUS, que já era reconhecido por especialistas do mundo inteiro, ficou ainda mais evidente durante a pandemia da Covid-19. É praticamente consenso entre estudiosos do tema que o fato dos EUA não contarem com um sistema de saúde de acesso universal como SUS, está entre as razões de a tragédia da pandemia ter sido impiedosa naquele país”, explicou Alexandre Padilha.

 

Na análise do parlamentar, tornar a logo do SUS símbolo nacional, também é defender a saúde pública brasileira dos ataques que vem sofrendo.

“É preciso falar, também, das tentativas de políticas de cunho neoliberais de acabar com o SUS. Recentemente, a PEC do congelamento dos gastos representou um duro golpe para a saúde pública no País. No entanto, a gestão da crise da pandemia, sem o SUS e todo o sistema de pesquisa pública no País, poderia ser ainda mais catastrófica”, justificou o deputado no projeto.

O projeto agora aguarda votação na Comissão de Constituição e Justiça da Casa. Após, precisa ser levado ao plenário da Câmara. Se aprovado pelos deputados, o próximo passo é a votação no Senado.

 

*Com informações da Ascom CNS

Padre Julio Lancellotti vence prêmio Zilda Arns de Direitos Humanos 2021; indicação foi feita por Padilha



Crédito: Imagem/Divulgação

O padre Julio Lancellotti foi um dos escolhidos para receber o prêmio Zilda Arns, de Direitos Humanos 2021, da Câmara dos Deputados. O anúncio foi feito pelo deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), que indicou o nome de Lancellotti e ainda conseguiu colher cerca de cinco mil assinaturas.

O próprio Padre Julio confirmou a informação em suas redes sociais: “fui informado agora pelo Deputado Alexandre Padilha que receberei, como um dos escolhidos, o Prêmio Zilda Arns da Câmara dos Deputados”.

Padilha afirmou em mensagem enviada à Fórum: “Minha indicação de Padre Julio Lancelotti para receber o prêmio Zilda Arns, da Câmara dos Deputados, foi vitoriosa. O padre Julio ganhou o merecido prêmio pelo seu trabalho em defesa do direito da população idosa e pelo gigantesco trabalho humanitário que alcança centenas de pessoas que vivem na pobreza”.

“Gostaria de agradecer todos que se incorporaram a essa luta, compartilhando os materiais e a petição que teve mais de 5000 assinaturas. Ao entregar este prêmio ao Padre Julio farei a entrega da lista daquelas e daqueles que fizeram esta vitória possível!”, disse ainda Padilha.

Galeria de prêmios
O prêmio vem se somar a diversos outros recebidos por Julio Lancellotti por suas ações em defesa dos Direitos Humanos e, sobretudo, junto à Pastoral do Povo de Rua de São Paulo.

A Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil deu-lhe o Prêmio Franz de Castro Holzwarth em 2000 por seu trabalho contra a violação sistemática dos direitos das crianças e dos adolescentes.

Em 2003, a Casa Vida recebeu o Prêmio OPAS, da Organização Pan-Americana da Saúde.

Em 2004, o Movimento Nacional de Direitos Humanos concedeu-lhe o Prêmio Nacional de Direitos Humanos.

Também em 2004, a Pastoral do Povo de Rua da Arquidiocese de São Paulo ganhou o Prêmio Nacional de Direitos Humanos, na categoria livre.

Em 2005, Pe. Júlio recebeu menção honrosa do Prêmio Alceu Amoroso Lima Direitos Humanos.

Em 2007, o Pe. Júlio recebeu o Prêmio dos Direitos Humanos promovido pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, na categoria “Enfrentamento à Pobreza”.

Em 2020, o Padre Júlio recebeu, pelo voto popular, o Prêmio Poc Awards na categoria “Influencer do Ano”. Promovido pelo Gay Blog Br, a indicação de Lancellotti se motivou por se posicionar frequentemente contra à homofobia.

Pe. Júlio é ainda Doutor Honoris Causa pela Universidade São Judas Tadeu (2004) e pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

 

*Com informações da Revista Fórum

A covid-19 e suas variantes: a pandemia não acabou



Crédito: Fusion Medical Animation/Unsplash

*Por Alexandre Padilha para o Brasil de Fato

A “variante delta” começa a dar um susto com muita intensidade em países da Europa, assim como nos Estados Unidos e agora em Israel. Como esses países que tinham já uma alta proporção de vacinados, só reforça aquilo que temos dito a todos: quem quiser estabelecer data para o fim da pandemia terá grandes chances de errar.

O Sars-CoV-2 e mais do que ele, o conjunto dos vírus do coronavírus, já mostraram pra todos nós uma alta capacidade de mutações e, para além disso, essas mutações podem assumir características diferentes da sua variante original.

Relembrando, os vírus coronavírus causaram, em um intervalo bem curto de tempo – em menos de 20 anos – três grandes emergências internacionais de saúde pública, em especial sendo essa última da covid-19, que provocou a maior pandemia deste século e a maior pandemia que nós já tivemos desde a chamada “gripe espanhola”.

Desde quando começou, em março de 2020, nós já vimos surgir inúmeras mutações variantes do Sars-CoV-2, com características de transmissão e de progressão.

Dentre elas está a variante P1, que surgiu aqui no Brasil, a partir da cidade de Manaus, durante esse teste vivo feito pela postura genocida de Bolsonaro com a capital do Amazonas e que é uma das grandes responsáveis, junto com a irresponsabilidade do governo federal, pelo fato de no ano de 2021, em cerca de 6 meses, terem morrido mais pessoas pela covid-19 do que em todo o ano de 2020.

Queria lembrar que até 7 de janeiro de 2021, no começo deste ano, nós tínhamos 200 mil mortos. De 7 de janeiro de 2021 até agora nós chegamos a quase 600 mil mortes. Ou seja, morreram mais pessoas este ano por covid-19, nestes primeiros seis meses, do que em todo o ano passado.

A mutação delta já mostrou ter uma capacidade de transmissão muito maior do que as variantes anteriores. Ou seja, replica mais, transmite mais, se propaga mais. E já mostrou também uma alta letalidade sobretudo nos grupos não vacinados.

Aí onde o movimento anti-vacina fez com que tivesse uma proporção elevada de pessoas vacinadas, ou países como Brasil que tem uma baixa cobertura vacinal estão particularmente ameaçados pela variante delta.

Uma outra preocupação é que já têm estudos que mostram que o grau de eficácia de algumas vacinas se reduz quando está confrontado com a variante delta, embora as vacinas ainda tenham um papel muito importante.

Além do surgimento da variante delta, nós vamos completando um ano de pessoas vacinadas no mundo, sobretudo os estudos iniciais de vacinas.

Ou seja, nos próximos meses de setembro, outubro, novembro, nós teremos evidências científicas robustas no acompanhamento de cerca de 1 ano de pessoas vacinadas para sabermos quanto tempo dura essa imunidade produzida pela vacina. Quanto tempo dura a defesa feita pela vacina. Isso será decisivo para as ações dos governos e das próprias recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), sobre uma possível terceira dose de reforço.

Ou seja, a pandemia não acabou. O cenário está muito incerto e muita gente pode morrer ainda caso exista uma postura irresponsável de acreditar que está tudo resolvido.

Precisamos falar da saúde mental dos atletas e de todos nós



Por Alexandre Padilha e publicado pela Rede Brasil Atual

Os impactos da vida contemporânea sobre a saúde mental de todos nós foram agravados pela pandemia. Ela provocou medo, sofrimento pela morte de parentes e amigos, angústia entre os trabalhadores de saúde e dos serviços essenciais, a interrupção dos atendimentos com psicólogos e psiquiatras, a perda de renda e a preocupação do desemprego.

Os aspectos da saúde mental dos atletas nas Olimpíadas de Tóquio trazem à tona o debate psicológico, que vai além da dificuldade emocional causada pela pandemia, que os intensificou. Atletas de diversos países assumiram publicamente que enfrentam algum tipo de sofrimento mental e desistiram de competições.

O caso mais simbólico é o da ginasta americana Simone Biles, melhor do mundo e ganhadora de quatro medalhas de ouro em Olimpíadas. Após o anúncio de sua saída da disputa por equipes, e depois da final individual geral, Simone afirmou sentir “carregar o peso do mundo em seus ombros” e que preferia optar por sua saúde emocional. A ginasta norte-americana também afirmou que os atletas são pessoas e que às vezes é preciso dar um passo atrás.

A exposição das vulnerabilidades emocionais dos atletas olímpicos mostra que cuidados com saúde mental são fundamentais e que todos podem passar por crises. É uma condição normal do ser humano. E elas podem ser acarretadas por diversos fatores, em atletas de alto rendimento, pela pressão e grandes expectativas.

Claro que a pandemia da covid-19 piorou, e muito, essas questões. Isolamento social e o lockdown em alguns países, prejudicou os rendimentos. Esses atletas carregam expectativas de seus países em meio a maior pandemia que o mundo já enfrentou.

Muitos deles são jovens demais e com muitas responsabilidades. Como é o caso da nossa medalhista no skate, Rayssa Leal, que tem 13 anos. O tema foi abordado na coluna do jornalista Leandro Iamin para a CNN Brasil onde elucidou que o ambiente da ginástica olímpica é muito mais rígido que o do skate, por exemplo. “Em comparação com outros ambientes competitivos, a lembrança que o skate deixará em sua estreia olímpica é a da leveza e da solidariedade. Competidoras comemorando os acertos das próprias concorrentes e sorrindo mesmo quando as coisas não dão certo foram uma constante. Não pareceu um ambiente de pressão tóxica”, escreveu.

Por conta da idade, Rayssa teve o apoio da mãe ao longo da competição, e afirmou ao ser questionada pela idade que “é só fazer o que ama e se divertir”.

Rebeca Andrade, nossa primeira medalhista da ginástica artística da história, declarou que prioriza o trabalho psicológico, que foi decisivo para a conquista da medalha de prata. Rebeca destacou que “atletas não são robôs, são humanos” e que também precisam se divertir nas competições.

Realizada em meio a pandemia, as Olimpíadas de Tóquio reafirmam que o cuidado com a saúde mental é imprescindível, ainda mais neste momento, de tantas perdas. Além de altamente estressante, os atletas estão lidando com a falta de apoio do público nas competições. Os transtornos mentais nunca estiveram tão em pauta como neste momento e ainda bem, precisamos falar deles. Tudo bem não estar bem sempre.

Para todos nós, a nossa Olimpíada é o dia a dia. Cada dia somos submetidos a estresses, desafios e a bater recordes de sobrevivência. Por isso, uma das questões chave é o cuidado psicológico de todos nós e o SUS tem o papel importante no atendimento à saúde mental da nossa população.