O Brasil precisa vacinar crianças e exigir o passaporte vacinal para entrada no país



Por Alexandre Padilha para a Rede Brasil Atual 

É absolutamente correta a posição da diretoria e dos técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de exigir apresentação do passaporte vacinal para quem chega ao nosso país. Qualquer brasileiro que se desloca para outros países é obrigado a apresentar teste negativo para Covid-19 e o comprovante de vacinação. Por que nós não devemos cobrar? Um governo que não exija o atestado de imunização contra Covid-19 a qualquer pessoa que chegue a seu país, com variantes se multiplicando pelo mundo, e que estimula a infecção das pessoas, é irresponsável, para dizer o mínimo.

Temos acompanhado o aumento de casos e óbitos da doença em não vacinados em diversos países da Europa e nos EUA, por isto, é inaceitável a possibilidade do governo Bolsonaro aceitar estrangeiros sem a exigência do passaporte vacinal.

Só com o mundo vacinado voltaremos a ter nossas vidas como antes da Covid-19 e assim teremos a volta segura das atividades econômicas, dos encontros e das aglomerações. Só assim superaremos a pandemia.

Outro ponto importante é acelerar ao máximo a avaliação para aprovação da vacinação de nossas crianças. Países como EUA, Chile, China e Indonésia já estão vacinando crianças e alguns deles inclusive com vacinas usadas no Brasil, como Pfizer e Coronavac.

É absurdo que o Brasil – que sempre liderou campanhas de vacinação – ainda não esteja vacinando essa faixa etária. O Instituto Butantan ofereceu um estoque de doses ao Ministério da Saúde, que as recusou. Essas doses poderiam estar sendo aplicadas nas crianças, por exemplo.

A vacinação das crianças é importante para protegê-las e também para reduzir o risco de que elas transmitam o vírus para outras pessoas.

Queremos que as crianças voltem às escolas de maneira segura. Muitas delas irão passar as festas de fim de ano junto a familiares do grupo de risco, por isto precisamos iniciar essa vacinação o quanto antes.

Na próxima semana, o Congresso Nacional votará o orçamento para o ano de 2022. O governo Bolsonaro apresentou proposta que reduz em mais de 80% o orçamento da vacinação. Não é graças a Bolsonaro que o Brasil tem boa aceitação das vacinas. Nós, parlamentares da oposição, vamos lutar para derrubar o orçamento secreto e garantir o orçamento sanitário.

Caso Prevent Senior: o maior escândalo ético e médico da história do Brasil



Reprodução/TVT

Por Alexandre Padilha para Revista Fórum

É estarrecedor acompanhar as denúncias feitas em praticamente todas as sessões da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), da pandemia, instaurada há cinco meses no Senado Federal. Acredito que todo brasileiro fica extremamente assustado e enojado a cada depoimento, ainda mais após as declarações da advogada dos médicos que denunciaram as práticas genocidas da Prevent Senior.

Faço parte da Comissão Externa de Enfrentamento à Covid-19 na Câmara dos Deputados e em abril de 2020 denunciei o estudo realizado pela Prevent Senior para atestar a eficácia da cloroquina no tratamento de pacientes com Covid-19. Esse experimento não tinha sequer registro de autorização na Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP), que pediu a suspensão do ensaio à época.

Na denúncia, solicitei à CONEP pedido de informações sobre quais eram as medidas tomadas com relação a esse estudo, quais medidas legais seriam tomadas em relação ao desrespeito das normas de pesquisa pela operadora de saúde,  se os óbitos relacionados a este estudo tiveram a investigação adequada, se existia manifestação pública em relação a este estudo – que era propagado por autoridades como solução para pandemia -, entre outros.

Também questionei o Ministério da Saúde sobre quem era o autor do estudo, se ele havia sido debatido dentro do Ministério da Saúde por especialistas e na CONITEC, quais eram as orientações do protocolo, porque o protocolo divulgado não tratava dos mecanismos de vigilância para eventos adversos, entre outros.

De lá para cá, infelizmente, o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), o Conselho Regional de Medicina do estado de São Paulo e o Conselho Federal de Medicina, não fizeram a apuração devida do que estava acontecendo.

Precisou ser criada a CPI da pandemia – que chamo de CPI do Genocídio – para que os médicos contratados pela operadora de saúde se dispusessem e se sentissem seguros em denunciar o assédio e a pressão que vinham sofrendo ao ter que defender e prescrever um tratamento sem comprovação cientifica.

As acusações ainda citam a troca de registros de prontuário e diagnósticos, a nítida estratégia de retirar do isolamento de 14 dias pacientes com Covid-19 para que os hospitais fossem ocupados mais rapidamente para redução dos custos do plano, a obrigação da prescrição e entrega do “kit-Covid” caso contrário seriam demitidos. Regras que coagiram os profissionais e colocaram pacientes em risco. Um escândalo de omissão e crime que, de acordo com o andar da carruagem da CPI, foram orientados em conluio com o governo Bolsonaro.

Esse, sem sombra de dúvidas, é o maior escândalo ético e médico da história da medicina brasileira, que ficará marcado como um dos maiores depois da 2ª Guerra Mundial. Pela indicação dos depoimentos da CPI, vidas podem ter sido usadas para dar credibilidade às fake news e aumentar o uso da cloroquina.

Esse vexame precisa de ações imediatas, tais como: apuração da CONEP das práticas de ética de pesquisa do comitê local do hospital que assistiu esse estudo acontecer e não o impediu, da ANS que tem obrigação como agência reguladora de abrir procedimento de apuração sobre as práticas da Prevent Senior, instalação de uma intervenção técnica com comissão gestora que passe a conduzir as ações e atividades do plano e, ao longo da confirmação das denúncias, suspender o direito da operadora de ser um plano de saúde. Mantendo, nessa transição, o direito de atendimento aos usuários.

Os conselhos profissionais de medicina – regionais e federais – têm o dever de fazer vistorias nos hospitais para checagem de mudanças de diagnóstico e prontuários e abertura de processo ético profissional em relação aos profissionais que lideraram o estudo.

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), a pedido do deputado Paulo Fiorilo, abriu uma CPI específica para apurar e investigar as questões da Prevent Senior. Ótima iniciativa para buscar informações com instrumentos que só uma CPI tem.

Como, por exemplo: Se a operadora omitiu os dados das Secretarias Estadual e Municipal de Saúde de SP, se apurou as denúncias de assédio aos profissionais de saúde, de quem a Prevent Senior comprava a cloroquina que era administrada aos pacientes e que empresas vendiam, se essas empresas tinham relação com a propaganda de Bolsonaro e se houve pagamento de seminários e atividades de divulgação do tratamento pelo gabinete paralelo.

Precisamos de ações imediatas para evitar que mais vidas sejam perdidas em decorrência da condução omissa e negacionista do governo Bolsonaro.

A covid-19 e suas variantes: a pandemia não acabou



Crédito: Fusion Medical Animation/Unsplash

*Por Alexandre Padilha para o Brasil de Fato

A “variante delta” começa a dar um susto com muita intensidade em países da Europa, assim como nos Estados Unidos e agora em Israel. Como esses países que tinham já uma alta proporção de vacinados, só reforça aquilo que temos dito a todos: quem quiser estabelecer data para o fim da pandemia terá grandes chances de errar.

O Sars-CoV-2 e mais do que ele, o conjunto dos vírus do coronavírus, já mostraram pra todos nós uma alta capacidade de mutações e, para além disso, essas mutações podem assumir características diferentes da sua variante original.

Relembrando, os vírus coronavírus causaram, em um intervalo bem curto de tempo – em menos de 20 anos – três grandes emergências internacionais de saúde pública, em especial sendo essa última da covid-19, que provocou a maior pandemia deste século e a maior pandemia que nós já tivemos desde a chamada “gripe espanhola”.

Desde quando começou, em março de 2020, nós já vimos surgir inúmeras mutações variantes do Sars-CoV-2, com características de transmissão e de progressão.

Dentre elas está a variante P1, que surgiu aqui no Brasil, a partir da cidade de Manaus, durante esse teste vivo feito pela postura genocida de Bolsonaro com a capital do Amazonas e que é uma das grandes responsáveis, junto com a irresponsabilidade do governo federal, pelo fato de no ano de 2021, em cerca de 6 meses, terem morrido mais pessoas pela covid-19 do que em todo o ano de 2020.

Queria lembrar que até 7 de janeiro de 2021, no começo deste ano, nós tínhamos 200 mil mortos. De 7 de janeiro de 2021 até agora nós chegamos a quase 600 mil mortes. Ou seja, morreram mais pessoas este ano por covid-19, nestes primeiros seis meses, do que em todo o ano passado.

A mutação delta já mostrou ter uma capacidade de transmissão muito maior do que as variantes anteriores. Ou seja, replica mais, transmite mais, se propaga mais. E já mostrou também uma alta letalidade sobretudo nos grupos não vacinados.

Aí onde o movimento anti-vacina fez com que tivesse uma proporção elevada de pessoas vacinadas, ou países como Brasil que tem uma baixa cobertura vacinal estão particularmente ameaçados pela variante delta.

Uma outra preocupação é que já têm estudos que mostram que o grau de eficácia de algumas vacinas se reduz quando está confrontado com a variante delta, embora as vacinas ainda tenham um papel muito importante.

Além do surgimento da variante delta, nós vamos completando um ano de pessoas vacinadas no mundo, sobretudo os estudos iniciais de vacinas.

Ou seja, nos próximos meses de setembro, outubro, novembro, nós teremos evidências científicas robustas no acompanhamento de cerca de 1 ano de pessoas vacinadas para sabermos quanto tempo dura essa imunidade produzida pela vacina. Quanto tempo dura a defesa feita pela vacina. Isso será decisivo para as ações dos governos e das próprias recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), sobre uma possível terceira dose de reforço.

Ou seja, a pandemia não acabou. O cenário está muito incerto e muita gente pode morrer ainda caso exista uma postura irresponsável de acreditar que está tudo resolvido.

Precisamos falar sobre como vamos cuidar das sequelas da covid-19



Imagem/Reprodução

Por Alexandre Padilha para coluna do Fausto Macedo, Estadão 

A Covid-19 mostra, cada vez mais, ser uma doença que desafia novos conhecimentos para ciência e, com o tempo, amplia os impactos negativos que podem deixar na vida e no organismo dos infectados. Até agora, a pandemia deste vírus traiçoeiro vitimou fatalmente mais de 540 mil brasileiros e contaminou cerca de 20 milhões pessoas.

Um dos diretores do Centro de Controle de Doenças declarou nesta semana que a pandemia “não acaba até que acabe”. Ou seja, ela não vai acabar quando realmente acabar. Ninguém minimamente responsável pode definir data para o fim da pandemia, como muitos já fizeram e erraram.

Estou como deputado federal, mas sou médico e professor universitário e junto com meus alunos atendo em Unidades Básicas de Saúde (UBS) na periferia de São Paulo e Campinas. E temos acompanhado inúmeros pacientes que sobreviveram a Covid-19 mas que ficaram com sequelas da doença.

Os que felizmente não tiveram suas vidas perdidas, podem ficar com sequelas, o que é o caso de milhões de pessoas e as consequências são percebidas logo depois da recuperação e em outros casos, surgem mais claras e evidentes ao longo do tempo.

As sequelas mais comuns são o acometimento pulmonar e os impactos de longas internações na UTI. A grande maioria dos infectados que se recuperam de quadros graves de Covid-19 acabam desenvolvendo por algum período sequelas pulmonares, queixa de fadiga, dificuldades para recuperar o estágio físico, queixas musculares e neurológicas. Ao longo do tempo, também já está sendo observado outros acometimentos: oftalmológicos, neurológicos, cardíacos e tromboses.

O que se sabe é que a grande maioria dos pacientes que tiveram Covid-19 de maneira moderada ou grave desenvolvem algum tipo de sequela. O que se sabe também, é que a imensa maioria dos infectados de maneira moderada ou grave acabam apresentando risco maior de morte por outras infecções depois do período de recuperação. Estão sendo e serão observados cada vez mais novos perfis de sequelas na medida em que as pessoas vão se recuperando, com novos estudos e relatos.

Além disso, há também o relato de sequelas psicológicas, de saúde mental, seja dos recuperados ou das pessoas que perderam fatalmente parentes e amigos por Covid-19.

Um estudo recente mostrou que a Covid-19 deixou mais de 130 mil órfãos. São crianças e adolescentes que perderam seus pais e suas mães, e que necessitam ter assegurado seu direito a proteção social, ofertas educacionais e de saúde, para serem acolhidas e defendidas, mesmo diante de todos os problemas que temos sofrido.

Por isso, propus que o Estado se comprometa em assegurar uma indenização mensal para as crianças órfãs da pandemia. Medida similar foi assegurada recentemente pelos governadores nordestinos que criaram o projeto “Nordeste que Acolhe”, que consiste em um repasse mensal de R$ 500 por criança órfã.

As comunidades escolares de hoje são diferentes das comunidades escolares de antes da pandemia. Perdemos professores, pais, alunos, trabalhadores da educação e familiares. A escola precisa ser um espaço de acolhimento, de construção de convivência e segurança para todos e todas.

Precisamos construir políticas públicas que tenham um olhar integral, na oferta de assistência à saúde, psicológica, médica, fisioterápica para permitir a cada um desses brasileiros vida digna.

Propus um Projeto de Lei no Congresso Nacional que institui a Política de Atenção Integral às vítimas e familiares de vítimas da pandemia da Covid-19, que tem por objetivo assegurar às vitimas a plena recuperação das sequelas físicas e dos impactos sociais por elas desenvolvidas.

O que também preocupa é o fato do número de casos de transmissão e lotação de leitos de UTI nos hospitais ter represado os demais tratamentos de problemas de saúde das pessoas e o adiamento de cirurgias que não são emergenciais.

Essa é a sequela do SUS, que afeta a saúde de todos os brasileiros: o fato de milhares de pessoas estarem com seus tratamentos de saúde suspensos. A rede do SUS – atenção primária e especializada – foi desestruturada porque os atendimentos foram focados na Covid-19. Além disso, o SUS perdeu muitos trabalhadores da saúde experientes, seja que perderam suas vidas ou ficaram com sequelas que os impedem de retornem ao trabalho nos serviços de saúde.

Pensando nisso, aprovamos o Projeto de Lei 14128/21 de minha autoria que garante indenização aos familiares dos trabalhadores da saúde em caso de morte no enfrentamento à pandemia.

A pandemia não se encerrará com a redução dos casos confirmados ou das mortes. Ela continuará e seus efeitos serão duradouros. Para enfrentar esses impactos, necessitamos de políticas públicas que enxerguem o brasileiro como cidadão de direitos, e não apenas como números e custos.

Só com vacina no braço vamos vencer a Covid-19



Foto: Tony Winston/Agência Brasília

Por Alexandre Padilha para Revista Fórum

O anúncio do governo do estado de São Paulo de que toda a população adulta receberá ao menos a primeira dose da vacina contra Covid-19 até 15 de setembro trouxe otimismo e entusiasmo aos paulistas.

A antecipação do calendário de vacinação é uma ótima notícia para quem está esperando ansiosamente pela primeira dose, mas é importante ressaltar que isso também pode significar que muita gente dos grupos prioritários ainda não concluiu a vacinação com a segunda dose ou então nem tomou a primeira.

É muito importante garantir a conclusão das duas doses da vacina aos grupos prioritários. De acordo com o sistema de informações do Ministério da Saúde, o DataSUS, um em cinco idosos com mais de 70 anos não completou o esquema de vacinação contra a Covid-19 no Brasil. Cerca de 2,6 milhões de brasileiros nessa faixa etária ainda não tomaram a segunda dose da vacina e um milhão não tomou nem a primeira.

A discussão não deve ser o risco ou se está incorreto antecipar a vacinação para os mais jovens, a questão é que estados e municípios devem fazer busca ativa e campanhas publicitárias orientando as pessoas a se vacinar e concluir o esquema de vacinação.

A melhor vacina é aquela que imuniza o povo contra a doença que tirou cerca de 500 mil vidas no país. O fato é que não vemos nenhuma campanha de vacinação consistente e permanente por parte do Ministério da Saúde em conjunto com as secretarias de saúde dos estados e municípios que incentive as pessoas a se vacinar.

É imprescindível que estados e municípios determinem que os agentes de saúde que compõem as equipes do programa Estratégia Saúde da Família façam a busca ativa desses brasileiros. São essas equipes que vão até a casa das pessoas e fazem o acompanhamento e monitoramento de saúde das famílias.

Essas equipes que são formadas por médicos, enfermeiros e agentes de saúde, são primordiais para que a atenção básica de saúde funcione em nosso país. São eles também que estão no momento mais frágil desde sua criação porque o governo Bolsonaro não estimula e protege essas equipes e reduz a capacidade de atendimento da população com os cortes anunciados. De acordo com o IBGE, em 2019, ano antes da pandemia, apenas 37% dos domicílios no Brasil recebiam visitas mensais de equipes de saúde da família. Em 2013, esse número era de 50%.

Não é hora de escolhermos qual vacina tomar, precisamos vacinar toda a população brasileira já. Bolsonaro precisa comprar e criar estímulos para a produção de vacinas suficientes. Ao invés disso, o presidente cria medo e insegurança.

Se a população está temendo tomar vacina, a culpa é de Bolsonaro. Ouçam os profissionais de saúde e a ciência: só com vacina no braço vamos vencer a Covid-19.

Lactantes pela Vacina: duas vidas salvas



Foto: Secretaria de Saúde do Estado de Santa Catarina

Por Alexandre Padilha, para Revista Fórum

No início do mês de maio soube pelas redes sociais do movimento “Lactantes pela Vacina”, mulheres que estão na luta pela prioridade da vacinação contra a Covid-19 de lactantes. Essa movimentação espontânea teve início na Bahia e já se espalhou por vários outros estados brasileiros e diversos mamaços virtuais já foram realizados com objetivo de chamar atenção do poder público para a iniciativa.

O termo lactantes é utilizado para caracterizar mães que amamentam seus bebês. A vacinação de uma lactante é a única forma de imunização de duas pessoas de imediato: a mãe e o bebê.

Procurei saber mais sobre essa importante mobilização para apoiar e deixar meu mandato de deputado federal à disposição. Apresentei na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 1865/2021 que estabelece que gestantes, puérperas e lactantes, sem comorbidades, sejam incluídas na lista de prioridades do Plano Nacional de Imunização (PNI) da Covid- 19.

O Projeto foi embasado no que recomenda a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), que orienta “a imunização de mulheres que, na sua oportunidade de vacinação, estiverem amamentando, independentemente da idade de seu filho, sem necessidade de interrupção do aleitamento materno, ressaltando todos os benefícios de ambas as ações (imunização e amamentação).”

Tive a oportunidade de realizar um debate virtual com representantes do movimento que são mães, lactantes e médicas obstétricas, no qual abordamos as dores, angústias e sofrimentos de mães, gestantes, puérperas e lactantes na pandemia da Covid-19.

De acordo com um estudo recente da Fiocruz, se as gestantes não forem vacinadas, os óbitos em decorrência da Covid-19 podem ser de três a quatro vezes maiores em 2021 se comparado a 2020. De janeiro a abril de 2021, 653 grávidas e puérperas morreram em decorrência da Covid-19. Em todo 2020 foram 432 óbitos maternos.

Por isso, o debate da ampliação desde grupo como prioritário na vacinação é urgente para defesa das mulheres e de seus bebês. No Piauí, um Projeto de Lei foi aprovado na Assembleia Legislativa e está em fase de sanção pelo governador. Salvador iniciou a vacinação de lactantes de até 6 meses de amamentação e a cidade de São Paulo anunciou que irá vacinar lactantes com comorbidades e com bebês de até um ano a partir da próxima semana.

Sou membro da Comissão Externa que acompanha as ações de enfrentamento à Covid-19 na Câmara dos Deputados e encaminhei pedido de audiência pública com a participação do secretário estadual e municipal da saúde de São Paulo junto, com o movimento Lactantes pela Vacina, para que a vacinação deste grupo tenha abrangência em todo o estado e contemplando também as mães sem comorbilidades. Só com vacina salvaremos vidas.

Padilha apresenta projeto de lei pela vacinação contra Covid-19 de lactantes sem comorbidades



Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

*Com informação do portal Metrópoles

O deputado Alexandre Padilha (PT-SP) apresentou à Câmara dos Deputados, na terça-feira (18/5), um projeto de lei (PL) que determina a vacinação de gestantes, puérperas e lactantes sem comorbidades contra a Covid-19.

Atualmente, grávidas, puérperas e lactantes com comorbidades já fazem parte dos grupos prioritários de imunização. Elas podem ser vacinadas com os fármacos da Pfizer e do Instituto Butantan (Coronavac).

A aplicação da vacina de Oxford/AstraZeneca nesse público foi suspensa por recomendação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), após o registro de óbito de uma gestante que recebeu o imunizante. O Ministério da Saúde investiga o caso.

A maior reivindicação do PL, no entanto, é pela imunização de lactantes sem comorbidades. O documento cita a atuação de uma série de movimentos que lutam pela alteração do Plano Nacional de Imunização contra a Covid-19 (PNI), como o grupo Lactantes pela Vacina.

Leia a íntegra do PL aqui 

Nunca na História a vida foi tão menosprezada no Brasil



Foto: CTV News (Reprodução)

*Por Alexandre Padilha para Revista Fórum

Chegamos à triste marca de 300 mil óbitos por Covid-19 e somos o segundo país no ranking mundial com maior número de infectados e mortos, estamos atrás apenas dos Estados Unidos. Acompanhamos desesperados o sofrimento de milhares de famílias na busca por vagas em enfermarias e UTIs para seus parentes ou amigos infectados e não vemos soluções concretas e imediatas por parte do governo federal para minimizar o drama do brasileiro na pandemia. Ao contrário disso, além da escassez de leitos de UTI, faltam sedativos para os pacientes que precisam ser intubados. Nunca na História a vida foi tão menosprezada no Brasil.

A crise que estamos vivendo não é nova. No Congresso Nacional, antes mesmo do decreto que oficializou a pandemia, foram criadas comissões para o acompanhamento das ações de enfrentamento à Covid-19 no país, tanto no Senado quanto na Câmara dos Deputados. Nelas, durante todo ano de 2020, foram realizadas diversas reuniões e audiências públicas com representantes dos estados e municípios, Ministério da Saúde, Anvisa, Santas Casas, hospitais, do setor de serviços de insumos e medicamentos e de diversos outros órgãos correlatos, para debatermos as deficiências enfrentadas pelos serviços.

Muitos dos problemas que estamos vivendo agora foram discutidos e medidas foram tiradas para resolução das dificuldades. Ocorre, porém, que para o governo Bolsonaro a pandemia acabaria em dezembro de 2020, leitos e hospitais de campanha foram desativados e temos falta do kit de intubação porque o governo federal cancelou compra dos insumos no ano passado.

Essa irresponsabilidade e cenário de guerra causado pelo negacionismo do governo Bolsonaro está desencadeando o desespero explícito de famílias e dos profissionais de Saúde, que ficam sem saber como salvar a vida das pessoas. Frente à omissão do governo, mais uma vez, é o Congresso Nacional que assume a responsabilidade de aliviar esse sofrimento.

Fui autor do requerimento que convocou audiência pública na Câmara para resolvermos o problema da falta do kit intubação no país e estiveram presentes diretores de hospitais, secretários estaduais e municipais de saúde, representantes de entidades, instituições farmacêuticas e a Anvisa. O Ministério da Saúde também foi convocado a participar, mas se negou em comparecer, pois não tinha como indicar representante tendo em vista a paralisação da pasta na novela da troca de ministros.

Além disso, apresentei na Câmara, junto com outros deputados, o Projeto de Lei 1069/2021, que garante a instalação de usinas de oxigênio em unidades de Saúde de todo o Brasil para evitar o desabastecimento.

O que está acontecendo em território brasileiro é genocídio. Quatro ministros passaram pelo Ministério da Saúde em meio à maior tragédia humana que o país já enfrentou. Batemos recordes diários de mortes e chegamos ao registro de três mil óbitos por dia. A barbárie, a falta de sensibilidade e o negacionismo estão deixando os brasileiros sem ar.

Camarote clandestino de vacinas pode ser esquema de corrupção, diz Padilha



Imagem/Divulgação

*Com informações da Rede Brasil Atual

A cena é constrangedora. Políticos e empresários de Minas Gerais amoitados em uma garagem de ônibus para receber clandestinamente uma dose de vacina contra a covid-19. Fazem escondido porque sabem que a vacinação é ilegal, não está sendo feita pelo SUS. E nem todos os que estão no grupo pertencem às faixas etárias previstas para receber a imunização.

O deputado e ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT-SP) fala em algo mais grave. “O governo federal acabou de fazer um contrato de 100 milhões de doses com a Pfizer. Quem sabe essas vacinas não chegaram na mão de empresários e políticos como parte de propina para viabilizar a contratação dessas vacinas no país?”, questiona. “Isso tem de ser profundamente investigado, podemos estar descobrindo um tráfico para abastecer o camarote clandestino de vacinas e um grande escândalo de corrupção que envolva políticos e empresários no Brasil”, disse, em vídeo publicado na quinta-feira (25) em sua conta no twitter.

Crime grave

O grupo envolvido, segundo reportagem da revista Piauí, tem políticos e empresários ligados ao setor de transporte de Minas Gerais, além de familiares. A vacinação foi feita na terça-feira (23), na garagem da empresa de ônibus da viação Saritur. Era a primeira das duas doses compradas por R$ 600. Ainda segundo a revista, o deputado estadual de Minas Alencar da Silveira (PDT) e Clésio Andrade, ex-senador e ex-presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), estavam entre os que foram imunizados na garagem da Saritur.

“Acredito que a gente possa estar descobrindo alguma coisa tão grave quanto o que aconteceu em alguns países, como no Peru. Dirigentes do governo do Peru, políticos, receberam como propina várias doses de vacina para fazer um camarote, furando a fila do sistema de saúde”, acrescenta Padilha. “É um volume pequeno, a Pfizer já negou. Quem tem as vacinas tem de mostrar o contrato, guia de importação, quem assumiu a responsabilidade pelas condições sanitárias.”

Investigação

Alexandre Padilha, que é médico infectologista, fala na possibilidade de diversos crimes na ação dos empresários. “Não está claro como foi feita a importação dessa vacina, onde está o guia de importação da Anvisa. Não está claro o acondicionamento, as condições sanitárias da aplicação, quem está cuidando”, diz. “E não foram dadas informações para as autoridades de saúde, como a lei exige. Não foi feita a doação para o SUS, como a lei exige, de doar 100% para o SUS.”

O Ministério Público de Minas Gerais entrou na história e já abriu investigação sobre a vacinação clandestina, que correrá em sigilo. Por hora, sabe-se que os envolvidos podem responder criminalmente. Além disso, se a importação tiver sido antes da aprovação da vacina pela Anvisa, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, há a possibilidade de multa e reclusão de dez a 15 anos por comercialização de produto sem registro.

Um ano de omissão, descaso e negacionismo: Brasil transformado em ameaça para o mundo



Foto: The Telengana Today/Reprodução

Por Alexandre Padilha, Arthur Chioro e Humberto Costa * para Revista Fórum

Há um ano do registro da morte da primeira vítima da Covid-19, o Brasil vive, neste março de 2021, um déjà-vu piorado do que foi o ano de 2020. Diante do pior cenário da doença no país, com altas taxas de transmissão e recordes diários de óbitos – chegamos a 2.349 mortes em 24 horas – e vivemos o momento mais aterrorizador da pandemia.

Com desempenho desastroso, omisso, negacionista e insensível do governo Bolsonaro no combate à Covid-19, somos o epicentro da doença e passamos, no início do mês, os Estados Unidos, assumindo a liderança no mundo como o país que mais registra novos casos de coronavírus por dia.

Por incompetência do governo Bolsonaro, o Brasil é uma ameaça ao mundo, pária internacional, por ter se tornado terreno fértil ao surgimento de novas variantes do coronavírus que têm mostrado maior capacidade de transmissão e acometimento de jovens.

Somos reconhecidos mundialmente como fracasso na resposta à pandemia, na defesa da vida, na gestão da saúde e na negligência pela pífia cooperação internacional para compra de vacinas.

Não vivemos segunda ou terceira onda no país porque não houve sequer a estabilização da pandemia. Em 2020, ficamos por 14 semanas com mais de mil mortes diárias, tivemos redução, mas nunca estabilização.

A perpetuação do negacionismo provocou, até agora, a perda de mais de 270 mil vidas e é impensável e inadmissível o Brasil, pelo tamanho do nosso sistema público de saúde, não ter um plano de vacinação consolidado e menos de 2% da população brasileira vacinada com duas doses há um ano da maior tragédia humana que o país já enfrentou, sendo agora o período de maior colapso do sistema público em todos os estados da federação.

A ineficiência deste governo militarizou o Ministério da Saúde, não ofereceu testagem suficiente – e encalhou milhares de testes –, não priorizou a Atenção Básica, não repassou recursos para a manutenção de leitos de UTI, resultando no fechamento de 2/3 dos leitos de UTI para Covid-19 e apresentou um cronograma fictício de vacinação. Sequer garantiu insumos necessários para o enfretamento da pandemia. As mortes por falta de oxigênio expressam a dimensão mais cruel dessa irresponsável (des)coordenação do SUS.

Vencemos a pandemia da H1N1 em 2010, sendo o país que mais vacinou contra a doença por um sistema público de saúde no planeta. Foram mais de 100 milhões de vacinados, sendo 80 milhões em três meses. Isso aconteceu porque nos planejamos para uma campanha eficiente e porque éramos respeitados como atores globais no segmento da saúde, como um líder na garantia de acesso a medicamentos, vacinas e na transferência de tecnologia.

No Brasil sem Bolsonaro, era possível termos iniciado a campanha de vacinação contra a Covid-19 em dezembro de 2020. O Brasil de Bolsonaro criou uma guerra xenofóbica ideológica com vacinas comprovadamente seguras e eficazes, produzidas em outros países, e recusou 70 milhões de doses da vacina da Pfizer.  Adquiriu o número mínimo de vacinas disponibilizados pelo Fundo da OMS/Unicef.

Além de não ser negacionista, para termos um plano de vacinação amplo e robusto era preciso ter priorizado ações de cooperação com outros países, ter boa parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e com governadores e prefeitos. Mas não é o que Bolsonaro quer.

Resultado: Brasil na rabeira da vacinação, não temos doses suficientes, não vamos conseguir vacinar toda a população apta antes do inverno e a pororoca da Covid-19 não terá fim.

A luta social por vacina já para todos vem da sociedade, unida com o Congresso Nacional e com os governadores, para que Bolsonaro seja forçado a sancionar as leis que obriguem a compra de vacinas, acelere o processo de autorização para incorporação de vários imunizantes e que estados e municípios comprem doses quando o Ministério da Saúde não oferecer suficientes. Só assim podemos salvar vidas e recuperar a economia.

Mas é preciso ressaltar que a falta de vacinas não é causa da tragédia. Ela é consequência da imensa incompetência de um governo inepto, cuja política de Estado em favor da propagação do vírus tem promovido um verdadeiro genocídio que precisa ser parado imediatamente.

*Alexandre Padilha, Arthur Chioro e Humberto Costa são ex-ministros da Saúde.