Super live de ex-Ministros da Saúde e Luiza Trajano reforça a capacidade do país em garantir vacina para todos



O compromisso com a esperança, o sucesso e esforço da ciência no desenvolvimento de vacinas para Covid-19 e a valorização do Plano Nacional de Imunização (PNI) brasileiro foram os condutores da super live realizada nesta quarta (20) com ex-ministros da Saúde de diferentes governos – de Lula a Bolsonaro – com a representante da sociedade civil e do mundo empresarial, Luiza Trajano, dona do Magazine Luiza.

Organizado e mediado pelo deputado federal e ex-ministro da Saúde no governo Dilma Rousseff, Alexandre Padilha, o debate contou com participação dos ex-ministros da Saúde Humberto Costa e José Gomes Temporão, ambos do governo Lula, Arthur Chioro, comandou a pasta também na gestão Dilma, e Nelson Teich, chefiou o Ministério no governo Bolsonaro por cerca de um mês, frente à pandemia. Padilha abriu a discussão perguntando a expectativa de cada um sobre tomar a vacina e a avaliação sobre o início da vacinação no Brasil.

Capacidade de vacinar 80 milhões em três meses

Ministro da Saúde que conduziu o enfretamento da pandemia de H1N1 em 2009, José Gomes Temporão, diz estar pronto para tomar a vacina e salientou que, desde o começo da pandemia, se sabe que para o país superar a situação da Covid-19, o ideal é dispor de uma ou mais vacinas que funcionem e possam proteger a população brasileira.

“De longe, nosso PNI é o melhor do mundo. Nos 50 anos do nosso Programa de Imunização estamos enfrentando três obstáculos que nunca enfrentamos antes: falta de coordenação, de liderança e legitimidade do Ministério da Saúde. Nunca tivemos no Brasil uma campanha de vacinação em massa onde o Ministério da Saúde não tivesse tido papel central, de liderar, coordenar, planejar e dar apoio técnico, logístico e de insumos aos estados e municípios”.

Temporão destacou que, também pela primeira vez, o país vai enfrentar uma campanha de vacinação com uma máquina de fakenews contra as vacinas e que, em todas as outras situações, o país já contava com vacinas pré-existentes ou foi possível – como no caso da Influenza – dispor de uma vacina que pudesse ser utilizada em campanha de massa.

“Dessa vez, estamos utilizando vacinas de plataformas tecnológicas novas e a ciência mundial deu a resposta. Nossas duas grandes instituições – Butantan e Fiocruz – deram suas respostas, mas a angústia que temos é que sabemos que não temos no horizonte, em termos de disponibilização do número de doses, a realização de uma grande campanha em curto espaço e com impactos coletivos que reduzam a circulação do vírus, internações e mortes”.

Padilha reforçou a capacidade do PNI na fala de Temporão. “É possível o Brasil vacinar 80 milhões de pessoas em três meses, já fizemos isso na campanha de vacinação da gripe. 80 milhões de brasileiros são mais ou menos todos os profissionais de saúde, idosos, população indígena e quilombola, profissionais de educação, segurança pública e manutenção das cidades, os professores e pessoas com deficiência. É possível vacinar a população de risco antes de começar o outono/inverno de 2021, onde o número de casos pode ser maior”.

O hoje senador Humberto Costa diz ter expectativa grande de poder se vacinar, com a previsão para o início de março, mas diz estar pessimista com relação ao cumprimento dessa meta e estar muito preocupado com a situação do país já que há aumento da capacidade de contágio do vírus.

“Neste momento estamos vendo pessoas jovens adoecendo de forma grave e, portanto, vamos ter que mudar o pneu com o carro andando. A vacinação se dará no pico do aumento, novamente, do número de casos e mortes. O quadro que vemos no país é a cobrança na rapidez da vacina, mas também a continuidade das medidas de prevenção sob pena de termos um quadro gravíssimo. A vacinação é essencial e urgente. Não vou falar dos erros que o governo cometeu, de negociar somente duas vacinas, temos agora que buscar uma força de pressão que vá para cima do governo, que só funciona na base de pressão do Congresso e do Supremo Tribunal Federal. Temos que cobrar que a Anvisa tome, rapidamente, posição sobre outras vacinas.”

Sociedade civil e empresarial juntas

A empresária Luiza Trajano agradeceu aos ex-ministros pelo que foi feito pelo SUS e saúde do Brasil em suas respectivas gestões frente ao Ministério, afirmou que irá se vacinar, mas também está preocupada com a população de modo geral.

“Além da tristeza e das inseguranças de saúde, estamos vendo a insegurança do mercado no mundo inteiro. Esse vírus veio para conviver com a nossa impotência e incompetência. A sociedade civil e empresarial deve pensar em parcerias, em formas diferentes de vencer esses obstáculos e ajudar o mais rápido possível a população. Temos quatro pilares da desigualdade social no país: saúde, educação, habitação e emprego. Temos a saúde pronta, o que está na Constituição é perfeito, não tem que mudar nada. É o maior sistema de saúde do mundo para um país com tanta desigualdade social, precisa funcionar, precisa ter gestão”. Luiza reforçou ser a maior divulgadora do SUS após se aprofundar melhor em como funciona o sistema de saúde público brasileiro.

Arthur Chioro avalia que o país corre o risco de ficar para traz nas condições sanitárias, das vidas salvas, da retomada do crescimento e geração de empregos pelos equívocos de condução da pandemia desde o início pelo governo Bolsonaro.

“Nossos erros no enfrentamento a pandemia são graves, a incapacidade de lidar com a desigualdade social em um momento crítico e a crise política gerada por um presidente descomprometido com a vida frente a responsabilidade e condução do que estamos vivendo. Sou médico plantonista e estou programado para tomar a vacina nos próximos dias, mas não me conformo com a falta de perceptivas da garantia de suporte e prazo adequado para garantir a dimensão mais importante que um programa nacional de imunização pode prover, que não é só a proteção individual, mas a garantia da cobertura vacinal em quantidade suficiente para proteção coletiva”.

Último ministro a ocupar o cargo, Teich diz estar disposto a tomar a vacina e preocupado com a implementação de um plano de vacinação eficiente. “Vivi a pressão do que é a Covid-19 e precisamos ter estratégia, planejamento, liderança, coordenação, formação, execução boa e comunicação, se uma delas falhar, teremos muita dificuldade. A Covid sobrecarregou os sistemas de saúde do mundo e vai sobrecarregar o PNI também, não podemos subestimar as dificuldades que possam existir. Nos últimos dois anos não conseguimos bater as metas de vacinação. Se tiver de acrescentar mais 300 milhões de doses, vamos ter um PNI absolutamente sobrecarregado. Vejo a vacina como solução, mas o grande desafio é o quão competente serão o nosso programa de vacinação. A liderança de um profissional de saúde frente a pasta consegue enxergar o cenário da pandemia no momento, uma pessoa leiga, não. Isso faz diferença”.

Confira como foi a live dos ex-ministros da Saúde e a empresária Luiza Trajano

Bolsonaro e o não plano para vacinação



Por Alexandre Padilha para o Le Monde Diplomatique

Recorrendo ao dicionário, podemos definir plano como um substantivo que se define por um “Conjunto de operações programadas para um determinado fim” ou também como “Programa que envolve medidas governamentais para atingir um objetivo”. O “plano” que foi apresentado no dia 16 de dezembro pelo governo Bolsonaro pode ser chamado de tudo, menos de um plano.

O ex-ministro do governo do presidente Allende no Chile, Carlos Matus, afirmava que os resultados de um governo poderiam ser previsíveis diante de algumas variáveis, como: a sua capacidade, o desenho da organização, o projeto de governo existente, capacidade pessoal e institucional e o contexto do projeto do governo.

Outros cientistas políticos e economistas preveriam os resultados de um governo a partir da estratégia deste para enfrentar situações como a Covid-19 e sua capacidade de coordenar a agenda e a estrutura de incentivos existentes.

Independente da perspectiva da análise, todos chegariam a um resultado comum: a inexistência de um plano por parte do governo Bolsonaro para assegurar a vacinação para a população brasileira. O governo, mais uma vez, decidiu ignorar a realidade brasileira, apresentando um plano que em nenhum momento tem como objetivo a vacinação para todos e todas, como deveria ser um Plano Nacional de Imunização.

Apesar do próprio plano do governo apresentar informações de que mais de 160 vacinas estão em desenvolvimento no mundo, sendo que destas 13 se encontram na fase final dos testes, o país até agora só efetuou a encomenda para a vacina produzida pelo consórcio Oxford/AstraZeneca, por meio do acordo COVAX Facillity.

Já se passaram mais de 280 dias desde o primeiro caso no Brasil. Em 280 dias mais de 180 mil brasileiros perderam suas vidas nesta pandemia, mais de 6 milhões de brasileiros tiveram o risco de morrer pela omissão deste governo e, agora, próximos à etapa mais esperada desta guerra, o governo decide pela omissão, pela ignorância, pela morosidade e, principalmente, pela incapacidade.

O governo informou ainda que foram firmados “memorandos de entendimento não vinculantes” com outros produtores, como o Instituto Butantan, Bharat Biotech, Moderna, Gamaleya, Janssen e Pfizer/BioNTech. Em 280 dias de pandemia no Brasil, o governo tem como principal entrega documentos que não geram compromisso entre o Brasil e os produtores de vacina, ou seja, ele transforma o plano de operacionalização em um relatório de sonhos e ideias.

Associada à omissão e à incapacidade, Bolsonaro também se ampara na ignorância, diferente de outros governantes que se comportam como líderes e assumem o compromisso de uma vacinação nacional e exemplar, de modo a assegurar um maior engajamento público com a vacina. Bolsonaro mostra que não é líder, mas sim um mesquinho, ao dizer publicamente que não irá se vacinar e tentando transferir a responsabilidade do Estado em garantir uma vacina segura e eficaz para o povo.

Teremos dias difíceis pela frente, vacinação para todos e todas deve ser a meta central da sociedade brasileira. Por isso, junto com a deputada Jandira Feghalli, apresentamos emenda ao Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias que coloca, como meta para 2021, a vacinação de nosso povo, assegurando aquilo que não é favor deste governo, mas sim sua obrigação. Mesmo com Bolsonaro sendo um entrave para a vida, nossa sociedade vencerá, a começar pela luta no Congresso de assegurar a obrigação de vacinação para todos e já.

Bolsonaro não precisa reinventar a roda. O Sistema Único de Saúde (SUS) é a política pública mais capilar do país, e é responsável por um dos principais e maiores programas de imunização do mundo. Esse mesmo programa foi crucial para o Brasil em diversos momentos e foi o SUS que nos ajudou a enfrentar a pandemia da H1N1, quando, enquanto ministro das Relações Institucionais do presidente Lula, vacinamos mais de 100 milhões de pessoas em menos de 1 ano no Brasil; o país que mais vacinou no sistema público no mundo.

Um plano de vacinação contra Covid-19 para todos, por Alexandre Padilha



Foto: BBC (reprodução)

Por Alexandre Padilha para Revista Fórum

A ocupação militar no Ministério da Saúde permanece demonstrando sua incapacidade de garantir ao povo brasileiro um plano de vacinação contra Covid-19 para todos. Até agora, o governo brasileiro ainda não apresentou uma estratégia de incorporação de várias vacinas que estão em desenvolvimento no mundo. É necessário que o Brasil adquira todas as metodologias técnicas que se comprovem eficazes se não, não seremos capazes de vacinar todos os brasileiros.

As atitudes do governo federal têm adiado, cada vez mais, a possibilidade de termos vacinas contra o novo coronavírus o mais rápido possível. Projetos de vacinação estão sendo incorporados em diversos países e a lentidão do governo Bolsonaro está deixando o país na contramão. Pode acontecer que se esse processo demorar muito, o Brasil não tenha vacinas suficientes.

Bolsonaro estimula a infecção das pessoas, despreza a vida, o risco da Covid-19 e a saúde do povo brasileiro, colocando à frente da defesa da vida, disputas partidárias e ideológicas. Desde o início da pandemia, o Brasil vive ondas de aumento e queda no número de casos e óbitos, nunca registramos estabilidade recorrente.

Pela excelência do nosso Programa Nacional de Imunização, deveríamos estar sendo inspirados no que ocorreu em 2010 na pandemia de H1N1, quando o Brasil liderou mundialmente o programa de vacinação, sendo o país que mais imunizou no mundo.

Naquele momento, a vacina que poderia ser incorporada com mais rapidez, foi a desenvolvida no Instituto Butantan e o governo do estado de São Paulo era comandado pelo maior opositor do governo Lula, à época presidente da República, e em nenhum momento a disputa partidária foi colocada à frente da defesa da vida e era isso que precisávamos estar vivendo no Brasil novamente. Nosso maior inimigo, a ser derrotado, é o vírus, não as vacinas ou institutos públicos.

Ao invés disso, o governo federal fica reiterando a lentidão para incorporação, martelando em apenas uma vacina e estabeleceu guerra com conjunto de outras vacinas em desenvolvimento, como a CoronaVac, do Instituto Butantan, a da Pfizer, do Reino Unido, ou com a russa Sputnik V, e também não preparou o país para mais insumos necessários para aplicação dos imunizantes.

Nesta semana tivemos audiências na Câmara dos Deputados, na comissão que acompanha as ações de enfrentamento à Covid-19, onde representantes do Ministério da Saúde foram convocados para prestar esclarecimentos sobre o plano de vacinação e também sobre o motivo de cerca de sete milhões de testes para a doença estarem encalhados, sendo o Brasil o país que menos testa sua população. Ambos os questionamentos não tiveram respostas plausíveis e muito menos justificáveis.

As ações feitas contra a Covid-19 aqui, desde o início da pandemia, foram planejadas e aprovadas pelo Congresso Nacional. Por isso, vamos continuar lutando para que o governo Bolsonaro tenha o compromisso de incorporar várias vacinas na luta contra a pandemia e vamos obrigar o Ministério da Saúde a fazer parcerias com todos os projetos que mostrem eficácia garantida, para que possamos garantir vacinação para toda população. A vacina da Covid-19 deve ser para todos.

Plano de Vacinação do governo contra a Covid-19 não garante vacina para todos, denuncia Padilha



Foto: Banco de Imagens/gov.br

Com informações do PT na Câmara

O deputado federal e ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT-SP) afirmou que o Plano Preliminar de Vacinação contra a Covid-19, apresentando pelo governo Bolsonaro por meio do ministério da Saúde nessa terça-feira (1), é insuficiente para atender toda a população brasileira. O parlamentar ressaltou ainda que o plano é falho ao definir os grupos prioritários e as quatro fases da vacinação, sem estabelecer datas para início e término da campanha. O petista criticou ainda o plano por excluir opções de vacina em testes como a CoronaVac, do Instituto Butantã em parceria com um grupo farmacêutico chinês.

“O plano de vacinação apresentado pelo Ministério da Saúde deixou claro três coisas: primeiro, Bolsonaro não quer garantir vacina para todos pelo SUS. Segundo, não estabelece quando começa e quando termina a vacinação. Não ficou claro se essas quatro fases vão acontecer ao longo de todo ano de 2021, se vai acontecer em 4 meses ou dois anos. E terceiro, deixou claro e explícito que quer trabalhar apenas com as iniciativas que já têm, excluindo a vacina do Instituto Butantã em parceria com o grupo chinês”, explicou Padilha.

Segundo o Ministério da Saúde, na primeira fase da vacinação devem entrar trabalhadores da saúde, população idosa a partir dos 75 anos de idade, pessoas com 60 anos ou mais que vivem em instituições de longa permanência (como asilos e instituições psiquiátricas) e população indígena.

Em um segundo momento, entram pessoas de 60 a 74 anos. Já a terceira fase prevê a imunização de pessoas com comorbidades que apresentam maior chance para agravamento da doença (como portadores de doenças renais crônicas e cardiovasculares). A quarta e última deve abranger professores, forças de segurança e salvamento, funcionários do sistema prisional e população privada de liberdade.

109,5 milhões de pessoas imunizadas

Ao todo, os quatro momentos da campanha somam 109,5 milhões de pessoas imunizadas, em duas doses dos imunizantes já garantidos pelo Ministério da Saúde – Fiocruz/AstraZeneca e por meio da aliança Covax Facility.

Atualmente o Brasil possui mais de 212 milhões de habitantes, mas segundo informação do próprio ministério o País tem garantido até agora somente 142,9 milhões de doses de vacinas, distribuídas em 100,4 milhões de doses dos acordos Fiocruz/AstraZeneca e 42,5 milhões com a Covax Facility.

Segundo o ministério, o plano de vacinação apresentado é preliminar e sua estrutura final dependerá das vacinas disponibilizadas. Sobre outras opções de compra, o ministério informou que mantém contato com representantes dos laboratórios Pfizer BioNTech, Moderna, Bharat Biotech (covaxin) e Instituto Gamaleya (sputinik V), que também possuem vacinas em estágio avançado de pesquisa clínica, para “aproximação técnica e logística”.

A vacina CoronaVac, do Instituto Butantã em parceria com o grupo chinês Sinovac, não foi citada na nota oficial do Ministério da Saúde que detalhou o plano preliminar de vacinação contra a Covid-19.

 

No aumento de casos de Covid-19, mais uma vez Bolsonaro deixa o povo brasileiro no escuro



Imagem/Divulgação

Por Alexandre Padilha para Revista Fórum 

A pandemia da Covid-19 no Brasil é uma grande e violenta onda, semelhante ao fenômeno natural chamado “pororoca”, característico da região amazônica, onde mar e rio se encontram e formam permanentemente grandes oscilações e elevações na água. Somos o único país do mundo que registrou por mais de 14 semanas mais de mil óbitos pela doença por dia. Tivemos redução no número de mortes, mas nunca chegamos ao patamar de países da Europa, por exemplo. Permanecemos na marca de 400 ou 500 mortes diárias e há duas semanas esses números vêm crescendo.

Voltamos à taxa de transmissão, que mede o risco de uma pessoa contaminada transmitir a doença para mais pessoas, registrada no mês de maio, quando ocorreu um forte crescimento do número de casos. Ou seja, vivemos um momento muito preocupante.

Dados mais recentes do governo do Estado de São Paulo apontam 22% de aumento das internações em UTIs por Covid-19 e especialistas avaliam que neste cenário o ideal é endurecer as medidas de isolamento, inclusive retornando a fases mais restritivas do plano do governo de reabertura das atividades.

O que revolta é a atitude do governo Bolsonaro em manter estocado num depósito cerca de sete milhões de testes que poderiam estar sendo utilizados para diagnosticar a doença. O governo federal deixa, mais uma vez, o povo brasileiro no escuro, sem lanterna para alento, em meio à maior tragédia humana que nosso país já enfrentou, com mais de seis milhões de infectados e 170 mil mortes.

Se esses testes estivessem sendo executados ajudariam a identificar os casos. Mostraria onde estão essas pessoas, para traçar o que chamamos na área da vigilância em saúde, de perfil epidemiológico, que é quando é feito o rastreamento da doença para identificar, monitorar e evitar mais transmissões.

Nesta semana, nós, deputados e deputadas que compomos a comissão externa da Câmara dos Deputados, responsável por acompanhar as ações de combate à pandemia de Covid-19, convocamos os representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Ministério da Saúde para explicarem por que essa grande quantidade de testes está parada em meio ao crescimento do número de casos no país que é o segundo no mundo em número de mortes, o terceiro em número de infecções, o 10º em mortes por um milhão de habitantes e o 103º em número de testes por milhão de habitantes.

Cobrei dos representantes transparência sobre a compra de todos os testes de detecção. O governo federal anunciou meta de realização, até dezembro deste ano, de 24 milhões de exames para diagnóstico. Qual é a meta do Ministério da Saúde, já que há denúncias de compras e reincidência de estoque de testes parados? Além disso, questionei o que será feito daqui para a frente pelo governo diante do crescimento do número de casos para enfrentamento desta situação.

É urgente a necessidade de revisão da retomada do fortalecimento do sistema de saúde público para enfrentamento da Covid-19, das medidas de reabertura das atividades, além de reforçar as precauções e ampliar o número de testagem.

A responsabilidade do desenvolvimento de uma vacina para Covid-19



Foto: Senado Federal

Por Alexandre Padilha para Revista Fórum 

Nos últimos dias, tenho recebido muitos pedidos para esclarecer sobre a produção e distribuição das vacinas que estão em desenvolvimento contra a Covid-19 no Brasil. Primeiramente, é preciso estar muito claro para todos que o governo federal e o Ministério da Saúde, têm obrigação de conduzir de maneira técnica e responsável uma estratégia para que nosso país detenha a tecnologia de várias vacinas, não de apenas uma.

Não é apenas um tipo que vai dar conta de vacinar toda nossa população, que possui indicação para tomar o imunizante contra a Covid-19. Quanto mais técnicas e metodologias tivermos, e soberania para aquisição no SUS, certamente podemos fazer uma combinação vacinal mais forte e potente.

Há 10 anos, no meio da pandemia de H1NI1, o Brasil produziu uma vacina para o vírus firmada através de acordo de transferência de tecnologia com o Instituto Butantan. A garantia da soberania desta incorporação com a transferência de tecnologia aberta tornou o Brasil o país do mundo que mais vacinou pessoas em um sistema público. A planta industrial da vacina do H1N1 deveria ser o legado para a vacina contra o novo coronavírus.

Ocorre que, além da superação da pandemia da Covid-19, onde tivemos até agora mais de 162 mil vidas perdidas, estamos passando por uma guerra política absurda entre vacinas, o que não é nada saudável para Brasil.

Há cerca de um mês, foram suspensos os estudos da vacina em produção pela Fiocruz, em parceria com a Universidade de Oxford, por conta do registro de um óbito entre os voluntários, que depois se confirmou não ter relação direta com os testes. E o mesmo aconteceu nesta semana com a vacina que o Instituto Butantan está produzindo em parceria com o laboratório chinês Sinovac. O anúncio da suspensão dos testes foi feito pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), mesmo sem confirmação da causa do óbito.

Foi grave o atraso e a falta de comunicação entre a Anvisa e Instituto Butantan em relação ao caso. As desculpas burocráticas da Anvisa não estão à altura da responsabilidade que é o desenvolvimento e acompanhamento dos estudos para a produção de uma vacina contra a doença que está ocasionando a maior tragédia humana que o país já enfrentou.

A Anvisa tem a responsabilidade de garantir a transparência de todos os processos, do desenvolvimento de todas as vacinas que estão em produção no Brasil. O Congresso Nacional e o Tribunal de Contas da União estão fiscalizando todos os fluxos para que não ocorra nenhuma atitude política que fuja do papel técnico do órgão. Caso aconteça, os atos estão sujeitos a crime de responsabilidade administrativa. 

Para que todos possam ter o devido esclarecimento sobre o que ocorreu, protocolei no Congresso Nacional pedido de convocação do ministro da Saúde e de diretores da Anvisa à comissão que acompanha as ações de enfrentamento da Covid-19 na Câmara dos Deputados, para que expliquem de maneira clara e transparente a demora para se obter uma informação de um evento grave como esse e que não tem qualquer relação com o teste da vacina.

Além disso, nós, dos partidos de oposição, entramos com uma Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental no Supremo Tribunal Federal, para que o governo Bolsonaro esclareça a suspensão dos testes o mais rápido possível.

É assustadora a chacota do presidente em relação a esta parceria com o laboratório chinês. Bolsonaro está promovendo uma xenofobia ideológica em cima desta vacina, e após a decisão errada de suspender os testes sem saber o motivo real da morte do voluntário, chegou a celebrar este óbito.

Queremos uma vacina eficaz para todos, independentemente de sua origem, para superarmos a pandemia. Bolsonaro insiste em derrubar a ciência, cultiva mentiras e evidencia o questionamento sobre a obrigatoriedade da vacina para proteção da população. A consequência é o atraso no planejamento das diversas etapas para introdução no calendário vacinal deste novo imunizante para salvar vidas.

A covid-19 e o aumento da violência contra mulher foi o tema do programa Rede em Defesa da Vida desta segunda (9)



O confinamento causado pela pandemia da covid-19 deixou às vítimas de violência ainda mais expostas aos seus agressores no ambiente doméstico. A incidência de casos de violência contra mulher apresentou crescimento no país e no mundo. Dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos mostram que já no primeiro mês de quarentena, denúncias de violência contra mulher ao 180 cresceram 40% em relação ao mesmo período de 2019.

Nesta segunda (9)  o programa Rede em Defesa da Vida da TV PT que é ancorado pelo deputado federal e ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, abortou o assunto com a deputada estadual e presidenta da Apeoesp, professora Bebel, a advogada e candidata a vereadora pelo PT em SP, Vivi Mendes, e a advogada e candidata a vereadora pelo PT de Araraquara, Thainara Faria.

Padilha abriu o debate reforçando os ataques promovidos às mulheres pelo governo Bolsonaro e a falta de iniciativas para o enfretamento em especial na pandemia da covid-19 que mostrou a alta da violência no ambiente domestico, no trabalho, e o machismo escancarado.

A vereadora e candidata a reeleição em Araraquara, Thainara Faria reiterou que a mulher não é alvo apenas da violência física e sexual, mas também social e psicológica e que a estruturação de uma rede de solidariedade é primordial para a redução dos danos causados.

“Araraquara, através do prefeito Edinho Silva, tomou medidas fundamentais para o enfrentamento da doença. Uma delas foi criar uma rede de solidariedade para ajudar as mulheres em além de como lidar com os filhos em casa ou com a quantidade de refeições diárias, mas também oferecendo suporte psicológico. O governo Bolsonaro antes da pandemia já tinha feito muitos desmontes nas políticas para as mulheres, com a covid-19 faltou ouvir as necessidades das mulheres, que no contexto do isolamento social tiveram que ficar em suas casas com seus agressores e também tiveram suas rotinas completamente afetadas. Nessa sociedade machista, faltou humildade para escutar as demandas de quem esta comprometido com a redução das violências contra as mulheres.”

Para a candidata a vereadora pelo PT em São Paulo, Vivi Mendes, o isolamento social é a determinação para que as pessoas possam se proteger e proteger suas famílias da covid-19, mas também é a determinação que coloca a vida de muitas mulheres em risco. Além disso, as mulheres são as que sofrem de forma mais ampla por serem as primeiras a perderam o emprego, as últimas a retomarem as suas funções e as que tem a maior perda de renda.

“Somos as que mais sofrem com as consequências das crises ocasionadas pela pandemia da covid-19, que também são uma violência contra nós. Temos visto a dificuldade das mulheres de continuarem suas trajetórias nos tempos atuais e vemos poucas medidas efetivas para essa redução tanto do governo Bolsonaro quanto em São Paulo, com Dória e Bruno, que tem pouco compromisso com a vida das mulheres e não apresentaram medidas efetivas para o enfrentamento também dessa pandemia que é a violência de gênero”.

A deputada Bebel avaliou o aumento da violência contra mulher e o feminicídio como duas chagas que enfrentamos e que estão muito mais explícitos. “Temos instrumentos de enfretamento importantes como a Lei Maria da Penha, mas há casos em que a mulher fica sem reação do que fazer, porque a violência física, sexual e moral nos deixa depredados e a misoginia faz com quem nós, mulheres, temos que nos impor constantemente. Estamos em um momento impar e a sociedade precisa eleger prefeitos e vereadores que defendam aquilo que estruturalmente está sendo atacado como a diversidade, as mulheres e os negros.”

A “Rede em Defesa da Vida” é uma Frente de Proteção com intuito de levar informações sobre a crise sanitária ocasionada pela covid-19 e que tem por missão fortalecer a vida e o SUS. Faça parte e colabore com a ampliação da Rede compartilhando ou disponibilizando a transmissão do programa nas suas redes sociais para que a defesa da vida seja difundida para o maior número de pessoas. Caso precise de ajuda para reproduzir a live, entre em contato com a gente nas redes @padilhando ou pelo WhatsApp (11) 97581-4398.

Veja como foi o programa na íntegra:

Covid-19: Padilha apresenta PL que obriga governo a testar população



CC.0 Fernando Zhiminaicela – Luis Macedo-Ag. Câmara

Com informações da Rede Brasil Atual 

O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) protocolou nesta quinta-feira (29) o Projeto de Lei (PL) 5.068, que cria o Programa de Testagem e de rastreamento de casos de covid-19, de abrangência nacional, no âmbito do SUS. A proposta está alinhada com recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) como estratégia de controlar o avanço do contágio. O país tem mais de 5 milhões de casos confirmados e mais de 158.600 óbitos causados pelo novo coronavírus.

Mesmo assim, o Brasil é um dos países com a menor testagem por mil habitantes em todo o mundo – mais um dos fatores que mostram a política de descaso de Jair Bolsonaro com a pandemia e, principalmente, com os brasileiros.

O projeto do ex-ministro da Saúde no governo Dilma Rousseff busca forçar a adoção de medidas protetivas para a população, em contraponto ao relaxamento do distanciamento social com a pandemia ainda fazendo centenas de vítimas diariamente no país. O Brasil segue com altas taxas de contaminação e mortes em um momento em que a Europa já enfrenta uma segunda onda da doença e retomando medidas rígidas de isolamento.

Pela proposta, o governo deverá realizar testes sorológicos a cada 15 dias. Terão prioridade profissionais de saúde da rede pública e privada no exercício da profissão, que atuam na linha de frente das medidas de combate à covid-19, aqueles que atuam na abordagem direta ao cidadão, os que trabalham em locais com grande concentração de funcionários, idosos, pessoas do grupo de risco, aquelas com doenças respiratórias, crônicas, de baixa imunidade ou outro tipo de enfermidade que favorece o contágio.

Cuidados

Já o teste RT-PCR deverá ser realizado em todos os que apresentarem pelo menos um dos sintomas da covid-19, mesmo que leves, como redução de olfato, do paladar , febre, coriza, dor de garganta, diarreia, vômitos, dificuldade de respirar e baixa saturação (porcentagem de hemoglobina no sangue), entre outros.

Para reduzir o risco de contágio das pessoas que buscam atendimento nas unidades de saúde, o teste sorológico em massa deve priorizar os profissionais de saúde da rede pública e privada no exercício da profissão, que atuam na linha de frente das medidas de combate ao COVID-19, assim como os demais trabalhadores da saúde.

As pessoas que tiverem resultado positivo no teste deverão ser direcionadas para uma das unidades de saúde no município específica para controle e tratamento da covid-19. E aos familiares que tiveram contato com a pessoa infectada também deverão ser testados e isolados por 14 dias para observação da evolução da doença.

Se a lei for aprovada, o governo federal terá 15 dias, a partir da sanção, para estabelecer calendário para testagem da população. E deverá utilizar meios de comunicação oficiais para a ampla divulgação dos testes para e esclarecer dúvidas da população.

Contra a inércia

“Estou apoiando no Congresso Nacional iniciativas de vereadores em São Paulo e de deputados estaduais paulistas, como a professora Bebel, na Assembleia Legislativa. Diante da inércia do governo federal e do prefeito Bruno Covas (PSDB), precisamos de leis federais, estaduais e municipais para obrigar o mínimo que nós precisamos para o enfrentamento à pandemia que é a testagem em massa”, disse Padilha à RBA.

Ontem, (28) a deputada estadual Professora Bebel (PT) apresentou à Assembleia Legislativa proposta semelhante à apresentada por Padilha. “A covid-19, doença decorrente, já ceifou a vida de mais de 158 mil brasileiros, com cerca de 5 milhões e 450 mil casos confirmados em todo o país. No estado de São Paulo, quase 39 mil mortes e mais de 1 milhão de casos confirmados”, argumentou Bebel.

Para a deputada, não basta apenas o isolamento social, uso de equipamentos de proteção individual, higienização permanente dos ambientes e constante higiene pessoal, sobretudo o hábito de lavar as mãos. “Mais do que isso, é necessário que as autoridades sanitárias conheçam a evolução da pandemia entre a população. Dessa forma, é fundamental a aplicação de testes em massa para covid-19, tanto para a proteção das famílias e pessoas que convivem diretamente com os infectados, quanto para a construção de estratégias para a prevenção, os tratamentos e a disponibilização de estruturas hospitalares, além da eventual tomada de decisão quanto ao isolamento territorial”.

É possível tornar as cidades livres da covid-19



Por Alexandre Padilha para Revista Fórum 

Foi dada a largada das campanhas para as eleições municipais para escolha de prefeitos e vereadores nas cidades e, neste cenário da pandemia da covid-19, que é a maior tragédia humana que o Brasil já enfrentou, é fundamental que escolhamos representantes que defendam a vida com boas propostas para superar esta crise e tornar as cidades livres da covid-19.

A crise sanitária mostrou que políticas municipais devem estar ainda mais coordenadas com medidas emergenciais e de transformações a longo prazo. É preciso agir para proteger a vida, sobretudo dos mais pobres e dos que mais precisam, que são a maioria da população.

Certamente todos nós conhecemos pessoas que foram vítimas fatais da covid-19 ou famílias que estão sofrendo com as consequências da pandemia, com a perda de renda e emprego. Por isso, nosso maior desafio no momento é como superar os efeitos da pandemia, com aplicação de políticas públicas necessárias. Trago neste espaço propostas que considero fundamentais para a escolha de um candidato ou candidata que me represente.

Uma cidade livre da covid-19 deve garantir que toda pessoa e família tenha o acompanhamento de saúde por uma equipe do programa Estratégia Saúde da Família para monitoramento dos casos suspeitos e confirmados de covid -19, casos com sequelas e também das pessoas que estão com outros problemas de saúde e que tiveram seus tratamentos adiados por conta da pandemia. As pessoas que estão em situação de rua deverão ser acompanhadas por uma equipe de Consultório na Rua e acolhidas.

As administrações municipais devem assegurar a abertura e o funcionamento de todos os serviços de saúde, inclusive manter as estruturas que foram ampliadas durante a pandemia no pós-pandemia para o fortalecimento do SUS. As escolas devem ser um ambiente livre da COVID-19 e garantir estrutura necessária para estudantes e professores. Toda criança deverá permanecer recebendo merenda, priorizando alimentos da reforma agrária, de pequenos produtores, mesmo em período de quarentena.

Todos os trabalhadores devem estar protegidos no seu ambiente de trabalho, com máscaras, equipamentos de proteção, local adequado para refeição com devida ventilação e priorização de testes. Os locais de atendimento ao público deverão ter pontos de lavagem de mãos, higienização, proteção aos usuários e aos trabalhadores garantidos pelos empregadores e, nos casos de atendimento dos serviços municipais, ampliação das Ouvidorias, forma em que a população possa questionar e denunciar falta de entendimento.

A gestão deve incentivar a abertura de bolsas de garantia de renda e qualificação profissional para os jovens, para que eles participem de programas de melhoria na qualidade de atendimento da população nos serviços públicos. As atividades culturais deverão ser readaptadas para o período de distanciamento físico e social com programas de incentivo e custeio à produção cultural local.

É possível planejarmos a superação da pandemia e tornar as cidades livres da covid-19, o primeiro passo é escolher representantes que façam a diferença, defendam a vida, o SUS, e os que mais precisam.

Rede em Defesa da Vida debate a covid-19 e a mudança nas cidades



No dia em que o mundo chega a marca de um milhão de óbitos confirmados por covid-19, sendo mais de 140 mil no Brasil, o programa Rede em Defesa da Vida da TV PT desta segunda (28) trouxe para o debate a discussão sobre a necessidade de transição das políticas públicas nas cidades para o enfrentamento da doença, em especial neste momento em que se inicia o período das campanhas políticas das eleições municipais de 2020.

Com o tema “A covid-19 e a mudança nas cidades” o programa, que é ancorado pelo deputado federal e ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, contou com a participação da arquiteta e conselheira do Instituto Lula, Clara Ant, a procuradora municipal e candidata pelo PT a prefeita de Cubatão, Paula Ravanelli, e o vereador e candidato pelo PT a prefeito de Campinas, Pedro Tourinho.

“A crise sanitária nos mostrou que as políticas públicas devem estar coordenadas com medidas emergenciais e de transformação das cidades. Por isso, os gestores públicos devem planejar e apresentar ações de defesa da vida, sobretudo dos mais pobres, para que as cidades tenham estrutura e deixem a população protegida”, avaliou Padilha,

Clara Ant é autora do artigo “Preparar uma transição que preserve vidas” , publicado no portal da Fundação Perseu Abramo, onde sugere a urgência na execução de importantes intervenções nos locais e serviços públicos diante do agravamento das desigualdades ocasionadas pela pandemia. Segundo ela, a crise sanitária é tratada legitimamente pela área da saúde e ciência, mas o enfrentamento das consequências da pandemia é de todos, em especial de responsabilidade dos gestores públicos, que devem criar neste momento as condições para o “novo normal”.

“Sou do grupo de risco, vivo a tortura interna e psicológica ocasionadas pelo medo e o isolamento social, e pela minha responsabilidade como militante política, construí as sugestões de medidas para a defesa da vida nas cidades. Como as pessoas vão lavar as mãos se não possuem água em casa? Como os entregadores ou os trabalhadores que passam o dia nas ruas vão lavar as mãos se não há locais ou banheiros públicos suficientes para isso? Essas questões estão mais presentes e redes de apoio conseguiram diminuir o sofrimento da população, mas o poder público tem a obrigação de garantir esses serviços a população”.

Para Paula Ravanelli o debate do futuro que queremos para as cidades deve ser participativo. “Nosso plano de governo para Cubatão foi construído de maneira colaborativa com a premissa de um novo modelo de desenvolvimento para a cidade, não mais focado no polo petroquímico mas em outras oportunidades para o fortalecimento e renda da nossa economia local”.

Plano emergencial para o combate a covid-19 em Campinas 

As medidas para a transição de Campinas na preservação de vidas foi apresentada pela chapa PT/PSOL e defende a adoção de ações imediatas contra a covid-19 como a testagem em massa, ampliação das compras públicas, crédito social e mais contratação de profissionais de saúde.

“Estamos vivendo o contexto de uma crise sanitária dramática e diante do governo Bolsonaro precisamos de gestões municipais protagonistas com capacidade real de serem instrumentos de mobilização social. As Prefeituras deverão estar ativas para o fortalecimento das economias locais com projetos que associam e que geram emprego e renda com a dimensão clara da necessidade de proteção e fortalecimento das políticas públicas que garantam a dignidade da população”, explica Pedro Tourinho.

Lei da Assistência Técnica da Habitação de Interesse Social (Athis)

Clara frisou a importância da aplicação da Lei Athis (nº 11.888/08) que assegura que o poder publico deve prover as populações vulneráveis com assistência técnica de profissionais da construção. “Esta lei ainda não é colocada em prática em sua totalidade e, por isso, candidatos e candidatas a prefeitos devem entrar em contato com as organizações de arquitetos para ampliar a sua implementação nas cidades.

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Artigo: preparar uma transição que preserve vidas

Veja o debate na íntegra: