A guerra é contra o covid-19, não com quem desenvolve vacinas



Foto: Dado Ruvic/Reuters

Por Alexandre Padilha para a Carta Maior 

Fatos recentes aumentaram a preocupação sobre as dificuldades de acesso e o sucesso de vacinas que estão em desenvolvimento contra covid-19. Também escancaram o quanto o desenvolvimento de um produto como esse vai além da preocupação em salvar vidas e passou a ser o componente estratégico da capacidade de recuperação econômica dos países que possam deter essa produção como também de ação e política extrema dessas nações.

O anúncio de Trump dos EUA ter comprado um ano dos estoques de duas possíveis vacinas produzidas pelo país ou do anúncio feito pelo governo da Rússia, pelo seu líder Putin, do registro e início de uso de uma vacina desenvolvida pelo país contra covid-19 são exemplos. Está em jogo preocupações cientificas legítimas, interesses econômicos mercadológicos, mas, sobretudo, o componente estratégico fundamental para a recuperação da economia, política externa e reposicionamento geopolítico no mundo.

O tema do acesso a vacinas e medicamentos eficazes para covid-19 foi central na última assembleia geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) onde ficou nítida a diferença da posição da China, que defende a vacina como bem público para humanidade, e dos EUA que manteve a sua posição do monopólio de patentes de quem as desenvolve.

Temos dois grandes desafios para o desenvolvimento de vacinas contra a covid-19, o primeiro é o cientifico. Nos últimos 20 anos, as grandes vacinas para doenças demoraram ao menos cinco anos para serem descobertas e o Brasil participou de vários grandes projetos. Não é fácil desenvolver uma vacina, sobretudo, para um vírus novo que tem família que ainda não conseguimos identificar uma imunidade protetora por muito tempo.

São mais de 120 projetos de vacinas no mundo e o Brasil, através das suas instituições públicas, já participa de quatro grandes projetos que estão fase de testes em humanos. A parceria da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) com a Universidade Oxford/ AstraZeneca, do Instituto Butantan com a empresa estatal chinesa Sinovac, da Pfizer/ BioNTech e da russa Sputnik V com o Instituto Paraná.

Essas parcerias com instituições internacionais se deram porque temos importantes instituições públicas no nosso sistema de saúde, toda a nossa rede pública de ciência e tecnologia são reconhecidas internacionalmente. E também porque a escolha dos testes no Brasil infelizmente se dá pela alta transmissão. Quando se avalia uma vacina, os resultados de eficácia são a comprovação de imunidade protetora vista em exames laboratoriais e a proporção de pessoas infectadas quando expostas a realidade de alta transmissão.

Acredito que seja possível termos uma vacina no primeiro semestre de 2021, mas a estratégia de vacinação vai depender muito do resultado de eficácia dos estudos.

O outro grande desafio é o acesso as essas vacinas porque apesar de alguns países defenderem a saúde como direto, que as descobertas da ciência sejam bens públicos, outros são totalmente contrários. É reconhecido internacionalmente nas regras do comércio exterior que um país ao exigir um produto, um bem da saúde, que ele sirva para salvar vidas e seja um bem público, que possa inclusive fazer aquilo que chamamos de licença compulsória, que é quando a empresa comercializa naquele país tal produto, ela tem que autorizar que qualquer outro laboratório privado ou público possa produzir. Esse é um jogo de negociação que é o segundo grande desafio que temos.

Todo mundo se assustou quando o Trump anunciou que os EUA compraram todo o estoque inicial de duas vacinas que estão em desenvolvimento no país. Elas também estão sendo testadas e ainda não se sabe o grau de eficácia. De qualquer forma, os EUA adquiriram todo o estoque de 2020 e 2021 das vacinas, antecipadamente.

O problema é que quando se tem o monopólio de produção e comercialização se permite praticar uma margem de lucro absurda. Eu sou favorável que a empresa que desenvolveu recupere seu investimento, seja pago por isso, é correto. O problema é que se é praticado um tamanho de lucro gigantesco. Outro exemplo, a empresa Gilead, também dos EUA, registrou um primeiro antiviral que pode reduzir o período de internação na UTI, que é o remdesivir, ela registou esse medicamento a quatro mil dólares o tratamento nos EUA. Agora, o que é impressionante é o custo para produzir esse medicamento que é menos de 30 dólares, ou seja, é um lucro de mais de 100 vezes por tratamento.

Esse é o tamanho do lucro que algumas empresas pretendem ter. Então, se mantém o monopólio para uma empresa, se tem o risco do Trump ou meia dúzia de países comprarem todo o estoque de algumas empresas ou elas quererem lucrar muito em cima disso.

A maioria das empresas utilizam de subsídios do estado ou dos institutos de pesquisas públicos, no Brasil para testar e avaliar, vai se utilizar a estrutura do Sistema Único de Saúde (SUS) para recrutar os pacientes.

Assusta o isolamento do Brasil nesse jogo internacional. Verdadeiras coalizões são montadas entre países para discutir acesso a vacina e medicamentos para o enfrentamento de uma pandemia como essa. O debate do acesso a vacina são duas grandes coalizões, uma liderada pelos países de renda alta, onde o Brasil sempre fez parte embora seja um país de renda média porque tinha uma certa liderança na saúde global. A outra, o fundo destinado a países de renda baixa, liderado pela OMS e indústria farmacêutica, do qual o Brasil e demais países de renda média estão fora. Para se ter ideia, nas Américas, apenas o Haiti entra nesse critério. O fato dos países da América Latina serem extremamente desiguais, tendo milhões de pessoas nos padrões dos países de renda baixa é desconsiderado.

Na pandemia de H1N1 as primeiras vacinas que surgiram abasteceram o hemisfério norte, o Brasil conseguiu fazer um grande programa de vacinação da H1N1, onde foi feita uma grande transferência de tecnologia. Essa política foi construída durante os governos Lula e Dilma e estabeleceu que o processo de incorporação de novas vacinas no SUS, a empresa privada deveria transferir o conjunto da tecnologia aberta para os laboratórios públicos brasileiros, para que tivéssemos soberania na produção da vacina. Os acordos anunciados até agora, tanto da vacina da Fiocruz/Unifesp/Oxford/AstraZeneca e do Instituto Butantan/Sinovac são acordos de transferência de tecnologia aberta nos moldes das políticas desenvolvidas nos governos Lula e Dilma.

Na parceria Fiocruz/Unifesp/Oxford/AstraZeneca o investimento é de R$ 1,9 bi para comprar 100 milhões de doses e toda a transferência de tecnologia será para as instituições públicas. Para se ter uma ideia, Trump comprou por 1,9 bilhões de dólares 100 milhões de doses sem garantir transferência de tecnologia para um laboratório público dos EUA.

Estamos pagando valores cinco vezes menores com toda a transferência da tecnologia para o Brasil, o que fará da Fiocruz ser exportadora dos fundos internacionais. O que pode significar um avanço importante para o Brasil.

Seja russa, chinesa, estadunidense, alemã ou de qualquer outro país, ainda temos desafios científicos e de garantia de acesso do conjunto da população para termos uma vacina de distribuição de larga escala para covid-19. Todos esses anúncios devem nos servir de esperança, mas ao mesmo tempo, uma grande certeza: a única vacina que temos hoje é o distanciamento físico, a redução do contato social e as medidas de bloqueio de transmissão da covid-19.

Não há alegria que contagia o futebol sem a responsabilidade com a Covid-19



Foto: Vitor Silva/Botafogo

Por Alexandre Padilha para Revista Fórum

Me preocupa muito como médico e torcedor brasileiro que valoriza muito o futebol o processo de retomada dos campeonatos da forma como está acontecendo. Esse debate em meio ao aumento do número de casos suspeitos e confirmados da Covid-19 é urgente. Por isso, entrei com um pedido na comissão que analisa as ações de enfrentamento à Covid-19 na Câmara dos Deputados para que seja realizada uma audiência pública sobre o tema.

Este tema não deve ser uma disputa entre FLA X FLU, Corinthians x Palmeiras, Galo x Cruzeiro ou Ceará x Fortaleza, precisamos ouvir todos os clubes. Se é para retomarem os campeonatos, como conseguir na região que não tem redução de casos suspeitos e confirmados de Covid-19? Países do mundo que já retornaram conseguiram controlar a progressão da pandemia com protocolos. A experiência da retomada do campeonato da NBA, basquete americano, ou das finais da Champions League, acontecem com protocolos rígidos, com sede única dos jogos, sem expor os jogadores, os profissionais e a população a viagens entre os estados ou países.

Serão convidados para esta audiência na comissão todos os atores do futebol, os dirigentes dos times, da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para debater que se é para ter campeonatos, que sejam com protocolos e regras estabelecidos previamente, para que essa retomada signifique segurança a vida das pessoas, jogadores, equipe técnica, jornalistas comentaristas, em especial após os casos já confirmados nos times.

O futebol é nossa paixão nacional. Por isso o retorno dos campeonatos deve ser tratado com cuidado, ouvindo as autoridades médicas e as instituições de saúde.  Não podemos banalizar e naturalizar a situação perigosa e triste que estamos vivendo, são vidas em jogo e as instituições futebolísticas devem passar bons exemplos.

Para proteger uma das tradições mais importantes do país vamos debater sobre a retomada dos campeonatos nacionais. O futebol também é importante para nossa identidade cultural e econômica e não pode entrar como mais marca da tragédia da Covid-19.

O Brasil é o país onde mais morreram gestantes por covid-19



Foto: Reprodução

Por Alexandre Padilha para Revista Fórum 

Estamos chegando a marca de 100 mil óbitos e 3 milhões de casos confirmados por covid-19. Ainda somos o segundo país com maior número de casos e óbitos pela doença no mundo, e também o país com mais mortes de profissionais da saúde e de gestantes. Cerca de 80% das gestantes do mundo que morreram por covid-19 são brasileiras, de cada 10 gestantes do mundo que vieram a óbito por covid-19, 8 foram no nosso país.

Entre tantos assuntos para o enfrentamento da covid-19 debatidos na Comissão Externa que analisa ações para o combate da doença na Câmara dos Deputados, esta semana discutimos a situação da gestante no Brasil durante a pandemia. O país registra mais de 200 óbitos de gestantes ou no pós-parto, sendo maior mortalidade em mulheres negras.

Nesta reunião estiveram presentes representantes do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal de Santa Catarina, da Faculdade de Enfermagem da Universidade de Campinas, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Federal de Campina Grande, além Secretário Nacional de Atenção Primária do Ministério da Saúde.

Abordei a alta mortalidade materna por covid-19 e questionei o representante do Ministério da Saúde sobre a afirmação de que “não há dúvida que a alta mortalidade materna em decorrência da covid-19 está relacionada ao fato das gestantes não procurarem os serviços de saúde no tempo adequado por conta da recomendação do fique em casa”. Indaguei se esta avaliação é respaldada por estudos técnicos, incluindo com outras referências internacionais de países que adotaram o isolamento social de maneira mais adequada.

A professora do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal de Santa Catarina, Roxana Knobel, apresentou dados do Grupo Brasileiro de Estudos de Covid-19 e Gestação criado pela instituição que aponta a piora da evolução dos óbitos de gestantes e também a diferença racial entre os óbitos de mulheres brancas e negras, que são hospitalizadas em piores condições. As gestantes brancas internadas com saturação de oxigênio baixa em decorrência da covid-19 representam 30%. Já das gestantes negras, está proporção é de cerca de 50%, mostrando que há dificuldade dessas gestantes em ter acesso aos serviços de saúde.

Depois de quase cinco meses de pandemia com constante alta na transmissão em algumas regiões do país, ainda não existe campanha do Ministério da Saúde com orientações específicas às gestantes. Não há vídeos do Governo Federal ou do Governo Bolsonaro sobre o tema com as pactuações entre os estados e municípios e preocupações de acesso aos serviços de saúde.

A falta de acesso pode ser o principal motivo pelo fato do Ministério da Saúde não ter garantido uma rede ampliada de testagem desde o começo da pandemia. Será que não é esse o motivo da taxa de mortalidade materna ser tão alta?

Além dessa questão, tem chegado a mim relatos de mulheres sobre a não garantia do direito de acompanhante no pré-parto, parto e pós-parto neste momento da pandemia. Pode até se ter justificativa sanitária para essa medida, mas esse não pode ser um dos motivos. Sabemos que a ausência do acompanhante está associada a um conjunto de práticas não corretas na atenção ao parto, que alguns classificam como violência obstétrica. A ausência do acompanhante neste momento por barreiras sanitárias ou por decisões institucionais de aproveitar essa situação e afastar esse direito que está previsto em lei nos mostra o quanto é importante pensar em estratégias para garantir a qualidade da assistência ao parto nesse momento de pandemia.

O fato de sermos o país com maior número de óbitos de gestantes mostra o quanto as mulheres são as mais vulneráveis neste momento de pandemia. A política genocida de Bolsonaro, que não é em defesa da vida, acomete os mais vulneráveis. O acesso a saúde é o nosso maior direito constitucional.

Rede em Defesa da Vida é lançada com debate sobre volta às aulas



Nesta segunda-feira (3) foi ao ar o primeiro programa da Rede em Defesa da Vida, transmitida pela TV PT, com o tema do impacto da retomada das aulas presenciais em meio ainda ao crescimento do número de casos e óbitos da covid-19 no país. O debate de estreia contou com a participação da deputada federal e representante do Núcleo de Educação da Bancada do PT, Rosa Neide, e do senador e ex-ministro da Saúde, Humberto Costa.

Padilha abriu o lançamento explicitando que a Rede em Defesa da Vida é uma Frente de Proteção que tem por missão levar informações sobre a crise sanitária ocasionada pela covid-19, fortalecer a vida e o SUS, assemelhando-se a Rede da Legalidade da luta pela democracia, informação e mobilização do país. “A Rede é construída por todos, parlamentares, militantes, simpatizantes que possuem o dever de levar informações e orientações a todos nesta que é a maior tragédia humana já registrada em nosso país.”

A deputada Rosa Neide, que é professora e gestora da educação, reforçou a importância de se debater a retomada presencial das aulas com segurança para pais e alunos que sofrem com a falta de liderança do governo federal.

“Milhões de estudantes e pais aguardam os encaminhamentos sobre esse tema em nosso país e é por isso que estamos neste debate, para que estudantes, pais, educadores e educadoras tenham segurança para a retomada das atividades escolares. Não temos um planejamento ou um protocolo satisfatório para isso neste momento, não tivemos para as aulas de forma remota e muito menos para as aulas presenciais, por isso, esta Rede é primordial também para dar alento e abrir o diálogo com pais, alunos e professores”.

O senador e primeiro Ministro da Saúde do governo Lula, Humberto Costa salientou a importância da iniciativa da Rede como uma Frente de Proteção e Informação e comentou o estudo apresentado recentemente pela Fiocruz que apontou que a retomada das aulas neste momento significa a exposição da doença a três milhões de pessoas.

“No mundo não vimos países retomarem suas atividades, incluindo as aulas presenciais, sem apresentarem parâmetros para isso, o que não estamos vendo no Brasil. Esse estudo da Fiocruz mostra ainda a capacidade alta de transmissão, onde as crianças se tornaram vetores de contágio para as pessoas que convivem nos ambientes familiares. Há que se levar em consideração que os estados não contam com infraestrutura necessária para evitar o contágio”.

Programa semanal

O programa Rede em Defesa da Vida é transmitido pela TV PT todas às segundas-feiras, às 11h. É apresentado pelo deputado federal e ex-Ministro da Saúde Alexandre Padilha e contará com a participação de convidados que desejam ser membros dessa Frente de Proteção à vida. Faça parte e colabore com a ampliação da Rede compartilhando ou disponibilizando a transmissão do programa nas suas redes sociais para que a defesa da vida seja difundida para o maior número de pessoas. Caso precise de ajuda para reproduzir a live, entre em contato com a gente nas redes @padilhando ou pelo WhatsApp (11) 97581-4398.

Acompanhe o programa na íntegra clicando aqui

Padilha entra com pedido de informação sobre sumiços de dados da Covid-19 no Ministério da Saúde



Foto: Agência Câmara

Com informações da Revista Fórum 

O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) enviou um requerimento na terça-feira (21) ao Ministério da Saúde para questionar a exclusão de informações relacionadas ao coronavírus no banco de dados da pasta.

A denúncia partiu de pesquisadores do Observatório Covid-19 BR, que notaram a exclusão de parte dos registros de notificações de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) da base de dados do ministério. A SRAG inclui casos da doença causada pelo coronavírus.

“Na última extração disponibilizada ontem houve sumiço de dados. Não sabemos quais foram os protocolos adotados para essa redução, se limpezas de duplicatas, ou definição mais rígida de critérios para a notificação de casos no sistema”, disse o observatório, em nota.

Com isso, através do documento, o parlamentar questiona a pasta sobre números do Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe (Sivep) que mostram uma diminuição no número de hospitalizações por SRAG no país.

De acordo com a plataforma, 255.343 pessoas foram hospitalizadas por conta da doença na semana passada, mas número caiu para 208.272 nesta semana. Padilha questiona o ministério se houve erro no lançamento de dados ou se mudou o protocolo sobre a doença.

Covid-19: leis aprovadas que asseguram mais direitos aos trabalhadores da saúde e de serviços essenciais



Foto: Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom (Agência Brasil)

*Por Alexandre Padilha para Revista Fórum

A pandemia de covid-19 é o maior desafio global da humanidade no período recente e só com uma resposta mundial articulada por vários segmentos com prioridade na proteção a vida poderemos enfrentá-la. Na maior tragédia humana que o Brasil já enfrentou em sua história, como proteger a sociedade brasileira? Em primeiro lugar, construindo direitos para o cuidado de quem cuida.

Os trabalhadores da saúde e de serviços essenciais estão todos os dias na linha de frente no combate à doença e dão a vida pela população brasileira e pelo SUS. O Brasil é o país que mais registrou mortes de profissionais de saúde por covid-19 no mundo. Essa triste marca mostra claramente a falta de proteção, seja na garantia de equipamento individual ou até mesmo na quantidade da jornada de trabalho desses profissionais. Além desses componentes, temos a postura absolutamente irresponsável do Presidente da República, que nega a existência da pandemia e incita a invasão nos serviços de saúde para questionar o trabalho desses profissionais.

A dedicação desses trabalhadores neste difícil momento trouxe aos olhos de todos o que é enfrentar a realidade da pandemia diariamente. Temos feito no Congresso Nacional, na Comissão de Enfrentamento à covid-19 na Câmara dos Deputados, o grande esforço de apresentar e aprovar projetos de lei que assegurem proteção e seus direitos.

Nesta semana mais um projeto de lei que sou autor foi aprovado no Congresso Nacional junto com outros, o pl 1826/2020 que agora vai para a sanção presidencial. Ele assegura o benefício permanente de indenização aos dependentes e cônjuge dos trabalhadores de saúde e de serviços essenciais que sejam vítimas fatais ou que sejam incapacitados de trabalhar em decorrência da covid-19.

Uma vitória justa e de reconhecimento pela dedicação. Agora, vamos pressionar o governo para a sanção desta medida, assim como o pressionamos para aprovação da lei que garante que eles sejam prioridade na testagem.

Outra importante medida aprovada, mas na Assembleia Legislativa de São Paulo e que já é lei, é do projeto 350/2020 de autoria do deputado estadual Emidio de Souza (PT-SP), que garante a hospedagem em hotéis ou pousadas requisitadas pelo poder público ou hospitais privados dos profissionais de saúde que atuam na linha de frente no atendimento a pandemia, não colocando em risco a contaminação de suas famílias.

Há esforços no Congresso Nacional, nos estados e municípios para aplicação de mecanismos de proteção para o combate a covid-19. Infelizmente não podemos dizer o mesmo sobre o governo federal, que se mostra cada vez mais indiferente com as vidas perdidas.

Mandato do Padilha apoia ações de solidariedade, prevenção e combate à covid-19 na periferia de SP



Em meio à maior crise sanitária causada pela pandemia de coronavírus no mundo e a tragédia humana jamais vista na história do país com mais de 4 milhões de casos confirmados e mais de 135 mil mortos o governo Bolsonaro  não possui compromisso em salvar vidas brasileiras. Por isso, entidades e organizações tem realizado ações de solidariedade, prevenção e combate à covid-19 na periferia da cidade e do estado de SP. O mandato do deputado federal Alexandre Padilha apoia essas ações.

Associação de Moradores do Jardim Helian

A Associação de Moradores do Jardim Helian localizada em Itaquera, periferia da zona leste, entidade com forte atuação por melhorias nas políticas públicas e que possui parceria de projetos com a Unifesp e a PUC criou o comitê de ações contra a covid-19 que, desde o início da pandemia, realiza diariamente ações de mobilização de doações e também de prevenção à doença na comunidade. A rede nacional de banco de alimentos “Mesa Brasil Sesc” doou 300 cestas básicas e 300 kits de limpeza que serão distribuídas para a comunidade.

 

Associação dos Moradores de Heliópolis e Região (Unas)

Em Heliópolis, na maior favela da cidade de SP, o trabalho de aliviar o sofrimento do povo é da Associação dos Moradores de Heliópolis e Região (Unas) que atende a 200 mil famílias e tem como missão “Contribuir para transformar Heliópolis e região num bairro acolhedor, provendo a cidadania e o desenvolvimento integral da comunidade”

Na pandemia, a entidade criou a campanha “Heliópolis no Combate ao Coronavírus” que garante acesso a alimentos, itens de higiene e limpeza e mobilização de conscientização de prevenção aos seus moradores. Em 120 dias de campanha, a entidade já distribuiu mais de 27 mil cestas básicas. A entidade também realiza ações de entrega de máscaras de proteção – confeccionadas pelas costureiras da própria comunidade – e frascos de álcool em gel 70% aos seus moradores. No sábado (26/9), foram entregues 12 mil máscaras e mil fracos de álcool em gel

 

 

 

 

A UNAS em parceria com o Observatório De Olho na Quebrada realizou a pesquisa “Os impactos do coronavírus na alimentação das famílias de Heliópolis” que mostrou que 67% dos entrevistados afirmou que precisou diminuir a quantidade de refeições na pandemia, pelo menos uma vez, e só 58% das famílias está fazendo três refeições diárias. Do total de entrevistados, 83% solicitaram o auxilio emergencial – apenas 32% tiveram o pedido aprovado – e 58% estão recebendo cestas básicas doadas pela UNAS ou organizações parceiras. Até 19/6, a entidade distribuiu 14.902 cestas em Heliópolis e região.

Para ver a pesquisa na íntegra, clique aqui

Brigada pela Vida

Criada durante a pandemia de coronavírus a Brigada pela Vida realiza o trabalho de conscientização da população da cidade de São Paulo.  A proposta visa aplicar ações de educação, cultura, assistência social em parceria com movimentos de moradia popular e dos direitos humanos. As fotos abaixo são de ações em Sapopemba, distrito com mais mortes pela doença e localizando na periferia da zona leste de SP.

 

 

 

 

Covid-19: Transmissão aérea e máscara



Foto: Elineudo Meira

Por Alexandre Padilha para a Revista Fórum

Precisamos aproveitar a pandemia, essa maior tragédia humana, para aprimorar nossas leis de garantia a proteção social. Quero começar esta coluna semanal com a boa notícia da sanção presidencial do projeto de lei 1409/2020, que sou autor junto com outros deputados federais, que obriga os governos (federal, estadual e municipal) e empregadores a garantir proteção aos profissionais de serviços essenciais de controle de doenças. A lista de profissionais vai desde médicos e enfermeiros a assistentes sociais, agentes socioeducativos e comunitários, guardas municipais, profissionais de limpeza, servidores públicos do setor administrativo, entre outros.

Esta sanção demostra aquilo que já falamos desde o início da pandemia: só a defesa do cuidado de quem cuida e da vida fará com que reduzamos os danos causados por este momento tão difícil para o mundo. Apesar do atraso na aprovação da medida ela teve consenso e sensatez por parte do governo federal.

O que não podemos dizer de outros importantes projetos já aprovados na Câmara dos Deputados mas vetados pelo governo, que não mostra estar preocupado em ser contrariado por lideranças em saúde pública e governantes nacionais e internacionais na condução da pandemia.

Bolsonaro desconhece a realidade da maioria da população brasileira. Ele disse publicamente que não tinha conhecimento de ninguém que faleceu por falta de UTI. Uma declaração totalmente insensível com os mais de 1,7 milhões de brasileiros e brasileiras atingidos pela doença, incluindo ele mesmo.

Ao anunciar que testou positivo para a covid-19, Bolsonaro descumpriu, como sempre fez, uma das atitudes fundamentais para prevenção de contágio e disseminação: o uso de máscara. Vale lembrar que ele vetou a parte mais importante do texto do projeto de lei aprovado na Câmara e no Senado, dentre eles o PL 2335/2020, que também sou coautor, que torna obrigatório o uso de máscara em qualquer lugar que gere aglomeração de pessoas e estabelece a responsabilidade do poder público em ajudar e oferecer máscaras para as populações mais carentes e a obrigação dos estabelecimentos comerciais de também garantir locais de higienização, exatamente para poderem reabrir.

Outro projeto vetado praticamente na íntegra pelo Presidente foi o PL 1142/2020, onde também sou coautor, que trata da proteção social e também da garantia do acesso a saúde e da criação de programa específico de crédito para os povos indígenas e quilombolas. Mais de 10 mil indígenas foram vítimas da covid-19.

Esses vetos demostram a irresponsabilidade do governo que definitivamente não está olhando para aqueles que mais sofrem, que são a maioria da nossa população, reiterando todos os dias seu projeto genocida.

Isso tudo acontece na semana onde mais de 200 especialistas apresentaram relatório para a Organização Mundial da Saúde (OMS) com várias evidências que reforçam o risco da transmissão aérea da covid-19. A OMS reconheceu a possibilidade. O poder público e os empresários garantirem e apoiarem o uso de máscaras em locais de concentração de pessoas pode mudar a realidade da pandemia.

Sempre torcemos para que as ações do governo sejam sensatas e olhem para o conjunto das desigualdades de nosso país. Assim como torcemos, sempre, para que medidas para o bem da nossa população sejam revistas, como já aconteceu. Não podemos tolerar o sofrimento de nossa população.

Padilha assina abaixo-assinado internacional para que a vacina contra o coronavírus seja gratuita a todos. Ex-presidente Lula é um dos signatários da iniciativa



Com informações do Lula.com.br

O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) assinou nesta segunda-feira (29) o abaixo-assinado do Yunus Centre, do Nobel de Economia Muhammad Yunus, para que a futura vacina contra o coronavírus seja distribuída gratuitamente e para todos os seres humanos. Lançado neste domingo (28) por 105 personalidades globais, entre ex-chefes de estado – o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva é um dos signatários da iniciativa -, prêmios Nobel, empresários, líderes religiosos e ativistas como Malala Yousafzai, Bono Vox, Anne Hidalgo, Adolfo Pérez Esquivel, Mikhail Gorbachev,Mary Robinson, George Clooney, Desmond Tutu, Mo Ibrahim , Matt Damon, Leymah Gbowee, Romano Prodi, Vicente Fox e Samuel Khan, entre outros.

O objetivo do apelo unificado é que as Nações Unidas, a Organização Mundial de Saúde, governos, fundações, entidades filantrópicas, comunidade científica e empresas se juntem para que uma vacina contra o coronavírus não seja um produto de um país ou empresa, mas um direito, e que seja desenvolvido um plano global para que todos os seres humanos sejam protegidos dessa doença, sem nenhum tipo de discriminação.

Leia abaixo (em inglês) a carta de Muhamamd Yunus:

Muhammad Yunus, Desmond Tutu, Mikhail Gorbachev, Malala Yousafzai, Bono, Richard Branson, Lech Walesa, Jody Williams, Mahathir Mohamad, Lula, George Clooney, Sharon Stone, Forest Whitaker, Leymah Gbowee, Mary Robinson, Tawakkol Karman, Ratan Tata, Azim Premji, Shabana Azmi, Anne Hidalgo, Thomas Bach, Andrea Bocelli and other World Leaders Appeal To Declare Corona Vaccine A Global Common Good.

105 World Leaders including 18 Nobel Laureates, 32 former Chief of State and Governments, Political Leaders, Artistes, International NGOs and Institutions have signed a call initiated by Yunus Centre to declare COVID-19 Vaccines as a global common good.

The Appeal says:

A pandemic clearly exposes the strength and weaknesses of healthcare systems in every country and highlights the obstacles and inequities in gaining access to healthcare. The effectiveness of the upcoming vaccination campaign will depend on its universality.

We appeal to governments, foundations, philanthropists and social businesses to come forward to produce and/or distribute the vaccines all over the world for free. We invite all social, political, and health entities to re-affirm our collective responsibility for the protection of ALL vulnerable persons without any discrimination whatsoever.

We are pleading to all world leaders including the Secretary-General of the United Nations, Director General of the World Health Organization, religious leaders, social and moral leaders, leaders of research laboratories and pharmaceutical companies and the media to join hands and ensure that in the case of a COVID-19 vaccine, we have a global consensus that it must be deployed as a global common good.

We invite everyone to join the pledge at VACCINECOMMONGOOD.ORG .

I hope your esteemed institution will do its best to spread this message and join our pledge.

Professor Muhammad Yunus

 

Vamos voltar a respirar, juntos



Foto: Altemar Alcantara/ Semcom

Por Alexandre Padilha para Revista Fórum

Há três meses vivemos dias em que não sabemos o que nos espera no amanhã. Pelo descompromisso do governo federal de não priorizar a proteção da vida dos brasileiros e na divulgação nada transparente dos casos suspeitos e confirmados de covid-19, vivemos no escuro na maior tragédia humana já registrada. Viver na ansiedade da esperança de uma luz no fim do túnel nos sufoca, os brasileiros se sentem desamparados pela falta de compromisso do governo Bolsonaro.

Mudamos nossas rotinas, adaptamos nossas vidas para viver aquilo que chamamos agora de “novo normal”. Após esse longo período não nos causa mais estranheza sair de casa com máscara ou nos sentirmos reféns do álcool em gel, a consciência do quanto essas atitudes podem fazer a diferença se tornou muito maior. Além disso, percebemos o quanto o distanciamento social é fundamental para barrarmos a transmissão da doença.

O tema em destaque no momento é a retomada das atividades econômicas no país, isso sem a redução sustentada de casos suspeitos e confirmados de coronavírus. Vamos ao debate sobre o tema.

Sempre digo que defendo uma retomada com critérios e de forma planejada, por isso, apresentei na Câmara dos Deputados o projeto de lei “Protege Brasil” que prioriza a proteção à vida, a transparência dos dados e a possibilidade do planejamento das ações. Ele possui quatro fases e, em todas elas, para iniciar a reabertura gradual das atividades as regiões deverão manter por 14 dias consecutivos a redução de casos suspeitos e confirmados para passar de uma fase para outra.

A reabertura das atividades comerciais e de circulação de pessoas só será possível se os governos garantirem proteção à vida com monitoramento e transparência dos dados de casos suspeitos e confirmados, a divulgação da taxa de ocupação dos leitos hospitalares e o acompanhamento das famílias por uma equipe do programa Estratégia Saúde da Família com médico e agentes comunitários para que sejam mapeadas as pessoas de risco.

A frota do transporte coletivo e a infraestrutura nas escolas com oferta de mais lugares para lavar as mãos, janelas abertas, número adequado de crianças por sala e qualificação dos professores precisam ser ampliadas. Os espaços públicos devem ofertar mais locais para higienização das mãos e a rede hoteleira – que está vazia – deve abrigar os mais vulneráveis que não possuem a oportunidade do distanciamento e isolamento adequado.

As empresas e o comércio precisam reabrir para a garantia de renda das famílias.  Mas, mais uma vez, alerto: isso só será possível se fizermos de forma planejada para que evite o efeito sanfona da reabertura e logo depois, com ascensão do número de casos, a necessidade de fechamento. Se isso permanecer acontecendo, como vemos em algumas cidades do estado de São Paulo e do Brasil, ninguém vai acreditar mais se é para abrir ou fechar, aglomerar ou distanciar.

Para recuperamos a economia, o empresário precisa ter tranquilidade e segurança de que sua empresa ou comércio não tenha que fechar uma semana depois que reabriu. Isso porque para recuperar suas atividades as empresas terão que investir mais na proteção de seus trabalhadores e se o estabelecimento for de acesso ao público, de seus consumidores. Terão que garantir equipamentos de proteção pessoal e também em todos os ambientes do estabelecimento. Se necessário, deverão garantir transporte a seus trabalhadores, implementar horários alternativos para evitar picos de aglomeração e fazer parcerias de proteção com outras empresas ou comércios locais.

Para o mundo voltar a investir e viajar para o Brasil precisamos mostrar que temos segurança, que somos capazes de controlar a pandemia, que defendemos a vida e que estamos aptos a impedir a contaminação desenfreada. Governos, empresas e comércios devem fazer sua parte. Mas, todos nós devemos nos responsabilizar para que isso seja possível.

Quando falamos de responsabilidade de todos é responsabilidade de cada um. Quando um menospreza o risco da maior pandemia da nossa história, está colocando em risco não apenas a sua vida, mas de todos sobretudo de quem ama. O Brasil vai voltar a respirar, quanto mais cada um de nós, cada gestor público, cada empresário, cada comerciante, fizer a sua parte, mais oxigênio teremos para resistir e vencermos, juntos, essa batalha.