Santa Casa de Valinhos confirma casos de superbactérias



Do Jornal Terceira Visão – de Campinas, Valinhos e região.

 

Seis pacientes foram confirmados com KPC e VRE porém irmandade afirma controle total da situação

Foi apurado essa semana, terça feira 12 de junho, que no Hospital Santa Casa de Valinhos há casos de pacientes colonizados e  infectados com o que é conhecido popularmente de “superbactérias” que podem gerar quadros de infecção e se não tratados com devido cuidado e rigor, podem levar a quadros graves. Até o fechamento dessa matéria foi constatado pelo menos cinco pacientes com a bactéria KPC (KlebsiellaPneumoniaeCarbapenemase) e outro com VRE (Vancomycin-resistenceenterococcusou em português ““enterococo resistente a vancomicina”) internados em precaução de contato na UTI, essas bactérias são perigosas porque são extremamente resistentes a antibióticos e também a capacidade de tornar resistentes outras bactérias. A KPC e a VRE podem causar pneumonia, infecções sanguíneas, no trato urinário, em feridas cirúrgicas, enfermidades que podem evoluir para um quadro de infecção generalizada, muitas vezes, mortal. Importante dizer que podem existir outras superbactérias ou variações destas, mudando assim os sintomas de acordo com o quadro ou onde a infecção se desenvolver.

É de se destacar também que segundo o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar da Santa casa, uma vez que o paciente é detectado com alguma dessas “superbactérias” não se sabe por quanto tempo ela pode ficar

no seu organismo, ou seja, sempre que precisar ser internado em ambiente hospitalar novamente após contrair KPC ou VRE (ou outras do gênero), terá sempre que ficar em precaução de contato e receber os tratamentos padrões para conter a chance de disseminação no ambiente hospitalar. Idosos, crianças, pessoas com imunidade debilitada, doenças crônicas ou aqueles que necessitam ficar em longos períodos de internação hospitalar estão mais suscetíveis a contrair a bactéria

Essas bactérias multirresistentes podem ser encontradas em fezes, na água, no solo, em vegetais, cereais e frutas. A transmissão ocorre em ambiente hospitalar, através do contato com secreções do paciente infectado, desde que não sejam respeitadas normas básicas de desinfecção e higiene. Procuramos a Diretora de Vigilância Epidemiológica, Claudia Maria dos Santos, que confirmou também os casos de infectados, “Estes casos estão sob controle dentro do padrão estabelecido. Estão sendo tomadas as medidas de controle conforme RDC 36 de 2013 referentes à segurança dos pacientes”, afirmou a Diretora.

Conversamos também com o ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha, médico infectologista e professor na Univerdade de Campinas, que relatou uma opinião diferente, ele diz que é muito grave a ocorrência de seis casos de bactérias multirresistentes (KPC e VRE) na Santa Casa de Valinhos, e é verdade que em outros hospitais há casos como esse que podem gerar infecções hospitalares e agravar o caso que de pacientes internados levando infelizmente ao óbito, Padilha vai além, “Isso mostra de certa forma um surto dentro deste hospital, em geral isso acontece quando um conjunto de medidas de controle de infecção hospitalar não está funcionando, podendo ser o controle com antibióticos, falha na higienização das mãos ou utensílios etc. É super comum esse problema ser associadoà superlotação de hospitais ou até de corte de recursos, não cumprindo as regras mínimas de controlede infecção hospitalares, precisa-se de uma apuração imediata do controle de infecção hospitalarjunto com a vigilância e é muito importante a Secretaria de Saúde discutir isso com a Santa Casa de Valinhos que tem um papel muito importante não só pra Valinhos,mas para toda região”, conclui o médico.

O ex-ministro ainda completa dizendo que discursos como estes que essa situação acontece em outros hospitais não deve ser considerado e não deve ser tratado com naturalidade, pois embora aconteça de fato em outros hospitais, é algo que não deveria ocorrer com essa intensidade ou gravidade, e pra isso existem as políticas e medidas de tratamento de controle de infecções.

Junto das medidas que de controle já padronizadas, a Dra. Paula Gomes Telles, médica infectologista da Santa Casa, diz que foi pensado um quarto de rodízio junto da direção do hospital, para que pudessem higienizar os quartos adequadamente, deslocando os pacientes para o quarto de rodizio para que a limpeza do ambiente possa ser realizada dentro dos prazos previstos. E destaca que o hospital segue monitorizando continuamente os casos e que atualmente a situação encontra-se sob controle, mas que se caso houver necessidade, um plano de contingência terá que ser articulado  junto Vigilância Sanitária e Epidemiológica e Secretaria de saúde.

Além disso, afirma que o número absoluto de pacientes internados colonizados ou infectados por tais bactérias não reflete necessariamente casos de pacientes que adquiriram a bactéria durante a internação, uma vez que existem casos vindos de outras instituições ou mesmo detectados anteriormente, mas que ao reinternarem, necessitam manter as medidas de precaução, por isso é necessário que os casos sejam monitorizados continuamente ao longo do tempo, pois só assim é possível detectar aumentos significativos no número de casos novos.

 

 

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