Carta do Padilha à Militância Petista



Companheiras e companheiros, ontem (17) a executiva municipal do PT de São Paulo decidiu pelo cancelamento das prévias que aconteceriam no dia 22 de março. Uma decisão difícil, mas cheia de responsabilidade e consciência política. Desde o começo, quando consultado, defendi junto com outros especialistas da saúde e militantes que não deveríamos estimular 20 mil pessoas a saírem de suas casas quando a recomendação é justamente o contrário. Seria uma irresponsabilidade sanitária e política e nos momentos mais agudos a principal tarefa de nosso partido é preservar a vida do nosso povo e o papel que tivemos e temos junto à sociedade paulistana. Como o presidente Lula sempre diz e faz: quando estivermos em dúvida, procuremos a saída junto à sabedoria do nosso povo.

Estas prévias têm sido um extraordinário mecanismo de exercício da democracia. Elas são resultado do que nós temos de mais intenso em nossa dinâmica: a participação da militância. Com elas abrimos discussões, opiniões e até os processos decisórios para a participação da base, onde está o nosso maior patrimônio: aquelas e aqueles lutadores que botam a estrela no peito para defender o nosso partido!

Estou muito honrado com o que foram até agora essas prévias da capital. Participei de 15 debates presenciais junto à nossa militância do Itaim Paulista e São Miguel, Ermelino Matarazzo, Penha, Vila Matilde, Itaquera, Campo Limpo (onde cresci e sou filiado até hoje), M’ Boi Mirim, Casa Verde, Brasilândia e Freguesia do Ó, Mooca, Centro, Butantã, Perdizes, Pinheiros, Lapa, Jaçanã, Vila Maria, Santana, Tucuruvi, Pirituba, Perus, Capela do Socorro, Parelheiros, Cidade Ademar, Jabaquara e Santo Amaro. Em cada canto da nossa cidade as nossas histórias se multiplicam. Pude reencontrar e abraçar pessoas que conheço e admiro há muitos anos! Ouvir de cada um das mais de quatro mil pessoas que já participaram o legado dos nossos governos Erundina, Marta e Haddad, e propostas que dão esperança de voltarmos à Prefeitura.

Construímos também formulações importantes no debates de Educação, Cultura, Saúde, População LGBTQI+, Políticas Públicas para Mulheres, e de Promoção de Igualdade Racial. Também foi assim nos debates de Habitação, Reforma Urbana, Mobilidade e Meio Ambiente, e no último que conseguimos fazer foi organizado pelo movimento sindical.

Uma pena não ter sido possível a realização dos debates de Juventude e Direitos Humanos e nem das regiões de Sapopemba, Vila Prudente, Vila Formosa, Tatuapé, São Mateus, Saúde, Vila Mariana, Ipiranga, Cidade Tiradentes e Guaianases. Podem ter certeza que se eu tiver a honra de ser escolhido o candidato a prefeito pelo PT, será por estas regiões, junto com a nossa JPT e o movimento de direitos humanos que iniciaremos a caminhada vitoriosa!

O fundamental deste processo é a qualidade e método de construção junto à militância. A partir deste processo inclusive foi que aumentei ainda mais minha confiança naquilo que dizia ainda no ano passado de que com o “PT Unido, Mudamos São Paulo!”.

Isso porque nossa militância é formidável, enraizada nos bairros e firme na defesa de nosso projeto de cidade. Somos o partido que reúne as melhores cabeças e os mais voluntariosos braços para construir saídas novas e ousadas para problemas antigos e ainda graves. Vou dar um exemplo: apresentei nos debates e estou convencido de que, se indicado pela militância do PT, quando voltarmos à Prefeitura devemos criar a “Secretaria de Desprivatização” que atue para recuperarmos a gestão pública, sobretudo em áreas como o Transporte (inteiramente privado), a Saúde (que exige o fortalecimento do SUS e dos trabalhadores públicos), nos parques que foram vendidos e concedidos à iniciativa privada, nas creches, assistência social, cultura e inúmeros outros equipamentos que quando não estão sob o controle das maiorias, servem apenas para sucatear o serviço, enriquecer o bolso de alguns e retirar direitos dos trabalhadores. Quero ser o candidato do PT e prefeito de São Paulo para recuperar para o Público o que a direita privatizou!

Em tempos de crise econômica e sanitária global faremos com que a cidade de São Paulo junte-se a centenas de cidades no mundo que estão dando uma resposta ao momento que vivemos: mais investimento público e menos desigualdade entre os muito ricos e a maioria da população.

Tem sido importante estas prévias para construirmos juntos um critério para indicação de subprefeitos e subprefeitas.  Devemos aprofundar a participação de nossa militância na governança: os zonais, as mulheres, as negras e negros, a juventude, os LGBTs devem estar no centro de nossa política. A militância não pode carregar a nossa campanha e não ser chamada para governar!

Aqui em São Paulo quero governar nas ruas, junto com o nosso povo, e enfrentar Bolsonaro e Doria a partir da maior cidade brasileira. Só assim construiremos um moderno, democrático e popular modo de governar com a cara do PT!

Tenho alertado, desde o começo, com a negligência de Bolsonaro, Bruno e Doria na construção de medidas à altura do enfrentamento e proteção que nosso povo precisa por conta da pandemia do coronavírus. Vocês devem lembrar ainda no dia 3 de fevereiro, fiz uma entrevista com o Prof. Marcos Boulos, que é médico infectologista titular da Faculdade de Medicina da USP. Já tratávamos sobre o sinal de alerta que deveria ter sido ligado por nossos governantes já naquele momento. Só fortalecendo o SUS e a rede de proteção social seria possível enfrentar esta pandemia.

Sou médico infectologista, sei dos riscos a que nossa cidade está sujeita, e principalmente as periferias e a maioria da população. Tenho dito nos últimos dias da responsabilidade que devemos ter diante de uma situação grave como essa. Antes de qualquer coisa, a vida deve estar sempre em primeiro lugar. E depois porque nós do PT governamos como ninguém o país e a nossa cidade, inclusive conduzindo as melhores políticas públicas da área da saúde, com geração de empregos e proteção social sempre em defesa da vida e priorizando os que mais precisam! Tudo isto está em jogo no atual momento político, econômico e sanitário de São Paulo. Estes compromissos, que têm a nossa digital, não nos permitem titubear na hora de tomarmos algumas decisões.

Tenho certeza de que, se ouvirmos a militância, encontraremos o modo correto de continuar este processo democrático de decisão e construção partidária! É este acerto nos conduzirá à vitória!

Os debates que fizemos nas prévias já projetam um potente mecanismo participativo para a construção de nosso programa de governo, que dê voz a toda a construção que fizemos até aqui. Um programa à altura do desafio que será governar São Paulo na conjuntura em que estamos. Um programa transformador, que a partir das vozes daquelas e daqueles marginalizados pelo poder público, consiga dar vez à luta do nosso povo!

As eleições da cidade de São Paulo serão um passo decisivo para derrotarmos aquilo que é nacionalmente o projeto da morte, de Bolsonaro, e da venda da vida, de Bruno-Doria.

Sigo cada vez mais firme e com tesão, e à disposição do PT, da esquerda, da nossa militância e do presidente Lula para ser candidato pelo nosso partido a prefeito. Estou com a energia e vontade redobrada, após este processo de debates, para cuidar e preparar nosso povo no enfrentamento a essa pandemia e, ao mesmo tempo, derrotar Bolsonaro e Bruno-Doria, pavimentando junto com a nossa militância do PT e da esquerda a nossa volta à Prefeitura de São Paulo.

Um abraço, Alexandre Padilha