Artigo Saúde Popular | Obscurantismo de Bolsonaro pode causar mais sofrimento em pacientes com dor



*Por Alexandre Padilha para o Saúde Popular

O obscurantismo de Bolsonaro pode fazer com que milhares de pessoas que podem ser beneficiadas pelos produtos e medicamentos derivados da cannabis continuem em sofrimento.

O governo Bolsonaro estabelece uma gincana para ver quem é mais obscurantista e é absolutamente indignante as posições, tanto do ministro da Cultura, Osmar Terra, quanto do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que querem impedir que a consulta pública, que está sendo feita pela Anvisa chegue ao seu final, garantindo a regulamentação da distribuição, comercialização e produção dos medicamentos derivados da cannabis no Brasil.

Existem vários estudos e experiências práticas que mostram os benefícios desses medicamentos para pessoas que tem síndrome epilética, que sofrem com enjoo e dores resultantes da quimioterapia no tratamento de câncer, e vários outros desenvolvidos para identificar os benefícios que podem ter para o Alzheimer e para o Parkinson.

Mas infelizmente, o obscurantismo que rege o governo Bolsonaro está tentando impedir que mais pessoas tenham acesso a esses medicamentos.

A Anvisa faz a consulta pública. Há centenas de contribuições, sendo a grande maioria favorável para que o Brasil possa produzir, comercializar e registrar a cannabis e, com o tempo, pensar em incorporação no SUS para que as pessoas não tenham mais que importar.

Um ponto central para a produção de medicamentos é garantir o plantio para pesquisa. O Brasil não pode perder essa oportunidade econômica e de desenvolvimento tecnológico. Temos terra e clima apropriado para o plantio e pesquisa e isso pode ser um passo decisivo para aliviar o sofrimento das pessoas e para que o Brasil aproveite essa oportunidade econômica.

 

Mudança na categorização dos agrotóxicos é revoltante, por Alexandre Padilha



*Por Alexandre Padilha para o Brasil de Fato e Saúde Popular

É, de fato, para se indignar a mudança na categorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) em relação aos agrotóxicos. Está cada vez mais evidente uma escalada da disseminação de registros de agrotóxicos no país. É um recorde histórico – superando o número do ano passado, último ano do governo Temer –, aumentando em três a quatro vezes o ritmo de liberações, se comparado à série histórica.

O mais grave é que a Anvisa, em vez de enfrentar essa situação e ser mais cuidadosa na avaliação dos agrotóxicos, resolveu mudar a regra para passar a ideia de que está se reduzindo a toxicidade.

É como se o paciente estivesse com febre e, em vez de tentar ajudá-lo, o enfermeiro jogasse o termômetro fora.

Agrotóxicos que eram considerados extremamente tóxicos passam a ser chamados de “moderadamente tóxicos”. Os que eram moderados passam a ser considerados inofensivos.

A situação se agrava na mesa dos brasileiros. A Fiocruz já demonstrou, em um monitoramento feito em 30 tipos de alimentos, que consumimos um verdadeiro coquetel de agrotóxicos.

É ruim para quem trabalha na área rural e traz riscos para quem consome os alimentos. Só nos resta lamentar, resistir e denunciar mais esse retrocesso.