A medida provisória de Bolsonaro que destrói políticas públicas



Por Alexandre Padilha, para o Saúde Popular

 

Essa semana foi quente no Congresso, sobretudo pela presença dos povos indígenas, o maior abril indígena já realizado nos últimos anos que trouxeram a força, identidade e expressividade de quem protege uma parte importante do patrimônio natural, cultural e biológico brasileiro. A força e a presença dos povos indígenas foi de uma expressividade enorme e que colocou em cheque o discurso e postura do Presidente
Bolsonaro.

Essa força não aconteceu só na esplanada ou na audiência com o Presidente Rodrigo Maia, mas também nos corredores do Congresso, nas audiências públicas que realizamos essa semana para discutir a Medida Provisória 870/2019, que foi a primeira iniciativa de reforma administrativa de Bolsonaro, que tenho chamado da MP da destruição porque ela tenta destruir um conjunto de políticas. E os índios estiveram presentes em todas essas audiências, não só eles como o movimento sindical, juristas, procuradores, organizações não governamentais, e ficou muito claro que essa MP do Bolsonaro, de um lado não cumpre com os seus argumentos, que é de enxugar a máquina e reduzir suas estruturas, e do outro fere fortemente a Constituição brasileira.

Três eixos estão claros nessa medida: primeiro é que não enxuga. Bolsonaro diz que reduz sete ministérios, mas não mostra que cria 20 novas secretarias especiais e três áreas no governo de coordenação dos programas de desestatização e privatização. A sede por privatizar é tão grande que acaba com o Ministério do Trabalho e Emprego e da Cultura e cria três áreas para privatização da máquina brasileira.

Segundo reforça a ineficiência porque pega umas áreas e as fatia de maneira desconexa, um exemplo é o Ministério do Trabalho e Emprego que foi um pedaço para o Ministério da Justiça junto das polícias e outro para o Ministério da Cidadania, e outro pedaço para lugar nenhum. A mesma coisa está acontecendo com a agricultura familiar e com os direitos da população LGBT, que simplesmente desapareceu da estrutura dos ministérios brasileiros. E tenta criar algo muito grave, nitidamente inconstitucional, que é uma área na Presidência da República que teria o papel de coordenar, monitorar e supervisionar as organizações não governamentais e organismos internacionais no Brasil, ou seja, Bolsonaro quer supervisionar a ONU, Unicef, Unesco, Banco Mundial.

É um arroubo autoritário que felizmente a nossa Constituição não permite e eu
acredito que o Congresso Nacional não vai permitir que seja aprovada.

 

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Padilha apresenta PL que garante escolha sobre tratamento a pacientes em fase terminal



 

 

O deputado Alexandre Padilha (PT-SP) protocolou na Câmara dos Deputados Projeto de Lei que assegura o consentimento da vontade do paciente sobre tratamento de enfermidade em fase terminal de vida nos serviços de saúde ou em domicilio.  Estabelece “regular e proteger o exercício do direito das pessoas quanto à informação e à tomada de decisão durante o processo de enfermidade terminal, de modo prévio ou concomitante a ela, os deveres e direitos dos profissionais de saúde e as garantias que os serviços de saúde públicos e privados estão obrigados a oferecer nesse processo.” A proposta é baseada na lei estadual de autoria do Deputado Estadual Carlos Neder (PT/SP) recentemente aprovado na Assembleia Legislativa de SP.

“É claro que avanços tecnológicos na saúde contribuem para o prolongamento da vida, no suporte a esses pacientes, mas há que ser considerada a vontade do paciente em decidir sobre os tratamentos aos quais deseja ser submetido, especialmente com doença em estágio avançado, sem perspectiva de cura”, explica Padilha.

O texto considera a Portaria do Ministério da Saúde nº 1.820 de 2009, sobre os direitos e deveres dos usuários da saúde, conhecida como Carta dos Direitos do Paciente e também as Resoluções nº 1.805, de 9 de novembro de 2006, que “permite ao médico limitar ou suspender procedimentos e tratamentos que prolonguem a vida do doente em fase terminal, de enfermidade grave e incurável, respeitada a vontade da pessoa ou de seu representante legal; e a Resolução nº 1.995, de 31 de agosto de 2012, “sobre as diretivas antecipadas de vontade dos pacientes”.

Para Padilha a aprovação da lei em território nacional é a garantia do respeito à dignidade, autonomia, valores, crenças e confidencialidade de seus dados.

“A aprovação da norma é direito do paciente nos serviços de saúde, a nível legal. É necessário assegurar a segurança jurídica e a qualidade do atendimento, provendo maior proteção às pessoas e a relação jurídica entre pacientes, serviços e profissionais de saúde”.

Confira o texto do PL na íntegra:

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ARTIGO – Congresso Nacional: a volta dos que não foram!



 

Por Alexandre Padilha

Bolsonaro preso no hospital e seus operadores soltos no Congresso: o ano político começou. E ele inicia com a “arena new kids” comandando as duas casas do legislativo. Moro joga ao Congresso um pacote vazio, sem recursos financeiros que melhore as condições de quem trabalha na segurança publica, sem qualquer ação de articulação com as polícias estaduais e as guardas municipais e ação concreta para proteção das fronteiras e muito menos de reorganização do sistema penitenciário levado ao limite pela equivocada política de encarceramento em massa.

Um decreto recheado de atrocidades legais como a licença pra matar maquiada de legítima defesa e a adoção do plea bargain, o acordo penal norte-americano livra da pena aquela que têm recurso que retira direitos dos mais pobres. É o pay bargain: pagou faz acordo. Na seara econômica, Paulo Guedes especula com uma proposta de Reforma da Previdência que desconhece a idade de início ocupacional dos trabalhadores urbanos e rurais, a realidade da tripla jornada e desigualdades salariais das mulheres em relação aos homens, além dos cerca de quatro milhões de idosos que lutam contra a fome recebendo o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

O que este cenário significa? Conceitos fundamentais que devemos ter sobre o governo Bolsonaro: tomado por militares, políticos de direita, justiceiros seletivos e fundamentalistas conservadores que estão convencidos que lideram uma “revolução às avessas”, uma Restauração Conservadora que colocará o Brasil em outra era – às vezes parece ser a medieval. Apimentada com a violência de seus discursos, como Revolução não respeita instituições ou regras vigentes. Em nome dos “cidadãos de bem, do livre mercado, de Deus e da família” vale tudo para essa gente!

Tanto na Câmara quanto no Senado, em que pese o processo da eleição das mesas não sejam comparáveis no que tange o respeito ao regimento, consagra-se ainda um processo iniciado com o Golpe de 16: a presença de destaque dos militares com atores políticos influentes e partidarizados no Judiciário (chegando muitas vezes a colocar os tribunais contra a parede), no Executivo (em postos estratégicos e muito semelhantes aos do regime militar) e agora no Legislativo. A ver como se desenrola, esse destaque é sem duvida muito mais do que papel que lhe concerne às Forças Armadas o Estado Democrático de Direito.

A realidade já se impôs para nós do campo democrático e de esquerda e a população nos questiona com razão: “o que mais falta para que todos se unam àqueles que sempre lutaram a vida toda para que o Brasil retomasse sua democracia e para que a inclusão social fosse a agenda comum de toda a sociedade? Vão esperar acontecer mais o quê?”

Corremos o risco de que as forças de esquerda gastem sua energia digladiando-se e segmentos mais amplos, que prezam pela democracia e pelas regras institucionais vigentes, sejam sucumbidos por políticas de isolamento. A agressividade, exaltação ao ódio e aniquilação do inimigo não pode ser o motor de sobrevivência política de quem defende a democracia.

Com essas preocupações, efetivamos a construção do principal bloco de oposição ao Bolsonaro com PSOL, PSB e REDE na Câmara que pode e deve dialogar com outros deputados da oposição, estejam eles no PCdoB, PDT ou demais partidos. Será necessário construir pontes que barrem os retrocessos e retomem o caráter democrático de nossas instituições.

Dentro do nosso bloco, nós do PT fizemos gestos que consideramos importantes, com o tom de generosidade que deve ter a política de esquerda em tempos difíceis. Mesmo sendo a maior bancada da Câmara, não lançamos candidato à presidente e apoiamos o companheiro Marcelo Freixo, de uma bancada de 10 deputados (PSOL), mas que é representativa e combativa!

Nós do PT também cedemos a Liderança da Minoria para o companheiro Alessandro Molon, do PSB, e cedemos espaço para permitir que Joênia Wapichana (Rede), primeira mulher indígena na Câmara, estivesse na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), a mais importante comissão da Câmara.

A bancada do PT como um todo agiu com correção com seus parceiros de bloco, entregando exatamente o que foi acordado com os mesmos, no sentido de fortalecer este bloco e sustentar candidaturas que se opunham a hegemonia absoluta dos blocos de apoio a Rodrigo Maia.

É sabido de todos que os tempos atuais não são dos mais tranqüilos e nem dos mais esperançosos para nós que lutamos pelas conquistas de direitos para os brasileiros mais pobres. Eu, que criei o Mais Médicos, vejo com preocupação o que se passa na Saúde Pública brasileira. Ser do PT e da esquerda é estar acostumado a isso: nunca toleraram que fundássemos um partido como o PT, que organizássemos sindicatos como os da CUT, que fizéssemos a luta pela terra como faz o MST. Não queriam que chegássemos à Presidência da República juntamente com o PCdoB e o povo trabalhador e muito menos que nosso projeto tivesse dado tão certo como deu.

Não acreditavam também que faríamos da campanha Lula Livre o porto mais seguro para quem sabe que tem que velejar em águas revoltosas. Mas como se diz por aí: mar calmo nunca fez bom marinheiro!

É hora de quem defende a democracia e a redução da desigualdade parar de ficar brigando entre si e arranjando picuinha para se dividir diante dos desafios maiores que teremos. É claro que temos divergências, e não há mal nenhum em tê-las, haja vista que o respeito à pluralidade e diversidade que queremos para a sociedade devemos sempre cultivar também entre nós. Mais do que isso: o que a história de luta do povo brasileiro uniu nos últimos 30 anos, uma eleição interna para presidência da Câmara não deveria ser capaz de separar.

Nós vamos continuar convidando os companheiros do PCdoB, do PDT e de todos os cantos que quiserem se unir a uma estratégia conjunta com o nosso bloco de oposição. Para isso, é preciso que todos nós combatamos essa cultura auto proclamatória (de ser o dono da verdade), inquisitorial e autocentrada, de quem só se interessa se for conveniente para si próprio. Nós do PT somos a maior bancada da Câmara o que nos traz responsabilidades ainda maiores diante do Congresso e dos nossos companheiros.

Nos esforçamos para mostrar, nessa composição com PSB, PSOL e Rede, que somos capazes de ceder a quem é companheiro para unificarmos e andarmos juntos nas lutas que mais importam.   

Pouco nos servirá a luta parlamentar sem a constante mobilização popular e a massificação de nossas ideias, mas se bem conjugados podemos, juntos, impor derrotas a aqueles que acham que podem calar o Brasil quando ele quer cantar.

Acabou o tempo de avaliações que não levem a mudanças na prática, teses frias (e não construídas no calor das lutas) sobre as eleições e caracterização do governo Bolsonaro. Como já disse, agora é a hora de estarmos juntos, interagindo com o povo que mais sofre os impactos das medidas que vem pela frente: as centenas de municípios que já estão sem médicos, o desrespeito às terras indígenas, os crimes ambientais como o da Vale do Rio Doce em Brumadinho e Mariana, o aumento do suicídio entre idosos nos países que capitalizaram sua Previdência, o fim de uma política nacional de segurança alimentar, a mordaça que querem impor aos estudantes e profissionais da educação.

O PT por ser o maior partido de esquerda do Brasil; por ter sido o maior instrumento que permitiu parcelas populares participarem da política; por ter liderado o maior período de inclusão social da nossa história; e por ter Lula, a maior liderança popular, e Haddad, que recebeu a confiança de 47 milhões de brasileiros, tem a maior responsabilidade em todo esse processo. Herdamos de Lula a responsabilidade de ser grande, e não apequenar-se. De ser amplo, agregando e não desagregando. De ser humilde, ouvir e sentir o sofrimento do nosso povo e com ele construir as alternativas de políticas públicas e poder em um Brasil à beira da destruição de qualquer projeto que inclua a maioria do seu povo.

Nós, deputados do PT, que antes da posse fizemos um Ato simbólico em frente à Aroeira plantada pelo presidente Lula em 2008 no Bosque dos Constituintes, podemos ter um papel importante nesse processo político que se inicia! Em frente à Aroeira, árvore firme e resistente, e depois na luta que estamos travando no Congresso, fica nítido que é possível construir conjuntamente com o povo aquilo que será “a volta do cipó de aroeira no lombo de quem mandou dar”, como diz a poesia de Geraldo Vandré.

 

 

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Padilha protocola projeto que estabelece Escola Livre



 

 

Nesta segunda-feira (4), o deputado Alexandre Padilha (PT-SP) protocolou na Câmara dos Deputados projeto de lei que altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, e cria dispositivos para reforçar os princípios já estabelecidos no art. 206 da Constituição da República, onde o conceito de lecionar é em torno da liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber com pluralismo de ideias e concepções pedagógicas, respeitando o pluralismo e à tolerância. A proposta confronta a ideia de impor a lei da mordaça no ensino, medida defendida pelo governo.

“Estamos vendo uma restauração conservadora de recuperar o que estava na Constituição antiga, abrindo brechas para o sistema privado e religioso. A ‘Escola Sem Partido’ não tem apenas o interesse dos valores morais ou do fundamentalismo, mas também artimanhas para proveitos dos fundos públicos”, afirma Padilha.

Padilha, além de médico, é professor universitário e sempre defendeu, desde o movimento estudantil, que escolas e universidades sejam espaços sem restrição à liberdade, por isso a iniciativa de propor o projeto.

“Apresento este Projeto de Lei com o intuito de reforçar o ensino e evitar qualquer manifestação de coação de opiniões, como o que temos visto em episódios onde o ato de ensinar tem sido perseguido com a pejorativa de ‘limpeza ideológica’, inibindo o trabalho prestado por professores e claramente desprestigiando a capacidade de opinião dos alunos. Ninguém pode fazer vídeos dentro do ambiente escolar sem o consentimento de professores ou de alunos”, afirma Padilha.

O Projeto sugere o acréscimo de dois artigos na Lei, são eles:

  • 3º A educação escolar, em todos os seus níveis, pressupõe a liberdade de professores, estudantes e funcionários para expressar seu pensamento e suas opiniões;
  • 4º A educação escolar pressupõe o fortalecimento do relacionamento solidário e de confiança entre profissionais da educação, estudantes e toda a comunidade escolar.

Confira o texto do PL na íntegra:

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Padilha: Metas para 100 dias mostram fragilidade do governo Bolsonaro



“Das 35 metas, apenas uma direcionada à pobreza e uma para a saúde.” Em sua coluna semanal para o Saúde Popular, Padilha fala das metas anunciadas pelo governo Bolsonaro para os 100 primeiros dias, que não passam de atos administrativos.

O governo Bolsonaro vem demonstrando cada vez mais seu despreparo para conduzir um País como o Brasil, nos representar internacionalmente, liderar o país, estabelecer relações com os países vizinhos, cada vez aparece mais encrencado com o fato de seu filho… Mas, nesta coluna, quero fazer um debate sobre o conteúdo do governo Bolsonaro, menos estilo e mais sobre as atitudes do presidente eleito.

Acredito que uma boa forma de a gente fazer um debate sobre o conteúdo é analisar as 35 metas estabelecidas pelo governo Bolsonaro, apresentadas publicamente essa semana, para serem cumpridas no decorrer dos 100 dias de sua gestão.

Primeiro lugar, o conjunto de metas mostra o despreparo, a fragilidade, a insuficiência do projeto que o governo Bolsonaro tem para o País. Tem metas que não passam de atos administrativos, outras são carta de intenções, anúncios de proposituras, outras não se concluem nos cem primeiros dias de governo. Então, um conjunto de metas que demonstra o despreparo do presidente Bolsonaro para governar o Brasil.

Mais impressionante e grave é que das 35 metas apresentadas, apenas uma está pensando na pobreza do povo brasileiro. É o anúncio de um 13º benefício no Programa Bolsa Família, que inclusive foi apresentado durante a campanha eleitoral. Se isso se efetivar, de fato, é uma agenda positiva, importante, desde que não signifique uma redução do crescimento do Bolsa Família, na ampliação dos recursos do programa.

É muito fácil criar um 13º reduzindo o número de famílias beneficiadas, criando mecanismos para restringir o repasse do Bolsa Família, reduzindo as ações de educação, ações de saúde, de gestão, nas políticas sociais dos municípios.

Também é curioso que apenas uma meta se refere à saúde. A de reforçar o Programa Nacional de Imunização, que atingiu taxas de cobertura vacinal ridículas durante o governo Temer pós-golpe e envergonhou o Brasil e todas as agências globais na área da saúde.

Ou seja, das 35 metas, apenas uma direcionada à questão da pobreza e uma para a saúde. Isso mostra para quem Bolsonaro governa.

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Samu ajuda a reestruturar HC-UFU



Do jornal Diário de Uberlândia

A dúvida se o Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU) sofreria grandes impactos com a implantação do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) na macrorregião Norte, que contempla 26 cidades, já foi descartada. Já são cinco meses em operação do sistema e logo nas primeiras semanas o reflexo positivo foi apontado em números. De acordo com o consultor técnico do Samu, Alexandre Padilha, menos de 5% dos atendimentos regionais vão para o HC-UFU. A maioria dos chamados é atendida conforme pactuado, dentro dos próprios municípios de origem, e somente os casos de urgência e emergência são efetivamente direcionados para a UFU em Uberlândia.

“Já sabíamos que isso iria acontecer, que o Samu não sobrecarregaria a UFU, pois a proposta do serviço é justamente regular os atendimentos e distribuir os casos conforme a necessidade e isso, de fato, aconteceu. Nesse período, que já não considero mais de adaptação, também obtivemos sucesso no processo como um todo, sem queixas institucionais e nem crise relacionada a atendimento, comum de acontecer quando estamos em fase de implantação. A outra [dúvida] era se muitos pacientes seriam encaminhados para a UFU, o que de fato não aconteceu.”

Do dia 3 de julho a 11 de dezembro, o Samu recebeu 53.898 ligações. Desse total, somente 4% foi considerado trote (2.183). A maioria (42,46%) resultou em orientações não médicas, ou seja, 22.887 ligações tiveram o intuito de saber sobre o funcionamento do serviço. Na sequência (25,20%), aparecem os atendimentos em que foram necessárias saídas de unidades de resgates, totalizando 13.583 chamados. Nesses casos, 90,27% foram enviadas a Unidades de Suporte Básico (USB), e 9,73%, a Unidades de Suporte Avançado (USA), consideradas uma UTI Móvel conduzidas por um condutor-socorrista, um enfermeiro e um médico.

“O Samu é um sucesso na região e veio para ficar. Os números mostram isso, a começar com as estruturações das cidades e com a eficiência no momento do atendimento ao chamado, que já identifica a situação e faz o encaminhamento certo, evitando que sobrecarregue o hospital da UFU. Outro ponto positivo é o entendimento da população em relação à seriedade do serviço. Nosso índice de trote é baixo, 4,05%, sendo que em outras localidades esse dado chega a 20%”, disse Padilha.

UBERLÂNDIA

Padilha destacou que a expansão do Samu para Uberlândia seria positiva, pois ajudaria ainda mais a desafogar o Pronto-Socorro da UFU.

“Acredito nas questões apontadas pela Prefeitura, na época, justificando falta de recursos para sua não participação, mas rever essa posição é importante. O Samu já mostra eficácia em tão pouco tempo de funcionamento e tendo Uberlândia parte desse processo seria fundamental, seria um passo a mais na questão da saúde. Por um lado, o Samu organizou os encaminhamentos dos pacientes para os lugares certos de acordo com a necessidade de cada atendimento. Por outro, [ajudou na] reestruturação do Hospital de Clínicas da UFU. Combinação perfeita para esse novo momento da saúde na macrorregião Norte”, destacou Alexandre Padilha.

Em contato com o Diário de Uberlândia, o prefeito Odelmo Leão foi questionado sobre a participação do Município no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Segundo ele, é difícil prever alguma alteração na decisão por não ter garantias de como será 2019 no âmbito econômico. Segundo o prefeito, primeiramente é preciso saber se o novo governo do Estado fará os repasses necessários e em dia, além de quitar o montante em atraso da atual gestão.

DIREÇÃO
Serviço é visto como eficiente pelo HC-UFU


HC-UFU sem macas no corredor é reflexo do funcionamento do Samu e reestruturação do hospital | Foto: Carolina Portilho

“No início, estávamos preocupados com a implantação do Samu sem que tivesse algumas pactuações muito bem definidas. Deixamos claro que casos de menor complexidade deveriam ser atendidos e resolvidos nas suas unidades de origem e que Uberlândia seria referência para resolver casos mais complexos. Nosso receio era isso não acontecer ou que esses ajustes de maturidade ocorressem em torno de seis meses após implantação, mas para a nossa surpresa, o resultado veio nas primeiras semanas.”

Esse foi o depoimento do diretor-geral do HC-UFU, Eduardo Crosara Gustin, que recebeu a reportagem do Diário de Uberlândia no próprio Hospital de Clínicas. Segundo ele, tudo que foi pactuado foi cumprido, ou seja, o Samu organizou a regulação e fez os encaminhamentos para cada caso médico atendido.

“O paciente foi melhor avaliado no cenário, seja ele fora ou no hospital da sua origem. Todos os casos de transferência obedeceram ao que foi acordado. Essas ações fizeram com que, em pouco tempo, conseguíssemos resultados positivos. Antes do Samu, possivelmente os pacientes seriam trazidos para o Pronto-Socorro da UFU sem necessidade, provocando superlotação”, disse.

Crosara destacou que com o Samu, o paciente, quando encaminhado ao HC-UFU, chega com melhor qualidade de assistência, o que impacta em um diagnóstico mais eficiente e rápido, proporcionando maiores chances de sobrevivência e de evitar sequelas. Ele também reforça o importante papel desempenhado pelos municípios para que cada um se estruturasse para efetivar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência.

“Os casos que vieram para a UFU por meio do Samu foram os realmente considerados graves, que é o correto. Tirar o problema de uma cidade e jogar para a outra era o nosso maior medo. Perderíamos o nosso propósito, que são os atendimentos de urgência e emergência. De fato, o serviço foi muito bem planejado, essa parte operacional já é muito bem desenvolvida e apesar de operar há pouco tempo na região ele veio maduro e eficiente. É um grande avanço, foi um caminho que causou surpresa positiva e nós já externamos isso, retratamos a posição que antes eu não tinha”.
O diretor também se posicionou sobre Uberlândia não fazer parte do Samu. Segundo ele, a questão econômica pesou bastante na época da definição da não adesão e que o funcionamento na cidade não seria tão expressivo. “Claro que ganharíamos no resgate, às vezes em um diagnóstico de uma doença ou outra no momento do atendimento com médicos e enfermeiros, mas Uberlândia já é uma cidade muito bem atendida pelos Bombeiros, que são treinados e exercem um papel de qualidade “.

Paralelo ao funcionamento do Samu, Crosara destaca a reestruturação do Hospital de Clínicas da UFU com a implantação do projeto Linhas de Emergência, em que foi adotado um novo modelo operacional, o que permitiu uma eficiência no atendimento. “Tem quatros meses que não temos uma maca nos corredores do hospital e isso está sendo possível devido a essa organização nos nossos processos internos, associado ao Samu. Também aplicamos em algumas paredes painéis com imagens, proporcionando um astral melhor para pacientes e acompanhantes. Não é porque é um hospital que não precisa ter vida nos corredores, no primeiro atendimento ao paciente”.

FUNCIONAMENTO
Atendimentos 24h por dia, 7 dias por semana

O serviço funciona 24 horas nos sete dias da semana. As ligações pelo 193 são atendidas pelos técnicos que identificam o caso para encaminhar ao médico regulador, que irá avaliar a ocorrência e determinar qual procedimento adotar.

Se for um caso de urgência ou emergência, uma das bases nas 16 cidades é acionada para o atendimento. Todo movimento da frota de ambulâncias é monitorado pelos rádios operadores na Central.

Na Central de Regulação, que fica em Uberlândia, são 35 profissionais, entre médicos, técnicos e rádio-operadores. Do outro lado, nas 17 bases descentralizadas em 16 municípios, operam 198 profissionais de saúde entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e condutores socorristas que estão preparados para realizar o atendimento pré-hospitalar.

As cidades de Araguari, Monte Carmelo, Ituiutaba e Patrocínio são as bases que recebem pacientes de média complexidade. Uberlândia não aderiu ao serviço, mas os pacientes de alta complexidade são conduzidos para o Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU).

As cidades de abrangência do Samu Triângulo Norte são: Abadia dos Dourados, Araguari, Araporã, Cachoeira Dourada, Campina Verde, Canápolis, Capinópolis, Cascalho Rico, Centralina, Coromandel, Douradoquara, Estrela do Sul, Grupiara, Gurinhatã, Indianópolis, Ipiaú, Irá de Minas, Ituiutaba, Monte Alegre, Monte Carmelo, Nova Ponte, Prata, Patrocínio, Romaria, Santa Vitória e Tupaciguara.

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