MENOS ÓDIO E MAIS COMPROMISSO COM A SAÚDE PÚBLICA – Resposta ao Editorial “Menos demagogia, mais saúde”, do jornal O Estado de S. Paulo



MENOS ÓDIO E MAIS COMPROMISSO COM A SAÚDE PÚBLICA
Em resposta ao Editorial “Menos demagogia, mais saúde”, publicado em 01/01/2022 no Estadão

Fui surpreendido com um artigo de opinião, na Editoria Notas & Informações do jornal O Estado de S.Paulo, onde eles nos acusam de politizar a saúde e sermos iguais a Bolsonaro, dizendo, ao final do artigo, que tem que acabar com o vírus da politização da saúde. Ora, Estadão, 2022 começa e um dos grandes desafios do ano será, além de derrotarmos o vírus da  pandemia, precisamos derrotar o vírus do ódio ideológico e a xenofobia que provoca uma infecção crônica com manifestações recorrentes ao longo dos anos, como o delírio anticomunista, o macarthismo, os ataques do Comando de Caça aos Comunistas, as marchas da tradição que impulsionaram o Golpe de 64 e o veneno destilado neste editorial do Estadão.

Felizmente estamos vencendo novamente esse vírus e, a vacina para ele, o povo brasileiro vai, infelizmente, aprendendo em meio a dor, a fome, o desemprego, o isolacionismo no mundo, a destruição ambiental, a insensibilidade diante das vítimas da Covid e de desastres como as enchentes na Bahia, o desprezo à educação, à ciência e à tecnologia.

Na incapacidade de defender o Programa inoperante feito pelo governo Bolsonaro – presidente eleito com o apoio dos editoriais deste jornal -, que tenta desde 2019 substituir o Programa Mais Médicos, recorre ao habitual ódio ideológico ao Mais Médicos e despreza qualquer análise dos dados técnicos, evidências científicas sobre os impactos do Programa.

O Estadão diz, portanto, querer despolitizar, ser técnico, mas faz uma avaliação do Mais Médicos sem levar em consideração nenhuma das centenas de pesquisas e estudos científicos realizados pelas melhores universidades brasileiras de acompanhamento do programa.

Por exemplo:

1. Estudo da FGV: Mais Médicos: melhora a atenção à saúde e reduz custos para o SUS, já que reduz internações; Mais Médicos reduz mortalidade infantil e mortalidade por doenças crônicas.

2. Mais Médicos garante pela primeira vez médicos em todas as áreas indígenas do país, áreas remotas, regiões mais pobres.

3. Mais Médicos reduz internações por hipertensão por diabetes.

4. Mais Médicos tem alta aprovação popular.

Essas são só algumas evidências científicas ignoradas, o que demonstra que o Estadão é movido pelo ódio ideológico. A seguir todos os links, com notícias da imprensa, que ilustram minhas afirmações anteriores:

Mais Médicos: como programa ‘economizou’ um terço do orçamento ao diminuir internações hospitalares 

Programa do SUS reduz mortalidade infantil em até 34%

Mais Médicos: para 85% da população atendida, qualidade da assistência melhorou

Outro ponto importante a ser levantado do artigo do Estadão, é que ele recorre à expressão de ódio, como “cubanização do Brasil”. Dizer que 13 mil médicos, num universo de 500 mil médicos brasileiros, num país com mais de 210 milhões de habitantes, iriam “cubanizar o Brasil” é a mais pura demonstração do ódio e xenofobia contida no artigo e no jornal que o publica.

O autor deveria explicar porque esses médicos não “cubanizaram” os mais de 70 países, entre eles países da Europa, onde atuam. O mundo inteiro viu, em meio ao colapso do sistema de saúde italiano, quando países da Europa lhe negavam transferências de pacientes, foram os médicos cubanos que se deslocaram para salvar vidas. E, nem por isso, “cubanizaram” a Itália. Esse ódio ideológico alimentado por editoriais como esse, privou o Brasil de receber esta ajuda quando mais precisava.

Em suma, o Estadão, em sua incapacidade de defender o presidente que ele ajudou a eleger – quem não lembra do sofrível Editorial do Estadão às vésperas do segundo turno das eleições de 2018 (Uma escolha muito difícil) em que o  dizia que era “Uma escolha muito difícil” escolher entre Fernando Haddad e Jair Bolsonaro – não conseguir defender algo indefensável, como a incapacidade do governo de não cobrir, mesmo durante a pandemia, mais de 4 mil vagas do Mais Médicos, tenta construir um discurso que não se sustenta, de que a gestão da saúde nos governos do PT e no governo Bolsonaro são a mesma coisa. E o não enfrentamento da pandemia, por parte do governo Bolsonaro, demonstra claramente a diferença entre as duas gestões.

O Brasil chegou onde chegou tendo uma gestão vergonhosa diante da maior tragédia humana dos últimos anos, tendo um governo que tem a desfaçatez de criar obstáculos para acesso de vacinas para nossas crianças. É uma vergonha o Brasil não estar liderando a vacinação como em 2009/2010 na pandemia da H1N1, onde fomos o país em que, proporcionalmente, sua população vacinou o dobro que vacinou os Estados Unidos e hoje vê os Estados Unidos já vacinando crianças e o Brasil perseguindo diretor técnico da Anvisa que segue a ciência, repetindo as piores práticas, das piores ditaduras.

A grande dificuldade que tentam criar fantasmas, como esse editorial do Estadão, é que na eleição de 2022 todos já sabem que criar fantasma não enche a barriga de ninguém, não coloca comida na mesa de ninguém, não dá emprego para ninguém, não repõe as vagas não ocupadas do Mais Médicos seja no sertão do nordeste, nas regiões amazônicas, nas periferias das grandes cidades, não leva vacina para o braço de ninguém. Esse discurso da conspiração fantasmagórica, de quem é inoculado pelo vírus do ódio, não terá espaço em 2022. Teremos grandes desafios para 2022, como: reconstruir o SUS, resgatar o sistema público de saúde e esses passos só serão alcançados com resgate da ciência, à luz das evidências científicas, do compromisso com a saúde pública, com paz, tolerância e respeito.

 

Alexandre Padilha

Bolsistas do programa WASH recebem certificado de curso de capacitação e iniciação científica em São José dos Campos



(Crédito: imagem/divulgação) Cerimônia de formatura de bolsistas do projeto de capacitação e iniciação científica do WASH.

Nesta segunda (13) os bolsistas do projeto de capacitação e iniciação científica do WASH (Workshop Aficcionados em Software e Hardware) das escolas Édera Irene Pereira e Valmar Lourenço Santiago de São José dos Campos receberam certificado do curso em cerimônia de formatura. 

A implantação do curso é fruto da luta e articulação da vereadora Amélia Naomi (PT) com o deputado federal Alexandre Padilha (PT) e deputado estadual Emidio de Souza, que garantiram emendas parlamentares para execução da formação na cidade.

A cerimônia aconteceu na Câmara Municipal de São José dos Campos e também contou com a presença de familiares dos bolsistas, parceiros e incentivadores do projeto.

(Crédito: imagem/divulgação)

Incentivo a educação científica de crianças e jovens 

Padilha é apoiador do programa desde quando Ministro da Saúde do governo Dilma e em sua fala na cerimônia, reiterou o orgulho de poder colaborar com a iniciativa agora também como deputado federal através do envio de emendas parlamentares. 

“Sempre ressalto a emoção que sinto em poder participar do apoio de projetos do programa WASH para nossa sociedade. É meu primeiro mandato como deputado federal e pude colaborar com mais de um milhão de reais para o incentivo de projetos. Sinto orgulho de poder contribuir com uma iniciativa que, ainda mais nos tempos em que vivemos, leva educação científica às nossas crianças e jovens”, destacou.

O Programa WASH é uma parceria do CNPQ com a Unifesp e o Instituto Federal de São Paulo, está presente em diversas cidades do estado de SP e tem por objetivo estimular as atividades educacionais não formais, com foco na iniciação científica de estudantes do ensino fundamental. 

O Brasil precisa vacinar crianças e exigir o passaporte vacinal para entrada no país



Por Alexandre Padilha para a Rede Brasil Atual 

É absolutamente correta a posição da diretoria e dos técnicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de exigir apresentação do passaporte vacinal para quem chega ao nosso país. Qualquer brasileiro que se desloca para outros países é obrigado a apresentar teste negativo para Covid-19 e o comprovante de vacinação. Por que nós não devemos cobrar? Um governo que não exija o atestado de imunização contra Covid-19 a qualquer pessoa que chegue a seu país, com variantes se multiplicando pelo mundo, e que estimula a infecção das pessoas, é irresponsável, para dizer o mínimo.

Temos acompanhado o aumento de casos e óbitos da doença em não vacinados em diversos países da Europa e nos EUA, por isto, é inaceitável a possibilidade do governo Bolsonaro aceitar estrangeiros sem a exigência do passaporte vacinal.

Só com o mundo vacinado voltaremos a ter nossas vidas como antes da Covid-19 e assim teremos a volta segura das atividades econômicas, dos encontros e das aglomerações. Só assim superaremos a pandemia.

Outro ponto importante é acelerar ao máximo a avaliação para aprovação da vacinação de nossas crianças. Países como EUA, Chile, China e Indonésia já estão vacinando crianças e alguns deles inclusive com vacinas usadas no Brasil, como Pfizer e Coronavac.

É absurdo que o Brasil – que sempre liderou campanhas de vacinação – ainda não esteja vacinando essa faixa etária. O Instituto Butantan ofereceu um estoque de doses ao Ministério da Saúde, que as recusou. Essas doses poderiam estar sendo aplicadas nas crianças, por exemplo.

A vacinação das crianças é importante para protegê-las e também para reduzir o risco de que elas transmitam o vírus para outras pessoas.

Queremos que as crianças voltem às escolas de maneira segura. Muitas delas irão passar as festas de fim de ano junto a familiares do grupo de risco, por isto precisamos iniciar essa vacinação o quanto antes.

Na próxima semana, o Congresso Nacional votará o orçamento para o ano de 2022. O governo Bolsonaro apresentou proposta que reduz em mais de 80% o orçamento da vacinação. Não é graças a Bolsonaro que o Brasil tem boa aceitação das vacinas. Nós, parlamentares da oposição, vamos lutar para derrubar o orçamento secreto e garantir o orçamento sanitário.

Dezembro Vermelho: Congresso ganhará iluminação especial para lembrar a luta contra a Aids



Congresso iluminado de vermelho – Foto Lula Marques

O Congresso Nacional ficará iluminado de vermelho a partir de amanhã – 1º de dezembro – Dia Mundial de Luta contra a Aids. A iniciativa é do ex-ministro da Saúde e deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP), que enviou ofício aos presidentes da Câmara Federal, deputado Arthur Lira (PP-AL), e do Congresso Nacional, senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), solicitando a autorização para a iluminação.

“O Congresso ilumina-se de vermelho durante o mês de dezembro para lembrar ao Brasil e ao mundo que, em meio a maior tragédia humana da nossa história, têm milhares de pessoas e famílias que a sofreram de modo mais intenso por viverem com HIV”, explicou Padilha. Ele também lembrou que durante a pandemia da Covid-19 medicamentos, cuidado e acolhimentos foram interrompidos “em meio ao medo de mais uma infecção”.

Para o deputado Padilha, que coordena a Frente Parlamentar Mista de enfrentamento as DST/HIV/Aids, o Dia Internacional de Luta contra a Aids também “nos ensina que só com luta por acesso universal a medicamentos, testes, vacinas, com proteção dos trabalhadores de saúde e com tolerância zero ao estigma, podemos superar as pandemias”.

Deputado Padilha. Foto: Marina Ramos/Câmara dos Deputados

Dezembro Vermelho

O dia 1º de dezembro foi instituída como o Dia Mundial de Luta contra a Aids em 1987 pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A data serve para reforçar a solidariedade, a tolerância, a compaixão e a compreensão com as pessoas infectadas pelo HIV/aids. Durante todo o mês, conhecido como Dezembro Vermelho, são desenvolvidas ações educativas junto aos diversos setores sociais e governamentais para o esclarecimento amplo e geral a respeito do tema.

 

*Com informações do PT na Câmara

Comissão do Idoso da Câmara realiza diligência para aprofundar investigações sobre Prevent Senior; pedido foi feito por Padilha



(Débora Pimenta relatando o caso de sua mãe, vítima fatal da Covid em um hospital da Prevent e Padilha na reunião da diligência na Câmara Municipal de SP. Foto: Zé Mariano)

 

Nesta segunda (29), a  Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara dos Deputados, representada pelo deputado Alexandre Padilha, realizou diligência na cidade de São Paulo para investigar mais profundamente as irregularidades da Prevent Senior no tratamento de pacientes com Covid-19.

Solicitada por Padilha, a diligência ocorreu em reuniões com o Procurador-Geral de Justiça do Estado de São Paulo, Mário Sarrubbo, familiares de vítimas fatais da Covid-19 que foram atendidas nos hospitais da operadora, representantes do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), Conselho Regional de Enfermagem do estado de São Paulo (Coren), Associação Vida e Justiça e com a diretoria da Prevent Senior, na sede da operadora. 

Padilha explica que o pedido de diligência foi feito para que, além das investigações da CPI do Genocídio realizada pelo Senado Federal e da CPI da Prevent que está em curso na Câmara Municipal de São Paulo, os escândalos revelados possam ser apurados demasiadamente, para que seja tirado a limpo o que aconteceu envolvendo vidas humanas, se foram usadas de cobaias na realização de experimentos com medicamentos sem comprovação científica e desrespeitando protocolos éticos.

“Nosso objetivo é avaliar a extensão das práticas da operadora, garantir justiça às famílias que perderam seus entes queridos para que não sejam ainda mais prejudicadas. A intenção não é fechar a Prevent ou deixar desabrigados seus trabalhadores. Mas penalizar criminalmente os responsáveis caso as irregularidades das investigações sejam confirmadas”, afirma.

Ainda segundo o deputado, caso as denúncias sejam comprovadas, o Caso Prevent Senior será  o maior escândalo da história da medicina brasileira. As acusações são de troca de registros de prontuário e diagnósticos de pacientes e o incentivo ao uso e prescrição de medicamentos sem comprovação científica para o tratamento da doença, o chamado “kit-Covid” composto pelos medicamentos hidroxicloroquina, azitromicina e ivermectina.

Em abril de 2020, Padilha denunciou um estudo realizado pela operadora para atestar a eficácia da cloroquina no tratamento de pacientes com Covid-19, que não tinha autorização de registro da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), que pediu a suspensão do ensaio à época.

Força-tarefa do MP-SP

No Ministério Público do estado de São Paulo, o interesse da reunião com o Procurador Mario Sarrubbo foi detalhar o trabalho da força-tarefa criada pelo órgão nas investigações.  O deputado estadual Paulo Fiorilo, autor do pedido de abertura de CPI para investigar a Prevent na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo, também participou da reunião. 

Segundo o Procurador-Geral, a força-tarefa já ouviu 40 familiares de vítimas, oito médicos que trabalhavam ou ainda trabalham na operadora e, em parceria com o Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (IMESC), fará a avaliação de cerca de  4.000 prontuários médicos de pessoas que morreram nos hospitais da Prevent. A expectativa é que esses laudos sejam concluídos até fevereiro de 2022 e poderão dar tendência ao que ocorreu. 

O Ministério Público conduziu junto a Prevent um termo de ajustamento de conduta (TAC) onde a empresa se comprometeu a não usar medicamentos sem comprovação científica para o tratamento de Covid-19 e não divulgar o estudo para testar a eficácia da hidroxicloroquina.

Deputado estadual Paulo Fiorilli, Procurador-Geral de Justiça do Estado de São Paulo, Mário Sarrubbo, e Padilha. Foto: Zé Mariano

 

Familiares das vítimas relatam omissões da Prevent

 

A sessão da diligência com familiares de vítimas fatais da Covid-19 atendidos nos hospitais da operadora, com Cremesp, Coren e com a Associação Vida e Justiça foi realizada na Câmara Municipal de São Paulo.  O vereador Antonio Donato, presidente da CPI Prevent Senior na Casa, participou da reunião.

Nos depoimentos comoventes e emocionantes de filhas que perderam suas mães e de uma mãe que perdeu seu filho jovem em decorrência da Covid-19 em hospitais da Prevent, os relatos são de negligência por parte da operadora pela prescrição do chamado “Kit-Covid” e na condução dos casos.

Também foram ouvidos representantes dos conselhos profissionais de medicina e enfermagem e da advogada dos médicos que denunciaram Prevent Senior, Bruna Morato. 

(Confira abaixo a transmissão da reunião na Câmara dos Vereadores de São Paulo).

Reunião com Prevent Senior

A diligência foi encerrada na sede da Prevent Senior, em reunião com a diretoria da operadora, que apresentou a sua defesa nas denúncias e reiterou o TAC assumido com o MP-SP.

 

Reunião sobre Denúncias contra a Prevent Senior no Tratamento da Covid-19 | 29/11/2021 – Câmara Municipal de São Paulo

 

 

Salário e jornada dignos para Enfermagem e Psicologia



Dois importantes Projetos de Lei que defendem os direitos dos trabalhadores da área da saúde tramitam no Congresso Federal: o PL 1.214/19 que regulamenta a profissão de psicólogo e limita a jornada de trabalho em até 30 horas semanas; e o PL 2.564/20 que cria um piso salarial aos enfermeiros, técnicos, auxiliares de enfermagem e parteiras.

O primeiro, que sou relator, está em pauta na Câmara dos Deputados, em discussões na Comissão de Seguridade Social e Família, é um pedido – e reivindicação –  de mais de 10 anos das entidades que representam a categoria e que significa a necessidade da garantia de melhores condições a esses profissionais, que lidam rotineiramente, na maioria das vezes, com temas densos e que necessitam de cuidados para que consigam levar mais conforto aos seus pacientes.

E esses pedidos se fazem ainda mais necessários na pandemia que ainda enfrentamos, onde uma lupa foi colocada nos problemas emocionais que já combatemos, sobrecarregando ainda mais os psicólogos, profissionais extremamente importantes no equilíbrio da nossa saúde mental neste momento.

O outro PL, que sou um dos autores, foi aprovado no Senado nesta semana e é fruto da articulação dos movimentos e da sociedade. Ele regulamenta a profissão da enfermagem, determina a remuneração mínima inicial de R$ 4.750 tanto em equipamentos públicos e privados e estabelece jornada semanal de 30 horas de trabalho. Para as demais categorias, sugere 70% do piso nacional dos enfermeiros para os técnicos de enfermagem e 50% para auxiliares e parteiras.

Aprovar esses PLs no Congresso Nacional e lutar para que eles se tornem leis é dar a esses profissionais o mínimo de reconhecimento que eles verdadeiramente merecem e que ficou muito mais evidente na pandemia da Covid-19, onde muitos deles encontram-se na linha de frente do enfrentamento, seja no atendimento a pacientes com sintomas físicos, seja em pacientes com sintomas emocionais e psicológicos ocasionados pela reclusão e tantas perdas.

Vale lembrar que aprovamos a Lei Nº 14.128/21, de minha autoria, que garante indenização aos familiares dos trabalhadores da saúde em caso de morte no enfrentamento à pandemia.

Somos o país em que o negacionismo do governo federal no combate à Covid-19 mais vitimou fatalmente profissionais de saúde. Valorizar e reconhecer seus esforços frente a tantas dificuldades e omissões é a melhor gratidão que podemos ter. Lutar por mais direitos, é nosso dever.

Cara a cara com Bolsonaro, durante entrega da Medalha do Mérito Legislativo, deputada Marília Arraes critica atitudes antidemocráticas do presidente; Padilha foi condecorado



Fotos: Gustavo Bezerra

Responsável pela organização do evento, como titular da Segunda Secretaria da Casa, a pernambucana destacou as ameaças desferidas pelo Executivo aos direitos do povo e a soberania nacional.

Ao comandar a cerimônia de entrega da Medalha do Mérito Legislativo, na Câmara dos Deputados, nesta manhã, com a presença do presidente Jair Bolsonaro – que foi um dos indicados para receber a comenda – a deputada Marília Arraes (PT-PE), titular da Segunda Secretaria da Casa fez duras críticas ao presidente e seu governo.

Em seu discurso, a parlamentar destacou as ameaças desferidas pelo Executivo à democracia e aos direitos do povo brasileiro, num recado claro ao presidente. “O Poder Executivo, eleito de maneira majoritária, também deveria se comportar como representante do povo. Mas, muitas vezes, este pretenso povo age antidemocraticamente, quando animado por espírito sectário, taxando como inimigos e excluindo os divergentes da entidade unitária e mítica da qual julgam fazer parte aqueles que não se encontram dentro de seu cercadinho mental”, disparou.

A deputada fez questão de ressaltar o relatório “The Global State Of Democracy 2021”, publicado há dois dias, que aponta o Brasil como o país que mais perdeu atributos democráticos em 2020. “Nem sempre quem se intitula representante do povo e de sua vontade age em nome dele e como se espera em uma Democracia. Dentre os países classificados como Democracias em declínio, o Brasil se destaca em mais um ranking que não gostaríamos de pontuar: foi o que mais perdeu atributos democráticos em 2020. O Presidente da República é apontado como ameaça ao descumprir decisões do STF, apagamento de vozes críticas, divulgação de Fake News e má gestão da pandemia”, destacou a parlamentar.

Parlamentares, entre eles o líder Bohn Gass, protestam em plenário contra o presidente Bolsonaro.

Significado profundo

A sessão solene aconteceu na manhã desta quarta-feira (24), no Plenário Ulysses Guimarães, e foi coordenada pela Segunda Secretaria da Casa. “Esta é a mais alta comenda outorgada pela Câmara dos Deputados e se reveste de um profundo significado. Expresso aos agraciados minha admiração pelas realizações em prol do povo brasileiro, parabenizando-os pela trajetória cujo reconhecimento ora traduz o compromisso com o credo democrático e também com princípios fundamentais de liberdade, igualdade e pluralismo.”

O ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (PT-SP) destacou que dedica a medalha às trabalhadoras e trabalhadores do Sistema Único de Saúde, Sistema Único de Assistência Social que sempre tiveram na linha de frente neste momento trágico que o Brasil enfrenta, seja no impacto da pandemia da Covid-19, seja no impacto indireto da pandemia como a fome e a perda de renda. “Em nome desses trabalhadores é que fiz questão de aceitar, de estar presente na Cerimônia porém, também por conta desses trabalhadores, não podia deixar de me posicionar diante de um genocida como Bolsonaro, que infelizmente foi indicado por líderes de seu partido à essa medalha. Como eu não tinha direito a fala, recorri aos cartazes para me expressar diante das mais de 613 mil vidas perdidas e por vacina sim e viva o SUS”, disse o deputado, que também é médico.

Além de Bolsonaro, que foi indicado pelo líder do PSL na Câmara dos Deputados, Major Vitor Hugo, estiveram entre os homenageados o Papa Francisco, o ministro de Relações Exteriores, Carlos França, o fotógrafo Sebastião Salgado, o ex-ministro da Justiça, Fernando Lyra e o ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT-SP), sendo os dois últimos indicações da deputada Marília Arraes.

Veja o discurso na íntegra:

Tocador de vídeo

*Com informações do PT na Câmara

Padilha quer garantir apuração de irregularidades e direitos de usuários da Prevent Senior



Divulgação

O deputado Padilha quer aprofundar a apuração dos procedimentos adotados pela Prevent Senior e seus impactos sobre a vida e a saúde das pessoas tratadas em sua rede hospitalar, especialmente no âmbito da pandemia de covid-19.

Médico e ex-ministro da Saúde, Padilha é integrante da Comissão dos Direitos da Pessoa Idosa da Câmara, onde aprovou requerimento para que a Comissão faça diligências na sede da operadora e se encontre com representantes da Procuradoria-Geral de Justiça de São Paulo e da Assembleia Legislativa paulista.

Com isso, pretende articular a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito no Legislativo paulista e outras ações para averiguar em profundidade as medidas tomadas em relação às denúncias da Prevent Senior no tratamento de beneficiários internados com covid-19.

Padilha elenca uma série de reportagens que denunciam os procedimentos adotados pela operadora no tratamento de pessoas infectadas com o novo coronavírus, grande parte delas idosas. São relatos de ex-funcionários, médicos, pacientes e funcionários.

Sem punição para Prevent Senior

“As matérias chocam e nos aturdem. São centenas de vidas humanas que foram usadas como cobaias em experimentos aos quais se negou qualquer acesso aos seus propósitos, desrespeitando protocolos éticos, profissionais e retirando dos pacientes e seus familiares informações ou mesmo fornecendo informações falsas”, argumenta.

À RBA, o parlamentar disse que o Termo de Ajustamento de Conduta assinado recentemente entre a Prevent Senior e o Ministério Público de São Paulo (MPSP) parece insuficiente quanto à punição dos responsáveis.

“A gente quer aprofundar primeiro a apuração dos escândalos. Queremos tirar a limpo o que aconteceu envolvendo vidas humanas. Segundo, acompanhar os resultados da direção técnica da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). Terceiro, estimular o Executivo estadual, municipal e o Ministério Público de São Paulo a prosseguir com a apuração. E quarto, checar quais as medidas que a ANS está tomando para compensar os usuários.”

Em abril do ano passado, Padilha denunciou ao Ministério da Saúde e diversos órgãos a realização de testes envolvendo medicamentos sem comprovação científica no tratamento da covid-19. E também da distribuição de um coquetel de medicamentos conhecidos como kit covid-19, que incluíram cloroquina e ivermectina, entre outras.

Vigilância em saúde

Reprodução
O deputado federal e ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha

“Como parlamentares, temos a competência constitucional de fazer requerimentos de informações aos ministros, aos ministérios, e órgãos como o Conselho Nacional de Saúde (CNS), Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep), Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Isso para que o Ministério (Público) tenha um conjunto de instrumentos para apurar e agir contra aquelas denúncias representadas e pudesse interromper os mal feitos, absurdos da ética médica que tinham sido denunciados”, relatou.

A Conep, segundo ele, respondeu tudo de forma correta, determinou a suspensão do estudo em questão. Já o Ministério da Saúde continuou com sua postura de tentar construir uma recomendação favorável aos medicamentos para covid-19 e as suas respostas foram evasivas. E a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) disse que já tinha feito uma visita nos hospitais da Prevent Senior para apurar o que era mesmo de sua competência, em relação a lotação dos hospitais e a não notificação para vigilância em saúde.

“Tudo isso de maneira insuficiente. Por isso a importância da criação da CPI (da Covid) do Senado, que passou a ter alguns instrumentos que o Congresso não tem”, lembrou o petista. É o caso de convocar os responsáveis diante de uma resposta evasiva, de convocar ministros, solicitar documentos. A CPI deu luz a esse escândalo e revelou atitudes absurdas, como fraudes em atestado de óbito, liberação precoce de pacientes que estavam em situação de isolamento, colocando outros pacientes e profissionais de saúde em risco. E também mecanismos para coagir profissionais a seguirem as indicações da direção do hospital.

Com tudo isso, o Ministério da Saúde pode tomar outras decisões, disse. “A principal delas, tomada recentemente pela ANS, foi a instalação, no plano de saúde, do que chamamos de diretoria técnica, com autonomia para verificar todos os procedimentos da operadora, apurar devidamente os procedimentos, corrigir no ato e avaliar a extensão dessas práticas no tratamento da covid. Tudo para garantir que os usuários dessa operadora não sejam prejudicados diante da revelação de escândalos tão graves.”

Padilha aprova relatório que obriga exames laboratoriais de idosos em casa



Foto: Najara Araújo/Câmara dos Deputados

O deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP) aprovou relatório na Comissão de Seguridade Social e Família, do PL 4.865/20, de autoria do deputado Alexandre Frota (PSDB-SP), que estabelece obrigatoriedade de exames laboratoriais no domicílio do paciente.

De acordo com Padilha, “trata-se de um importante passo para o cuidado e a Saúde dos idosos”. O próprio deputado fez o anúncio no Twitter nesta quinta-feira (4).

“Aprovei um importante relatório, na Comissão de Seguridade Social e Família, do PL 4.865/20, de autoria do deputado @77_frota, que estabelece obrigatoriedade de exames laboratoriais no domicílio do paciente. Trata-se de um importante passo para o cuidado e a Saúde dos idosos.”

Na justificativa da proposição, Frota afirma que o “transporte público nas cidades brasileiras não está integralmente adaptado para transportar os idosos, as pessoas com necessidades especiais e as crianças que são oriundas de famílias de baixa renda”. O deputado argumenta ainda que “o presente projeto de lei, tem o condão de minimizar os sofrimentos das pessoas elencadas, visto que exames laboratoriais são realizados em pessoas que possuam, no mínimo, uma suspeita de estar acometida de determinada doença”.

Na condição de relator do Projeto de Lei, Padilha aprovou o documento.

 

Veja a íntegra do PL clicando aqui

 

*Com informações da Revista Fórum

Sim, queremos popularizar a Medicina: chega de aprender nos pobres para depois só cuidar dos ricos



Foto: Karina Zambrana

Por Alexandre Padilha

Somos o único país com mais de 100 milhões de habitantes que tem o desafio de oferecer acesso gratuito e universal de saúde através do SUS. Para que um estudante de medicina possa exercer o preceito fundamental da profissão, que é a defesa da vida, ele passa pela experiência de atendimento nos serviços públicos de saúde. Todos, independente se estudaram em faculdade pública ou privada, se trabalham no setor público ou consultório privado, só se tornaram médicos porque um dia aprenderam no SUS.

Quando entrei na faculdade de medicina, em 1989, primeiro ano pós-Constituição de 88, repetíamos uma frase nos nossos encontros: “Chega de aprender nos pobres para depois só cuidar dos ricos”. Essa frase segue comigo e a repeti nos embates acirrados do processo de implementação do programa Mais Médicos instituído no governo Dilma Rousseff, quando fui Ministro da Saúde.

Popularizar a medicina 

Trago essa lembrança pois veio à tona um vídeo do atual presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), que circula nas redes sociais, onde ele afirma que eu e a presidenta Dilma “Popularizamos a medicina” no Brasil com a abertura de novas faculdades de medicina. Ora, para mim essa afirmação é um elogio às políticas que implantamos.

O presidente do CFM se refere ao Programa Mais Médicos implementado em 2013 e que buscou reduzir a carência de profissionais médicos nos rincões do Brasil e também apresentar melhor estrutura para resolver os problemas do futuro do país. Um dos seus eixos era abrir mais oportunidades para jovens brasileiros, sobretudo negros, de bairros periféricos e de cidades do interior para que pudessem se formar médicos e fazer suas especialidades médicas no Brasil.

O Mais Médicos abriu de 2013 a 2017, 10.861 novas vagas para medicina, ampla maioria no interior do país, 65,4%.

Mais vagas: sonho dos nossos jovens de se tornarem médicos

O programa abriu também novas oportunidades de especialização, aprovando nova orientação dos currículos exigindo que os alunos tivessem mais experiência no SUS na sua formação e criou uma prova nacional de avaliação dos alunos e das escolas, infelizmente interrompida já no governo Temer.

Quando entrei na Unicamp, em 1989, dos quase 100 alunos da minha turma, apenas dois eram negros. Hoje frequento a instituição, assistindo e ministrando aulas, e temos turmas com mais de 30% negros. Muito ainda precisa ser feito para tornar a universidade menos desigual, mas é inegável o avanço nos governos petistas.

Vamos falar de outros significados deste esforço: a zona leste de São Paulo, região mais populosa da nossa capital, não contava com faculdade de medicina e passou a ter depois da implantação do programa. Outras cidades do estado – como Araçatuba, Araras, Bauru, Cubatão, Guarulhos, Guarujá, Limeira, Jaú, Rio Claro, São José dos Campos, Piracicaba, Osasco, Mauá, São Bernardo, entre outras – passaram a contar com novas oportunidades para a realização do sonho dos nossos jovens de se tornarem médicos.

Outro eixo do programa foi levar médicos e mais estrutura de saúde onde não existia. Foram mais de 60 milhões de brasileiros que passaram a ser atendidos perto de suas casas. Estudos independentes mostraram que esses profissionais colaboraram na redução de internações, mortalidade infantil e foram bem avaliados pela população. Os médicos foram elogiados por se dedicarem a conhecer, ouvir e cuidar da realidade do nosso povo.

Será que é essa popularização da medicina que tanto assusta o atual presidente do CFM?

O Mais Médicos foi um passo corajoso para levar para mais próximo dos jovens as faculdades de medicina e mais médicos para os brasileiros, especialmente jovens pobres. Temos orgulho do que fizemos. Há ainda muita caminhada pela frente, sabemos disso, mas seguimos acompanhando de perto e dando oportunidade para o nosso povo.