A saúde mental e a covid-19 foi o tema debatido pela Rede em Defesa da Vida desta segunda (26)



 

Os impactos da pandemia da covid-19 na saúde mental dos brasileiros foi o tema do programa Rede em Defesa da Vida desta segunda (26). O debate contou com a participação do deputado Jorge Solla (PT/BA), do presidente da Associação Brasileira de Saúde Mental (ABRASME) e vice-presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos, Leonardo Pinho, e da psicóloga docente na Unifesp, Lumena Furtado. O programa é mediado pelo ex-ministro da Saúde e deputado federal Alexandre Padilha.

Pesquisa da Organização Mundial no Saúde (OMS) mostrou que 86% da população brasileira possui algum transformo mental, como depressão ou ansiedade. Com essa marca, somos considerados o país mais ansioso do mundo. Ainda de acordo com a OMS, “um terço e metade de toda população que vivencia uma pandemia, pode vir desencadear sofrimento psíquico agudo ou outros transtornos”. No Brasil, os efeitos na saúde mental com a pandemia estão causando sofrimento também em detrimento dos desmontes incentivados pelo governo Bolsonaro que propôs uma Nova Política de Saúde Mental planejada sem a participação popular e que retoma aos conceitos do passado e ignora as conquistas da reforma psiquiátrica e da luta antimanicomial.

Para Padilha, a pandemia da covid-19 trouxe a inquietação, o medo e receio do que é o vírus, acentuou o luto das famílias das vítimas da doença que não puderam se despedir, o isolamento físico que causou solidão e angústia da perca de renda. “Essas características impactaram a todos, uns mais, outros menos. Para 2021, o SUS e os serviços de saúde mental terão os desafios dos atendimentos que foram represados e adiados em 2020 e isso só será possível com mais recursos para a saúde e a reversão dessas inciativas para saúde mental”.

Segundo Lumena Furtado, o agravamento das doenças de saúde mental neste momento possuem duas questões com relação ao isolamento social: as pessoas que gostariam de se isolar e não conseguem, seja pelo trabalho ou por falta de estímulos do poder público, em especial a população em situação de rua, e o aumento da violência, principalmente contra mulher e criança. Pesquisa que está sendo realizada pela Unifesp aponta o grande crescimento da sensação de sofrimento psicoemocional em territórios vulneráveis. A perda de renda e consequentemente do acesso a alimentação também tem sido mostrada como um dos maiores motivos para o sofrimento mental nesta pesquisa: 74% da população está comendo menos do que precisaria e 9,8% está passando fome.

“As Unidades Básicas de Saúde (UBS) tem sido referência para o acolhimento e cuidado dessa população, o SUS fazendo a diferença. É o único lugar de suporte para as pessoas que estão sofrendo muito com isso. As questões de saúde mental não são apenas as questões de insegurança, luto, mas também de violência, do sofrimento pela volta da fome e da falta de apoio dos governos”.

O presidente da Associação Brasileira de Saúde Mental (ABRASME) e vice-presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos, Leonardo Pinho, salientou a não priorização da saúde mental pelo governo Bolsonaro, onde a coordenação nacional de saúde mental do Ministério da Saúde não traçou estratégia ou  planos de contingência para atingir de forma mais geral a população, mas estimulou a hospitalização em comunidades terapêuticas e hospitais psiquiátricos.

“Não foi cumprida a função institucional prevista no SUS. O que foi decidido foi incentivo a internação de adolescentes em comunidades terapêuticas, anúncio de rede privada para saúde mental a partir de 2021, medidas que afrontam a Constituição, que não a cumprem, mas garantem abertura de mercado com dinheiro público para setores privados. Em vez de cuidado, foi aproveitado a oportunidade da pandemia para o desmonte de políticas públicas”.

O deputado Jorge Solla enfatizou a importância do Congresso Nacional nas propostas e aprovação de medidas emergenciais, como o auxílio emergencial.

“O governo Bolsonaro não queria nada, nunca mandou nenhum projeto para aprovação do auxílio emergencial, que é algo imprescindível para garantir comida na mesa das famílias, mas não é o suficiente. O impacto da covid-19 não é só nos contaminados pela doença, mas também nas pessoas que não estão sendo tratadas adequadamente, as pessoas em sofrimento de saúde mental não estão tendo oportunidades de terem o devido cuidado”.

Em defesa da luta antimanicomial

O debate também contou com o apoio dos participantes em defesa da liberdade de manifestação, da luta antimanicomial e do Padilha no processo ético profissional que o médico e deputado federal está sofrendo pelo Conselho Regional de Medicina do estado de São Paulo (Cremesp) por ter se manifestado, por vídeo publicado nas suas redes sociais, contrário as mudanças anunciadas pelo governo Bolsonaro na política de saúde mental.

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Confira na íntegra como foi o programa: