Coronavírus: Brasil testa pouco e se arrisca muito



Foto: Reuters/Yves Herman

Por Alexandre Padilha

O Brasil está atrasadíssimo com relação ao número de testes para coronavírus em comparação com outros países. Até domingo passado (5), realizamos cerca de 260 testes por 1 milhão de habitantes, enquanto a Alemanha já realizou 15,7 mil exames, Espanha 7,5 mil e EUA 6,7 mil todos por 1 milhão de habitantes.

O debate sobre essa apatia do Brasil em viabilizar mais testes tem sido feito de maneira recorrente na Comissão Externa que analisa propostas de ações preventivas ao coronavírus no Brasil na Câmara dos Deputados, da qual sou membro.

Uma das questões que foram discutidas é que o país não conseguiu se organizar para ter o volume adequado de testagem. Diante desta situação precisamos ter clareza, estímulos fortes e coordenação do Ministério da Saúde junto aos estados e municípios sobre a montagem de unidades sentinelas de testagem, onde a prioridade deve ser a aplicação de testes nos idosos, principal grupo de risco e com maior letalidade. Não podemos deixar essa população sem a opção de testagem.

Sugeri ao presidente da comissão que o Ministro Luiz Henrique Mandetta e os técnicos do Ministério da Saúde sejam convidados a participar de nossas reuniões, de forma que possamos discutir mais claramente algumas propostas, como a flexibilização das regras de isolamento a partir de 12/4, e que foi apresentada essa semana pelo órgão.

Essa proposta de flexibilizar o isolamento a partir de certo número de casos confirmados de determinada região ou estado, só é possível com um volume adequado de testagem, sobretudo nas populações de maior risco.

Ainda que o Brasil tivesse um grande número de testagem, sabemos que muitos testes apontam falsos negativos para a doença, seja pelo local da coleta ou pela própria sensibilidade do teste de PCR.

Na comissão apresentei uma indicação para que o Ministro Mandetta siga evidências cientificas e inclua critérios clínicos e radiológicos para notificação da doença em pacientes sintomáticos, com a utilização de Tomografia Computadorizada de Tórax para o acompanhamento do diagnóstico clínico de sintomas da doença.

Estudos apontam que o exame possui alta sensibilidade no diagnóstico do COVID-19, portanto deve ser utilizado como instrumento primário. A medida é uma das atitudes sanitárias que pode ser tomada neste momento de crescimento e subnotificação de casos, já que é a ampliação de instrumentos para diagnóstico já reconhecido em evidências científicas.

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